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domingo, 21 de dezembro de 2014

Carta aberta ao Festival BR 135


Antes de qualquer coisa gostaria de registrar que não sou contra a realização do Festival BR 135, contudo, este festival pisou na bola nesta edição.
Não estou falando dos grupos e bandas que participarão nesta edição, mas sim por silenciar uma atividade do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão Quilombo.
Como isso veio a acontecer?
A Praça da Criança sempre foi uma das mais esquecidas do Centro Histórico, mesmo tendo localização privilegiada. Esta praça que comumente vinha sendo utilizada para o consumo de drogas foi ocupada pelo Quilombo Urbano em 2006 que ali passou a desenvolver atividades políticas e culturais, renomeou a praça com o nome de Quilombo Cultural Lagoa Amarela em referência ao quilombo liderado por Negro Cosme. Este fato fez com a praça outrora conhecida como “cagatório” viesse a ser reconhecida como Praça do Rap devido, principalmente, as apresentações de vários grupos locais, do interior e de outros estados naquele espaço.
A Praça da Criança começou a ser ocupada pelo Hip Hop, não só pelo Quilombo Urbano, pois a mesma foi grafitada por artistas que não fazem parte deste movimento, mas que reconhecem a praça como um espaço do Hip Hop.
Amanhã, infelizmente, não acontecerá a SEXTA HIP HOP na Lagoa Amarela, pois lá ocorrerá apresentações de bandas e grupos no Festival BR 135, fato que só tomamos conhecimento pela internet, via facebook.
Não sei se tem algo haver com o festival, porém, vale ressaltar, que nossas atividades naquela praça sempre ocorreram tranquilamente até a última sexta-feira, quando um grupamento da Polícia Militar do Maranhão subiu até o referido espaço e colocou no paredão mais cinquenta (50) jovens e ameaçou de prisão os que ali estavam, principalmente, os que estavam a frente da atividade. Desligaram o som, agiram de forma abusiva, agressiva e autoritária, mas como somos um movimento organizado a atividade seguiu.
Não estamos, também, pleiteando participação no Festival, pois temos ciência que nosso discurso não condiz com certas parcerias estabelecidas pelo Festival, estamos colocando que há tempos realizamos atividades naquela praça, algo semelhante ao que aconteceu em Recife-Pe (Ocupe Estelita), mas o fato do Festival realizar uma atividade na Praça da Criança, sem comunicação, sem diálogo, sem aviso consideramos expropriação do espaço, alguns podem dizer que a liberação para o festival ocorrer veio por parte dos órgãos responsáveis, mas nós não estamos presos a essas formalidades, pois acreditamos que ao realizarmos a SEXTA HIP HOP naquela praça estamos cumprindo com a função social de um espaço público de lazer com são as praças. E assim como o festival tem sua programação, nós também temos e os grupos que se apresentariam nesta sexta-feira não terão o espaço da Lagoa Amarela.
Atenciosamente
Mano Magrão, rapper e militante do Movimento Hip Organizado do Maranhão Quilombo Urbano.

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