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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Falcões ou tubarões. Quem são os meninos do tráfico?

Você deve saber que a coca e a maconha são plantadas bem longe das favelas. Depois elas passam por um processo químico em laboratórios que não ficam dentro de nenhuma favela. Depois desse refino, a coca, já transformada em pó de cocaína, atravessa as fronteiras e entra no país, para, a partir daí, da mesma forma que a maconha, serem transportadas por rodovias federais e estaduais, ou pelo mar. Só depois de todas essas etapas é que a droga é embalada e vendida no varejo nas favelas.
Se em todo o processo, da produção ao consumo, a menor parte fica com a favela, por que será que combate ao tráfico na nossa sociedade é sinônimo de operações policiais em favelas? Por dois motivos: 1) enquanto a sociedade acreditar que prendendo ou matando um favelado está se tirando de circulação um traficante; alguns senadores, deputados, prefeitos, secretários estaduais e municipais, ministros e empresários, que são os verdadeiros responsáveis pelo tráfico e beneficiários do grosso do rendimento desse comércio ilícito, continuarão livres e intocáveis em seus cargos e mansões. 2) atribuir à favela a responsabilidade pelo narcotráfico, serve para justificar a violência com a qual o Estado, através da sua policia, age nessas comunidades.
Por isso, o discurso de que traficante é favelado, tem que ser combatido, principalmente por quem é morador e moradora de lá.
Mas, ao contrário disso. MV Bill e Celso Athaide produziram um filme que muito bem serviu para legitimar esse discurso perverso. Com o título "Falcão. Meninos do tráfico" o documentário esconde o perfil dos verdadeiros traficantes, que vivem em luxuosas mansões e coberturas, e expõem aqueles que estão na ponta do processo vendendo a droga e portando as armas que, também não são fabricadas nas favelas.
Quando o governador fascista do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, diz que mulheres faveladas são fábricas de marginais, entendemos que essa mensagem veio preparar o terreno para a ampliação do foco da sua política de extermínio, que até agora, mínima e relativamente, preservou essa parcela da população, que são as mulheres moradoras de comunidades pobres.
Foi quando a declaração do governador estava no auge da sua repercussão, que a imprensa começou a divulgar o novo documentário da dupla Celso/Bill. Pelo nome do novo projeto, "Falcão. Mulheres e o tráfico" pode-se esperar algo parecido com o documentário que o antecedeu.
O filme, combinado com a declaração do governador, prometem ser um ótimo argumento para legitimar a política de extermínio contra a mulher favelada, anunciada nas entrelinhas das ações e declarações de Sergio Cabral.
Entendemos que um documentário que se proponha a fazer revelações sobre o submundo do narcotráfico, deva sair das favelas e passar pelos gabinetes do legislativo, executivo e judiciário, pelas mansões e coberturas da Barra, Alfaville, e outros bairros nobres do país. Entendemos que fábrica de marginais são as políticas de educação, habitação, saúde, trabalho, infra-estrutura, segurança, etc. do Estado - q no filme "Falcão" foi isentado pelo MV Bill, de qualquer responsabilidade sobre a violência.
Essa é apenas uma peça de um enorme quebra-cabeça, que é esse processo já bem avançado de criminalização da pobreza - organizada, ou não - no campo e na cidade. Precisamos estar unidos e organizados. Só assim poderemos enfrentar essa ofensiva da classe dominante que, infelizmente, tem muitos de nós entre seus aliados.

Coletivo de Hip Hop LUTARMADA, Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, MHM Quilombo Brasil, Resistência Cangaço Urbano, Ministérios das Favelas, CONLUTE, CONLUTAS, Atividade Interna MMM (Marcha Mundial das Mulheres - RJ), MTD (Movimento dos Trabalhadores Desempregados - RJ), CMP (Central de Movimentos Populares), MNLM (Movimento Nacional de Luta Pela Moradia - RJ), FLP (Frente de Luta Popular), Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência.

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