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domingo, 21 de março de 2010

MORRE DINA DI, ESSA SIM GUERREIRA DE VERDADE


Morreu na madrugada deste sábado, dia 20 de março, uma das mais respeitada artistas do Hip Hop brasileiro, a rapper Dina Di que já tinha lançado seis discos em seus 17 anos de carreira. Diferente da governadora do Maranhão, a Roseana Sarney, que se intitula “guerreira” devido às inúmeras cirurgias a qual foi submetida nos hospitais mais caros do Brasil, a GUERREIRA Dina Di, como era reconhecida no meio do Hip Hop nacional, morreu de infecção hospitalar generalizada em um hospital público de São Paulo durante complicações do parto de sua filhinha Aline. Perde o Hip Hop nacional, perde as mulheres pobres, perde a periferia de um modo geral. Em nossa fortaleza tem uma pedra a menos, e não é uma pedra qualquer, é uma daquelas preciosíssima, em nosso exército tem uma guerreira a menos, e é uma daquelas da linha de frente que não se escondia atrás das suas rimas, pelo contrário, conforme dizia “Meu rap não é feito de meias-palavras/ quem escuta sabe até minha idade, minha personalidade”. Dina Di foi vitima do que ela tanto combatia e denunciava em suas canções, as desigualdades sociais que atinge mais ferozmente as mulheres pobres. Dina Di foi vítima da ineficiência de um sistema público de saúde sucateado propositalmente pelos governos para atender os interesses de meia dúzia de vermes capitalistas que controlam os planos de saúde e os hospitais privados. Dina Di foi mais uma vítima desse jogo sujo. Que sua morte sirva de lição para os inconseqüentes de calças largas do rap nacional, pois NÃO SÃO AS MULHERES DE PERIFERIA QUE DEVEMOS COMBATER EM NOSSAS RIMAS, mas os governos neoliberais que fazem dos hospitais públicos verdadeiros matadouros da população pobre. Que as lágrimas derramadas dos olhos de cada quebrada deste país em nome da guerreira Dina Di possam reanimar nossas energias para que possamos superar o quanto antes esse mundo de coveiros capitalistas. Esteja em um bom lugar GUERREIRA, pois em nossa caminhada você já está eternizada.

Morre Dina Di, grande guerreira do Hip-Hop brasileiro

Um Adeus à Rainha do Rap

P/ Jéssica Balbino
 Com uma vida nada fácil, ela foi a primeira a esmurrar a porta do barraco brasileiro e anunciar as mulheres no Rap. Uma mina de fato, como poucas dentro do Hip-Hop. A atitude e a força na voz a fazem a "Rainha do Rap", eternizada mesmo após a confirmação da sua morte às 23h 30min de sexta-feira (19). Vítima de uma infecção hospitalar após o parto da filha no último dia 2 de março, Dina Di deixou o mundo que nem sempre lhe foi o melhor lugar e partiu. No legado ela deixa o estilo e a rima na ponta da língua.Tinha o rapper na carne e transformava as feridas arrombadas em letras. Dos CDs gravados, ficou conhecida após se apresentar como "a noiva de chuck" e o casamento só aconteceu há pouco tempo. Conheceu o Hip-Hop aos 16 anos e escondida em roupas largas e bonés, apresentou as primeiras rimas, sempre defedendo o universo feminina. Morreu após dar a luz, na maior representação feminina que existe, o parto e o nascimento de um filho. Por ser conhecida, tem a história divulgada. Vítima de mais um sistema de saúde falido no nosso país. Com a visão que tinha da rua, montou um grupo de mesmo nome e gravou três CDs que ganharam os guetos rapidamente. Entre as vozes femininas do Rap, Dina Di foi quem mais levantou a bandeira do movimento.
Vítima do próprio sistema que tenta combater, viveu uma vida literalmente à margem da sociedade. Não teve tempo de amamentar a filha como deveria e nem de vê-la crescer. Deixou mais uma, entre as milhares do Brasil, criança sem mãe neste país que não é pátria. Mesmo sendo quase invisível no sistema que o Hip-Hop combate, ela foi uma denúncia andante, conceituou o Rap na carne. Sempre teve medo de descer do palco e ver a Dina Di morrer. Antes de ir para o hospital, estava agendando shows por todo o Brasil. Não deu tempo de visitar Poços de Caldas.
Antes de se tornar conhecida, perdeu as contas de quantas vezes passou pela Febem desde que fugir de casa, aos 13 anos. O pai de Dina Di era mestre de obras e morreu engasgado com um pedaço de carne num boteco, na periferia. A mãe dela era camelô e foi assassinada dentro de casa, uma morte lenta e dolorosa, ela foi asfixiada com um pedaço de pano que lhe enfiaram na garganta, enquanto estava amarrada com os fios do varal de roupas. Mas, nada disso a impediu de escrever com as vísceras e alma, relatando todas as dores que a perfuram.
Certa vez uma reportagem foi finalizada com a seguinte frase: "(...) diante de milhares de sobras humanas com voz e com raiva, Dina Di e os seus têm chance de não morrer no beco". Que pena que o otimismo não foi o suficiente. Ela morreu antes da hora. Se foi antes do tempo. Não ensinou tudo que podia e nem cantou tudo que queria. Mas, talvez nós, que acompanhamos esta trajetória e sabemos das dores de sermos tachados de trapos humanos consigamos melhorar um pouco a nossa periferia, a nossa volta e não percamos mais mulheres para a saúde falida do nosso país.
Guerreira, vai com Deus, vai em paz! Hoje o Hip-Hop chora: paz, amor, diversão e união a todos irmãos que compartilham a mesma dor desta perda horrível! Rainha, tá doendo muito, viu!
***** A FAMÍLIA HIP-HOP BRASILEIRA PRESTA SUA HOMENAGEM *****