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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

GÍRIAS VERMELHAS NO MINISTÉRIO DAS FAVELAS: CONEXÃO HOP HOP SÃO LUÍS - CAXIAS


Era madrugada do dia 10 de janeiro; foram cerca de cinco horas de viagem de São Luís até Caxias embalados por um bom bate papo sobre política, música, piadas (as de Verck são horríveis), Hip Hop, etc. Ao fundo Tim Maia, Jorge Bem, Bob Marley, Gíria Vermelha, P.R.C. Atividade Interna e às vezes Luciana Pinheiro ao vivo e a cores. A pobreza dos povoados em contraste com os latifúndios quilométricos denunciava porque a violência em bairros como a Cidade Olímpica tem crescido tanto. São pra lá que estão indo os que não suportam viver em meio a tanta desigualdade, só que sobreviver na ilha não tá fácil. Mas, há quem diga que o governo está transformado o Maranhão em uma potência, talvez pra gringo vê, plantar e exportar, principalmente eucalipto e soja. Eles só não exportam a miséria e a pobreza que essa política planta aqui, essa nos colhemos e o governo remedia com policiamento ostensivo.
Caxias é o lugar, Ministério das Favelas a banca e entre Duque de Caxias, assassino de negros e sertanejos, e Negro Cosme, terror dos latifundiários escravocratas, o Ministério mostrou que é “balaio” de favelados, Bento Cosme deve tá morrendo de orgulho. Depois de um bate bola (Ministério das Favelas 5x2 Gíria Vermelha) e um bom banho de rio; era hora de trocar idéia com a rapa do Hip Hop. Ficamos supressos com a quantidade de pessoas presente, tendo em vista que essa atividade, que seria no domingo, foi antecipada, em cima da hora, para o sábado à tarde. Aonde a mão suja do governo e o zóio gordo das ONG’s não chega as coisas funcionam naturalmente, bagulho doido, né não?.
No caminho para a associação passamos por dois velórios, um de um tiozinho de idade avançada e outro de uma adolescente. Em decorrência disso lembrei de Dona Divina, mãe do Pipoca (Ministério das Favelas) que me fez pensar que além de muita organização política a periferia precisa também do bom senso dos mais vividos. Na associação de moradores uma breve troca de idéias sobre pretitude, Hip Hop, crise mundial, criminalização da pobreza e a necessidade de consolidar o Hip Hop militante no nordeste e no Brasil.
Depois da rango no barraco do Pipoca fomos ao show numa praça que fica em frente a um centro cultural. Centenas de pessoas a espera. Muito grupo bom se apresentando, tanto de dança de rua como de rap. Gostei muito do grupo Verbo Negro. De São Luis, Sonianke, do grupo Dialeto Preto, mandou ver, aliás, mandou pra escutar, muita idéia certa. De repente o tempo fecha, a chuva ameaça cair, o Aliado da CX, uma das grandes atrações da noite, abre mão de tocar e chama o Gíria Vermelha. DJ 15 nos toca discos maestria o show. O calor do público contrastava com o vento frio do sereno. O discurso de Verck sobre massacre de Israel contra o povo palestino me emocionou -acho que todos ficaram- que quase não consigo cantar a minha parte na música “Lutar é Preciso”, também nem precisava, pois o público estava cantado por nós. Na hora de “O Imortal”, caiu aquele toró, o evento teve que ser encerrado, porém nem a chuva conseguiu tirar o brilho daquela noite sem lua na terra em que o espírito guerreiro de Negro Cosme se imortalizou no Hip Hop Militante. VALEU CAXIAS!!!

Um comentário:

stela disse...

Lendo esse texto acontece de tudo: a gente vê o que precisa fazer, o que precisa escrever. Valeu!