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terça-feira, 31 de agosto de 2010

CARTA ABERTA AO HIP HOP MILITANTE BRASILEIRO

CONSTRUAMOS O NOVO!

Há momento em que os indivíduos têm que tomar decisões importantes nos rumos de suas vidas. Com as organizações políticas e culturais não é diferente. No Hip Hop, mais do que nunca, é hora de tomar decisões. Os prognósticos que fizemos desde o surgimento do Quilombo Brasil em 2008 ou mesmo os que o Quilombo Urbano já fazia há mais de dez anos tem, infelizmente, se confirmado a cada dia. O Hip Hop brasileiro está ficando do jeito que a burguesia quer, despolitizado e mercantilizado.

Quem diria que um dia o Racionais estaria de mãos dadas com a Nike e gravando clipe para o Fantástico, MV Bill no Faustão e no Malhação, entre tantas outras mudanças radicais que vem ocorrendo no Hip Hop brasileiro. Em termo de organizações também o rumo é parecido. O governo abriu a torneira de financiamento para fechar a válvula de escape da indignação política que o Hip Hop representa na favela.

Só para se ter uma idéia, o Prêmio Cultura Hip Hop 2010 Preto Ghoez do Ministério da Cultura, envolve um montante de mais de um milhão e meio de reais. A Zulu Nation, organização histórica de Hip Hop mundial, tem até parceria com a Legião da Boa Vontade. No nordeste grande parte dos movimentos se converteu em ONG’s, algumas chegam até a realizar parcerias com o aparato policial. No entanto, assim como nós, quase todas as organizações reconhecem que há uma crise, mas o que a maioria não consegue reconhecer ou admitir é que eles são parte da crise.

Assim como o PT conseguiu controlar o setor majoritário do movimento sindical e popular, também conseguiu fazer o mesmo com o setor igualmente majoritário do Hip Hop brasileiro. Por isso o candidato a vice-presidente de Dilma (PT), Michel Temer (PMDB), afirmou que país está bem por que os movimentos sociais e os pobres estão pacificados. O país não está pacificado, é claro, mas que a maioria dos movimentos sindicais e sociais passou a ser satélite político do governo Lula, não deixa de ser uma dura realidade.

A UNE saiu das ruas para apoiar quase todos os ataques de Lula à educação pública. A CUT se transformou numa máfia de dirigentes milionários que apóia inclusive demissões de trabalhadores e ataques aos aposentados. No Maranhão muitas de suas lideranças estão juntas com o grupo Sarney. O MST viu a reforma agrária regredir mais do que no governo de FHC, na verdade no governo Lula a reforma agrária deixou de existir, agora é só regularização fundiária, não existe mais expropriação de latifúndio. Apesar disso, a direção do MST continua apoiando o governo Lula, ainda que criticamente.

Com a maioria das entidades do Movimento Negro a cena se repete. A aprovação, ou melhor, a destruição do Estatuto da Igualdade Racial foi um dos maiores crime cometido pelo Estado brasileiro contra a população negra nos últimos anos. De acordo com esse Estatuto o racismo deixou de existir no Brasil e as cotas foram extinta do projeto, tudo isso com o aval do PT. No entanto, a grande parte das entidades do Movimento Negro segue apoiando Dilma e Lula.

Me Diga com Quem Tú Andas....

Durante a década de 1990 estivemos com a CUT, com o PT, com a UNE, aprendemos muitos com eles e nos orgulhamos muito por isso, mas não dar mais pra caminhar de mãos dadas com quem estende as mãos aos inimigos de nosso povo. Essa é a encruzilhada que nos encontramos. A ousadia sempre foi uma marca do Hip Hop, remar contra a maré, enfrentar as adversidades para superar os obstáculos. Sem ousadia não pode haver lutas e sem lutas não haverá vitórias. Nesse momento caminhar com quem caminha contra nosso povo significa engrossar as fileiras do inimigo, significa legitimá-los.

A partir do próximo período a economia brasileira entrará em um processo de estagnação segundo o próprio governo. Esse ano o decifict da conta corrente do Brasil chegou a quase 50 bilhões de reais, o maior desde 1946. A crise econômica baterá mais forte nas portas dos favelados e os ataques virão contra a classe trabalhadora, não temos dúvida disso.

Os investimentos em repressão policial têm crescido de forma assustadora no Brasil. A presença de tanta droga na periferia não é atoa, é uma política de Estado, é uma estratégia da burguesia nacional e do imperialismo para controlar um setor da população brasileira que não tem mais nada a perder. Até o Hip Hop, em muitos estados e municípios, está no atoleiro do crak e da guerra interna, política de Estado que divide e mata! É claro que a favela, por contra própria, reagirá a isso, passando inclusive por cima das ONG’s, que hoje são financiadas pelo governo para manter o controle social que o capital internacional necessita para circular em nosso país. Mas, nenhuma luta cega, por mais justa que seja, resultará em processos revolucionários. Cedo ou tarde a burguesia fechará o processo.

Por isso temos que construir algo grandioso, que esteja acima de nossas atuais organizações de cidades e estados. Temos que construir uma ferramenta política e cultural nacional, que seja de periferia, que seja revolucionária, que seja socialista, portanto, que não pode ser ONG nem financiada pelos governos ou pelo imperialismo. Não será possível combater o demônio aliando-se ao seu próprio rabo!

Quilombo Brasil: uma alternativa em Construção

O Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil” é uma experiência muito recente, mas que preserva a ousadia do Hip Hop Militante desse país. Recentemente lançamos a Campanha Pelo Fim da Guerra Interna, uma campanha formidável para construir a unidade política da favela, mas é ainda muito modesta para a grandeza dos desafios colocados para nós. No Maranhão construímos, via Quilombo Urbano, as marchas da periferia.

Nossa parte estamos fazendo, mas não basta só boa vontade, queremos construir algo que faça esse país tremer perante aqueles que tremem de indignação contra o capitalismo. Queremos construir um Quilombo Brasil em cada cidade desse país e uma posse em cada quebrada dessas cidades, posses que funcionem como células revolucionárias de nosso organismo nacional, o MHMQB. Não precisamos mais provar pra ninguém que somos bons construtores de rimas, ótimos maestros nos toca discos, excelentes grafiteiros e excepcionais dançarinos, no entanto, precisamos dar um salto de qualidade em nossa forma de organização política. Por isso estamos propondo um amplo debate entre as diversas organizações ou adeptos e militantes independentes que, como nós, querem tirar o Hip Hop do atual estado de coisas em que se encontra e construir algo que supere inclusive nossa briosa atuação na década de 1990.

Nós do Quilombo Brasil só não abriremos mão dos nossos princípios já consolidados desde 2008 que versa sobre a independência perante aos patrões e a autônima diante do Estado. Não abriremos mão do nosso objetivo estratégico que é a destruição do racismo, do machismo, do homofobismo e do capitalismo, bem como da construção do socialismo. No campo da arte e da cultura esses princípios só terão sentido se as mesmas forem plenamente livres e revolucionárias. No mais, façamos o debate, construamos o novo, construamos o MHMQB.

MOVIMENTO HIP HOP MILITANTE QUILOMBO BRASIL

domingo, 21 de março de 2010

Morre Dina Di, grande guerreira do Hip-Hop brasileiro

Um Adeus à Rainha do Rap

P/ Jéssica Balbino
 Com uma vida nada fácil, ela foi a primeira a esmurrar a porta do barraco brasileiro e anunciar as mulheres no Rap. Uma mina de fato, como poucas dentro do Hip-Hop. A atitude e a força na voz a fazem a "Rainha do Rap", eternizada mesmo após a confirmação da sua morte às 23h 30min de sexta-feira (19). Vítima de uma infecção hospitalar após o parto da filha no último dia 2 de março, Dina Di deixou o mundo que nem sempre lhe foi o melhor lugar e partiu. No legado ela deixa o estilo e a rima na ponta da língua.Tinha o rapper na carne e transformava as feridas arrombadas em letras. Dos CDs gravados, ficou conhecida após se apresentar como "a noiva de chuck" e o casamento só aconteceu há pouco tempo. Conheceu o Hip-Hop aos 16 anos e escondida em roupas largas e bonés, apresentou as primeiras rimas, sempre defedendo o universo feminina. Morreu após dar a luz, na maior representação feminina que existe, o parto e o nascimento de um filho. Por ser conhecida, tem a história divulgada. Vítima de mais um sistema de saúde falido no nosso país. Com a visão que tinha da rua, montou um grupo de mesmo nome e gravou três CDs que ganharam os guetos rapidamente. Entre as vozes femininas do Rap, Dina Di foi quem mais levantou a bandeira do movimento.
Vítima do próprio sistema que tenta combater, viveu uma vida literalmente à margem da sociedade. Não teve tempo de amamentar a filha como deveria e nem de vê-la crescer. Deixou mais uma, entre as milhares do Brasil, criança sem mãe neste país que não é pátria. Mesmo sendo quase invisível no sistema que o Hip-Hop combate, ela foi uma denúncia andante, conceituou o Rap na carne. Sempre teve medo de descer do palco e ver a Dina Di morrer. Antes de ir para o hospital, estava agendando shows por todo o Brasil. Não deu tempo de visitar Poços de Caldas.
Antes de se tornar conhecida, perdeu as contas de quantas vezes passou pela Febem desde que fugir de casa, aos 13 anos. O pai de Dina Di era mestre de obras e morreu engasgado com um pedaço de carne num boteco, na periferia. A mãe dela era camelô e foi assassinada dentro de casa, uma morte lenta e dolorosa, ela foi asfixiada com um pedaço de pano que lhe enfiaram na garganta, enquanto estava amarrada com os fios do varal de roupas. Mas, nada disso a impediu de escrever com as vísceras e alma, relatando todas as dores que a perfuram.
Certa vez uma reportagem foi finalizada com a seguinte frase: "(...) diante de milhares de sobras humanas com voz e com raiva, Dina Di e os seus têm chance de não morrer no beco". Que pena que o otimismo não foi o suficiente. Ela morreu antes da hora. Se foi antes do tempo. Não ensinou tudo que podia e nem cantou tudo que queria. Mas, talvez nós, que acompanhamos esta trajetória e sabemos das dores de sermos tachados de trapos humanos consigamos melhorar um pouco a nossa periferia, a nossa volta e não percamos mais mulheres para a saúde falida do nosso país.
Guerreira, vai com Deus, vai em paz! Hoje o Hip-Hop chora: paz, amor, diversão e união a todos irmãos que compartilham a mesma dor desta perda horrível! Rainha, tá doendo muito, viu!
***** A FAMÍLIA HIP-HOP BRASILEIRA PRESTA SUA HOMENAGEM *****

sábado, 5 de dezembro de 2009

MANIFESTO DA 4ª MARCHA DA PERIFERIA “PELO FIM DA GUERRA INTERNA”

As condições de existência da juventude pobre e negra que reside nas comunidades periféricas do nosso estado e do Brasil de um modo geral são cada vez mais degradantes. As históricas reivindicações dessas comunidades por políticas públicas foram inversamente atendidas com mais criminalização midiática e repressão estatal. Desde 2005, bairros pobres de todos os estados brasileiros foram ocupados militarmente pela Força de Segurança Nacional. No entanto, mesmo antes desse acontecimento muitos governos já haviam adotado “Toque de Recolher” sufocando o lazer e as práticas culturais desses bairros ocupando-os com forças policias. Em nosso estado, o bairro da Liberdade é um exemplo emblemático desse processo de criminalização da pobreza.
Os governos, em suas três esferas (municipal, estadual e federal), manipulam a problemática das drogas e do crime para desviar os olhares populares das questões sócio-estruturais de centro que levam a juventude pobre a submeter-se a tal condição.
Em se tratando especificadamente da população afro-descendente, desagregando os dados estatísticos por etnia, as condições de existência destes se aproximam do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países mais pobres da África ou da Ásia. Os afro-descendentes dos estados de Alagoas, Maranhão e Ceará apresentam um IDH considerado quase baixo (entre 0,500 e 0,599), já o IDH dos brancos brasileiros, em seu conjunto, é considerado quase alto (entre 0,750 e 0,799), muito próximo da situação dos países europeus.
Tudo isso prova que as desigualdades raciais no Brasil se mantêm mesmo doze décadas depois da “abolição” da escravatura. Os mecanismos de dominação ideológica e econômica se mantiveram e se reproduzem cotidianamente. Desta forma, está claro que, é para o setor socialmente mais desassistido por políticas públicas que o “punho de ferro” do Estado tende a robustecer.
É para esse setor, conforme nos mostra Wacquant (2003), que vimos restabelecer uma espécie de “ditadura pura”, mesmo 20 anos depois da queda das ditaduras militares em toda a América Latina. No Maranhão vimos recentemente uma greve dos trabalhadores da educação pública ao mesmo tempo em que o governo propagandeava a compra de mais 174 viaturas para a polícia militar.
Por outro lado, se não bastasse à repressão estatal e a criminalização midiática, deparamo-nos com um processo de “guerra interna” envolvendo a juventude das periferias de todo o Brasil. Os ideólogos do capital, a mídia comercial burguesa e os partidos conservadores conseguem fazer com que a juventude imersa no barbarismo neoliberal se veja como inimigos.
Os espaços de manifestação da violência intra-periférica são cada vez mais reduzidos, o “inimigo” mora cada vez mais próximo. A revolta social de muitos destes jovens ao invés de ser canalizada politicamente contra aqueles que aplicam inapelavelmente as políticas neoliberais, é descarregada nas “batalhas” das “guerras internas” de bairro contra bairro, de comunidade contra comunidade, de morro contra morro, de rua contra rua, de vizinho contra vizinho e assim sucessivamente.
Essa é a política invariável do imperialismo cultural levada a cabo por partidos e políticos conservadores do nosso país: cortar pela raiz qualquer possibilidade de ações políticas coletivas que se contraponha à dominação externa e interna, pois para manter a periferia vivendo na situação limite do barbarismo neoliberal é necessário frear atos limites de ruptura política com o capital.
No entanto, nem tudo é derrota para a juventude das periferias do nosso estado. Muitos desses jovens criminalizados pelos pela grande imprensa, penalizados pelas políticas neoliberais e punidos pelo aparato repressivo resolveram dar uma resposta política positiva a essa situação e através da cultura Hip Hop tem articulado as Marcha das Periferias, que já caminha para a sua quarta edição.
O objetivo principal deste evento é, ao mesmo tempo, favorecer a construção de uma subjetividade positiva coletiva entre a juventude negra e pobre e chamar a atenção do conjunto da sociedade maranhense e dos poderes públicos constituídos para a necessidade do Estado estender seu braço social nos bairros de periferia.
A iniciativa da construção da marcha da periferia foi do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano, em 2006, mas ganhou tal dimensão que hoje é coordenada por um conjunto de entidades do movimento popular e sindical que compõe o Comitê Pró-Periferia. Essa importância também se reflete em âmbito nacional, ao ponto de diversas entidades de Hip Hop e organizações políticas tradicionais de outros estados se deslocaram até o Maranhão para participarem das atividades que envolvem a programação da Marcha da Periferia.
Para sensibilizar e mobilizar a população pobre a participar da das marchas das periferias, atividades políticas e culturais são realizadas nas comunidades pólos que envolvem diversos bairros próximos uns dos outros. Esse ano foi realizado atividades nos pólos Liberdade-Fé Deus, Bequimão-Rio Anil, Novo Angelim, João Paulo -Coroado, Cidade Olímpica- Santa Eufigênia, Areinha- Bairro de Fátima e Vila Embratel. A cultura Hip Hop é, geralmente, o principal instrumento político-cultural de mobilização nessas comunidades.
Como resultado das discussões realizadas nessas atividades e nas reuniões ampliadas para construção das Marchas da Periferais são elencadas uma pauta de reivindicações que é comum a praticamente todos esses bairros. Neste sentido, a 4ª Marcha da Periferia traz a seguinte pauta de reivindicação que gostaríamos de apresentar aos (as) senhores (as) deputados (as);

1- Por um plano emergencial de obras públicas em todos os bairros de periferia do Maranhão para gerar emprego e renda e combater o crime em suas raízes sociais;
2- Construção de escolas públicas com qualidade de ensino de acordo com a demanda do estado e reformas das escolas já existentes;
3- Pela construção de áreas para a prática do lazer, esporte e cultura nos bairros de periferia;
4- Pelo fim do déficit habitacional do nosso estado, Reforma urbana já!
5- Pela instalação de uma auditoria da divida pública do estado do Maranhão;
6- Pelo fim das ocupações militares nos bairros de periferia;
7- Pela desmilitarização da polícia;
8- Pelo fim da perseguição as rádios comunitárias e contra a criminalização praticada pelos grandes meios de comunicação contra os moradores da periferia;
9- Pelo fim de repasse de verbas públicas para a imprensa comercial burguesa;
10- Pela eliminação gradual do sistema prisional que não ressocializa pobre e nem mantém preso o rico.
11- Pela formação de conselhos populares de segurança pública que possibilitem à própria comunidade resolver democraticamente os conflitos entre os seus moradores;
12- Pela construção de mais hospitais públicos, a exemplo do IPEM, nos bairros de periferias;
13- Ações afirmativas para os afro-brasileiros nas universidades públicas estaduais rumo a fim do vestibular e universalização do ensino superior;
14- Pela desmilitarização das universidades estaduais, pelo fim do C.F.O. na UEMA;
15- Mais verbas para a preparação de professores com vista a viabilizar a implementação efetiva da lei 10.639/03 nas escolas públicas da rede estadual de ensino;
16- Aprovação e adoção do dia 20 de novembro como feriado estadual do dia da consciência negra;
17- Eleição direta para diretores de escolas e liberdade para construção de grêmios estudantis;
18- Saneamento básico e tratamento de esgoto digno para a classe trabalhadora;
19- Pela implementação do Disque Racismo já existente em outros estados da federação e que seja controlado pelo conjunto das entidades do movimento negro e afins;
20- Pela titulação das terras dos remanescentes de quilombolas em todo o estado do Maranhão.

QUILOMBOLAS DO BRASIL CANTAM, DANÇAM, GRAFITAM E MARCHAM EM DEFESA DAS PERIFERIAS

Foram três dias formidáveis e São Luís teve a honra de ser o palco desse espetáculo político-cultural da juventude negra e pobre. Organizações do Maranhão, Piauí, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro protagonizaram um dos mais politizados encontro de Hip Hop já ocorrido no Brasil. No entanto, os dias 19, 20 e 21 de Novembro foi o clímax de uma série de atividades iniciada em maio deste ano com vista à construção da 4ª Marcha da Periferia e a comemoração dos 20 anos de existência do Quilombo Urbano. Nesse período oito bairros de São Luis (Liberdade, Areinha, João Paulo, Vila Embratel, Cidade Olímpica, Bequimão, Rio-Anil e Novo Angelim) foram visitados pelo Quilombo Urbano e parcerias. Em cada uma dessas atividades ficava demonstrada a capacidade de organização da juventude pobre, dos favelados de todas as idades, sem dinheiro de governo nem de ONG. Ao contrário, nessas atividades era exigida, sim, a presença do braço social do Estado para melhorar as condições de vida de seus moradores e não para estruturar (leia-se cooptar) nossa organização e a direção de nossas posses. Fruto dessas atividades o Quilombo Urbano elaborou uma carta de reivindicações da 4ª Marcha da Periferia que foi protocolada junto à assembléia legislativa no dia 19 de novembro. O ano de 2010 será marcado pela cobrança dessas reivindicações ( veja a carta da 4ª marcha acima).
Ainda no inicio da semana da consciência negra, que coincide com a semana de realização da Marcha da Periferia, algumas organizações de outros estados, a exemplo do Coletivo Lutarmada do Rio de Janeiro e o Cangaço Urbano do Ceará, nos ajudaram a palestrar em algumas escolas públicas. No dia 19 foi realizado o debate de abertura no Quilombo Cultural Lago Amarela com o tema da marcha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia”. Na mesa, representantes do Quilombo Urbano, Lutarmada e da Aliança dos Estudantes Livres (ANEL). No dia 20 pela manhã, no sindicato dos bancários o tema do debate foi “Hip Hip, Gênero, etnia e classe” com altíssimo nível culminando numa proposta de que o Quilombo Brasil encaminhe um programa especifico para a mulher de periferia. A tarde desse mesmo dia foi realizada a 4ª Marcha da Periferia com muitas falas na concentração e na caminhada. Centenas de pessoas seguiram pelo centro comercial de São Luís rumo ao Circo Cultural da Cidade onde seria realizado o 20º Festival de Hip Hop-Zumbi. A simpatia da população impressionava, muitos paravam e ficavam a escutar as reflexões sobre o processo de criminalização das periferias e a necessidade de organização política para reverter esse quadro. Além de organizações de Hip Hop, estiveram presentes diversos militantes dos movimentos sociais, sindicais e partidos de esquerda, a exemplo do CCN, Conlutas, ANEL, PSTU, APRUMA, Oposição dos Urbanitários, etc. No Circo da Cidade, quase lotado, cerca de 20 grupos de Hip Hop das entidades que compõe o Quilombo Brasil se apresentaram e celebraram esse grande momento que marcou os 20 anos de existência do Quilombo Urbano. No dia 21 (sábado) o palco foi o Borralhos Eventos, no criminalizado bairro da Liberdade, onde aconteceu um debate político da melhor qualidade. Pouco antes, grafiteiros do Quilombo Brasil deixavam sua marca coletiva e politizada na entrada desse bairro.
No mesmo espaço em que há um ano atrás nascia o Quilombo Brasil, era realizado esse encontro com quase o triplo de participantes. Nessa plenária foi avaliado os 12 meses de Quilombo Brasil, os avanços e entraves, a grande possibilidade de crescimento desta organização em 2010 diante da crise instalada nos seios do Hip Hop governista e mercadológico, a reafirmação dos princípios norteadores do MHMQB, que estabelece as organizações da nossa classe como aliança de centro e um calendário de lutas para o primeiro semestre de 2010. O Quilombo Urbano agradece do fundo dos nossos “corações destemidos” todas as organizações do Quilombo Brasil e simpatizantes que estiveram conosco nesses valorosos dias de aprendizado. Agradecemos também a todas as organizações do movimento sindical e social que, direta ou indiretamente, contribuíram para que cada um desses momentos se tornasse realidade.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

POSSE LIBERDADE SEM FRONTEIRAS: cuidar das crianças da periferia para enfrentar os adultos da burguesia

Ao estilo do Partido dos Panteras Negras, a Posse Liberdade Sem Fronteiras, filiada ao Quilombo Urbano, desenvolveu uma grande atividade voltada para os o dia das crianças na comunidade Floresta no bairro da Liberdade. Muitas das crianças e adolescentes que participaram das atividades fazem parte do projeto “Diversidade e Identidade Étnica no Bairro Liberdade” desenvolvida pela professora do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (IFMA) e militante do PSTU e da CONLUTAS, Claudicéa Durans. Diversas brincadeiras foram realizadas ao longo do dia, regada a música infantil, falações e exibição do filme Kiriku que foi comentado por uma criança pertencente ao referido projeto. Solidariedade e coragem foram dois elementos destacado em seus comentários. Empolgada com o evento uma adolescente afirmou que “mesmo com toda a violência, eu amo esse bairro eu não troco ele por nada nesse mundo”. O Professor Ribamar Durans Filho fez uma bela fala lembrando aos pais daquelas crianças de que era preciso cuidar da infância do bairro, pois apesar deles (a mídia) mostrar só violência, nós sabemos que aqui é um dos bairros mais rico culturalmente do nosso estado, mas que era preciso pressionar os governos a investir em políticas publicas no bairro . Muitos moradores contribuíram, inclusive financeiramente, para que tudo acontecesse da melhor forma possível, sem ONG e sem governo. Foi um dia de “liberdade” que fez lembrar os dias de luta por liberdade do Partido dos Panteras Negras nos Estados Unidos, quando seus membros davam uma atenção toda especial para as crianças das comunidades que estavam sobre seus cuidados. Os militantes da Posse Liberdade Sem Fronteira, especialmente Sonianke e Preta Nicinha, estão de parabéns pela iniciativa, assim como a CONLUTAS que teve vários militantes de outros bairros presentes nesse grande momento. Essa atividade é parte da programação de preparação para a realização da IV Marcha da Periferia "Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia" prevista para acontecer no dia 20 de novembro do corrente ano. A burguesia que se cuide, pois se depender desses lutadores uma nova geração de revolucionários será plantada no coração do bairro mais criminalizado do estado Maranhão.
"NEM GUERRA ENTRE OS POBRES, NEM PAZ ENTRE AS CLASSES"

domingo, 30 de agosto de 2009

Uma semana para ficar na memória da cultura carioca*

O Haiti é aqui? O Haiti não é aqui?
No mesmo dia da realização da audiência pública que debateu o Funk como cultura e referendou um ano de lutas da APAFUNK, outro evento, realizado na caída da noite, também é digno de entrar para história das manifestações culturais do rio de janeiro: o hip-hop pela retirada das tropas brasileira do Haiti, organizado pelo coletivo Lutarmada de Hip-Hop.
O papel cumprido pelas tropas "da paz" no Haiti, depois de 5 anos de ocupação, não escondem atrás do nome a sua verdadeira missão: controle e gestão da miséria e genocídio e extermínio do povo negro. Não à toa, os soldados brasileiros lá treinados vem continuar seu combate aqui na guerra desinfreada do governo do estado do rio de janeiro contra as comunidades. E não à toa, por óbvio, os mesmos nomes para mascarar os acontecimentos: "paz, pacificação e pacificador".
Entre a apresentação dos rappers, falas dos companheiros e companheiras de luta, vídeos e batalha de b-boys e b-girls marcaram a emoção da atividade. O reconhecimento implícito da mesma dor e da mesma realidade que além mar assola todos os países de maioria inegavelmente negra, custurou todas as falas e alinhavou o evento. Lágrimas de sangue, uma das últimas músicas cantadas, marcou essa compreensão.
Para quem acompanha ou acompanhava o movimento hip-hop do Rio de Janeiro, muito emoção e felicidade ficaram nítidas. Um hip-hop combativo, altamente engajado e militante, com fortíssima qualidade musical estava alí expresso. B Negão relatou, por exemplo, as várias emoções que teve durante a atividade e como foi aquele discurso que o trouxe para o movimento hip-hop, antes de vários de sua geração se perderem pelos caminhos do mercado.
Lembrando Zumbi, Dandara, Lamarca e Guevara, Delirio Black, também do coletivo Lutarmada de Hip-Hop, homenageou todos os que transformaram sua vida em luta. E relembrou a necessidade, mais que óbvia diante daquele encontro, de lutar: "se a nossa morte foi declarada, vamos lutar e viver todos os dias com dignidade".
Essas vozes, de certo, foram escutadas no Haiti. Pois não são diferentes - e por isso o recrudescimento do extermínio e do genocídio - de todo o povo que resiste em toda a parte do mundo, seja na áfrica, no caribe ou na américa latina, por outra forma e vida e de sociedade. São as vozes daquele que não se calam e cantam e dançam a necessidade de liberdade: "Liberdade, palavra que o sonho humano alimenta: não há ninguém que explique, não há ninguém que não entenda".

* Isabel Mansur - para Gaspa, Wesley e todos os companheiros e companheiras que lutam, sonham e cantam.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

CUFA, LULA E GLOBO: TUDO A VER.... NA OCUPAÇÃO IMPERIALISTA DO HAITI.

Após uma revolta escrava ocorrida no final do século XVIII, o povo preto haitiano, escravizado pelo colonizador francês e seus descendentes, conseguiu libertar-se. Os brancos que sobreviveram a essa rebelião foram obrigados a fugir para a França que, em 1804, reconheceu a independência daquele país.
O exemplo de uma nação emancipada em decorrência de uma rebelião da classe subalterna não poderia se espalhar pelo resto da América, que ainda vivia sob o sistema escravista. Desde então, esse pequeno país da América Central, é vítima de ataques constantes, velados ou declarados, dos países imperialistas, principalmente dos EUA, até os dias atuais.
Com uma população vivendo na miséria, o povo do Haiti se revoltou em defesa de sua sobrevivência, foi às ruas em grandes protestos, saques, fazendo até greves gerais. No início de 2004, aconteceu uma intervenção do governo dos Estados Unidos, forçando o então presidente (Aristide) a renunciar e deixar o país. O fato de o governo Lula está interessado em ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU faz com que esteja pronto a atender qualquer pedido desta organização. E se aproveitando disso, a ONU pede para que o Brasil envie tropas para sufocar a revolta popular.
Em 2005 a SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), sob o comando da então ministra Matilde Ribeiro – aquela que gastou R$ 171.000 do nosso dinheiro em futilidades como salão de beleza, free-shoop, entre outras – convidou organizações de Hip Hop de integridade negociável para preparar em conjunto a Campanha Pense no Haiti, Zele pelo Haiti, com shows, seminários e arrecadação de material escolar. Os grupos de Hip Hop comprometidos com a luta dos povos oprimidos entenderam que essa campanha, assim como o jogo da seleção brasileira de futebol, pretendia maquiar o verdadeiro caráter da invasão - chamada de Força de Estabilização. Não vemos verdade nas intenções pacificadoras de uma Organização das Nações Unidas que permitiram a invasão do Iraque pelos EUA, e apesar dos apelos, se negou a enviar suas tropas para Ruanda, permitindo os Htus matarem 800.000 tutsis em 100 dias (8.000 assassinatos por dia).
No momento em que uma delegação haitiana viaja o Brasil, estado por estado, para denunciar as atrocidades cometidas pelas forças de ocupação da ONU, lideradas pelos militares brasileiros, o rapper MV Bill apareceu no Domingão do Faustão propagando as “benesses” da invasão militar naquele país. A aparição super-anunciada de MV Bill no Faustão, no dia 12/07, foi simplesmente desastrosa. MV Bill defende a ocupação militar do Haiti! Para ele as criancinhas do Haiti ficam alegres quando vêem as tropas de ocupação! Sabemos que MV Bill não é tolo, não é desinformado, talvez mal intencionado, pois para a Globo ele é hoje um grande líder político. Aliás, ele muito bem sabe quem é a Globo, aquela emissora que “mostra os pretos chibatados pelas costas”, conforme expressa uma de suas antigas músicas. Mas os pretos do Haiti também são pretos, são pobres, são favelados, e são chibatados pelas costas. MV Bill negou a existência de grupos de rap no Haiti dizendo que não os encontrou por que o país é muito pobre. Mas o rap não é a música da favela? De certo MV Bill teve que negar o rap haitiano tal como a Globo há muito tempo tenta ofuscar o contestador rap brasileiro. Para essa emissora os maiores artistas do rap sempre foram Gabriel o Pensador, Marcelo D2 e agora MV Bill. Quem não lembra que antes de MV Bill aderir a Globo, essa emissora o perseguiu acintosamente? Disseram, no Jornal da Globo, que o clipe “Soldado do Morro” era só “ Armas, Drogas e música mal feita”. Mas num passe de mágica “global” MV Bill passou de “bandido musical” ao bom menino, da boa música, parceirão da compromissada Rede Globo, via “Criança Esperança”. Para obter esse status global MV Bill teve que se desculpar sobre as criticas outrora feitas ao “Criança Esperança” e à própria emissora. . Em seu Site MV Bill e a CUFA também dizem-se favoráveis a ocupação dos morros cariocas pelo B.O.P.E. com algumas ressalvas. Já há alguns dias a Cidade de Deus, tão cantada por MV Bill, está ocupada pela PM, que, de acordo com relatos de moradores, tem lançado mão de práticas autoritárias como proibir que jovens circulem pela favela com cabelos pintados de amarelo, entrarem em algumas casas e abaixarem os volumes dos aparelhos de som, vasculharem aparelhos de MP3 para ver se encontram algum Funk, a musica proibida pelas autoridades fluminenses. E desde então, nenhuma declaração do nosso “herói”, pelo menos em meios de grande repercussão, como num Domingão do Faustão.
Tudo isso demonstra que a CUFA é hoje um braço do Estado e da burguesia na favela. Sua parceria com organismos imperialistas como o Consulado dos EUA e o Banco Mundial não é à toa. Eles, juntos com outras entidades e empresas financiaram golpes e mais golpes militares na América Latina, ao mesmo tempo em que financiava também movimentos sociais pró-imperialistas. No Maranhão a CUFA encabeçou um Encontro de Hip Hop tirado da cartola pelo governo para se contrapor as atividades da Marcha da Periferia organizada pelo Quilombo Urbano (ver Governo e CUFA versus 3ª Marcha da Periferia) e na Cidade de Caxias se juntou a TV Difusora ligada ao grupo do senador Edson Lobão para organizar uma batalha de break no mesmo dia em que o grupo Ministério das Favelas (MINFA) realizaria a sua tradição batalha break, já em sua sexta edição. A batalha organizada pelo MINFA trazia como tema “Negro Cosme” o herói da revolta da balaiada. Na semana seguinte a essas atividades a prefeitura desta cidade mandou confeccionar uma cartilha exaltando Duque de Caxias, assassino de Negro Cosme. O apresentador da Batalha da Difusora, era o coordenador da CUFA-MA , conhecido como Billy.
“Se amanhã uma guerra estourar sei que lado vou estar” dizia em uma das músicas o MV Bill pré-global. Mas a guerra estourou no Haiti, nos morros do Rio de Janeiros, nas periferias brasileiras, o governo Lula criou a Força de Segurança Nacional paralelo a invasão do Haiti, e de que lado MV Bill ficou? Do mesmo lado que o mestiço Domingo Jorge Velho – o assassino de Zumbi - ficou quando a revolta negra estourava nas senzalas resultando em construções de quilombos. Claro que a CUFA não vai pegar em armas para assassinar os pretos com fazia os capitães do mato, ela apenas legitima os assassinos de nossa gente. Quando lançou o vídeo Falcões Menino do Trafico, que não mostra que são os grandes traficantes, a Globo elogiou e anunciou: comprem! Comprem! E logo em seguida lançou uma infinidade de programas que apresenta ela, a Globo, salvando vidas de crianças pobres e pretas, divulgando artistas pobres e pretos, a exemplo do programa Central da Periferia, enquanto por outro lado detonava com a política de cotas e exigia que os governos diminuíssem seus gastos sociais. MV Bill legitima a Globo e as forças imperialistas como única via de salvação dos favelados, quando são eles na verdade os responsáveis pelas condições de existência das favelas que cresce assustadoramente em todo o mundo. MV Bill e a CUFA “tá junto e misturado” com a burguesia, então não serve pra favela!
De nosso lado, estamos dispostos a cooperar com qualquer iniciativa de solidariedade ao povo haitiano, desde que ela respeite a sua luta, a sua auto-determinação. Não caímos no engodo de que as tropas brasileiras lá estão para controlar a desenfreada violência das gangues marginais locais. Para isso basta entendermos que todo individuo ou grupo que luta contra uma classe dominante está sujeito a esses rótulos desqualificantes como no caso das FARC - taxada de quadrilha de traficantes – ou mesmo nossos heróis e heroínas que deram suas vidas lutando contra a ditadura civil-militar brasileira, mas que as autoridades e as grandes corporações de comunicação à eles se referiam como assaltantes, seqüestradores e terroristas.
Nós pensamos no Haiti e defendemos que zelar pelo Haiti é, também, através da nossa arte, gritarmos pela retirada das tropas brasileiras daquele país. E por esse manifesto, convidamos grupos, posses, crews, organizações, B. Boys/Girls, graffiteiros/as, MCs e DJs para, juntos, construirmos uma campanha de mobilização para exigir do governo brasileiro a desocupação do Haiti, retirando já o seu exército de lá.
Todo apoio a resistência do povo pobre do Haiti !
Fora as Tropas de ocupação!!!!!
Movimento Hip Hop Militante "Quilombo Brasil"

terça-feira, 7 de julho de 2009

MHMQB: Orgulho de ser periferia, Orgulho de ser Independente, orgulho de ser revolucionário!

Em meio à crise de legitimidade em que a maioria das ONG de Hip Hop governista se encontra nasce uma alternativa que para muitos parecia improvável. Lançado embrionariamente em novembro de 2008 no Maranhão durante as atividades da 3ª Marcha da Periferia, o Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil (MHMQB) em apenas oito meses de existência tem recebido adesões de organizações de Hip Hop de diversos estados do Brasil (MA, CE, RJ, GO, SP, PI, RGS, etc), além de militantes independentes e de torcidas organizadas de time de futebol.
Em busca de estruturar seus coordenadores, o Hip Hop governista entrou num mar de lama nunca visto antes com parcerias com instituições assassinas como o Banco Mundial que massacra os povos do terceiro mundo, Rede Globo, partidos neoliberais (do PT ao PSDB), até com a polícia existe projetinho faz de conta. Enquanto isso a juventude negra ver seus sonhos mergulhados no mar de sangue da periferia. Muita gente foi para casa decepcionado com tanta sujeira envolvendo um dos mais autênticos e radicalizados movimentos político e cultural que a juventude negra viu nascer desde os quilombos, mas outros mantiveram-se firmes, resistindo aos assédios da mídia, dos telefonemas com ofertas de emprego em algumas dessas ONG , as calúnias e até ironia de que “trabalho de formiga não rende”. Erraram por julgar as formigas pelo tamanho e não pela coletividade de suas ações. Valeu apenas resistir, estamos orgulhosos de ver o MHM Quilombo Brasil caminhando na contramão daqueles que ajudaram a lavar as mãos sujas de sangue dos “Pilatos” assassinos de nossa gente.
O Hip Hop brasileiro começa a reencontrar-se consigo mesmo e com sua honrosa história de resistência. Uma iniciativa do MHMQB que tem recebido apoio de dezenas de movimentos sociais pelo Brasil é a campanha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia” que denuncia o genocídio negro resultante desses conflitos, a criminalização da pobreza e propõe uma reação organizativa da periferia contra os poderosos. Do mesmo modo nos dias 19, 20 e 21 de novembro deste ano o MHMQB estará promovendo um grande encontro no Maranhão com suas organizações e seus simpatizantes. O objetivo central desse encontro, além da fundação oficial do MHMQB, é desencandear uma reação em cadeia da juventude negra e pobre contra o racismo, o capitalismo e seus representantes. Mas isso só será possível se esse crescimento do MHMQB for multiplicado tantas outras vezes, se em cada canto deste país estiver um hip hop quilombola organizado A história provou que o Hip Hop governista é um projeto fracassado, servindo apenas para encher o bolso de alguns a custa da ilusão da maioria. Por isso chamamos você que acredita na força da periferia organizada, que acredita na autonomia dos favelados, que acredita que a revolução só poderá ser edificada com as mãos dos oprimidos e não de mãos dadas com os opressores, a vir construir conosco essa ferramenta de luta e organização política e cultural da periferia que é o MHMQB.

NEM GUERRA ENTRE OS POBRES NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

MOVIMENTO HIP HOP MILITANTE - QUILOMBO BRASIL

APÓIA A CONSTRUÇÃO DO CONGRESSO NACIONAL DOS ESTUDANTES.
UNE/UBES NÃO FALAM EM NOME DA JUVENTUDE DA PERIFERIA!

Durante o último Fórum Social Mundial, em Belém, foi fundado o Movimento Hip Hop Militante – Quilombo Brasil, hoje, integrado pelas seguintes organizações: Quilombo Urbano – MA, (São Luiz - MA), Ministério das Favelas ( Caxias-MA) Coletivo Lutarmada (Rio de Janeiro - RJ), Resistência Cangaço Urbano (Fortaleza-Ce), Atividade Interna (Teresina – PI)
Militante porque somos “muito mais do que artistas”. Somos revolucionários e expressamos através do rap, do break e do grafite a nossa fúria contra as amarras do capital, a nossa sede de liberdade e de justiça para o povo da periferia.
Militante porque não somos governistas. Porque nos opomos frontalmente ao Hip Hop impostor, traidor da favela, aos mercenários da cultura Black que, do interior das ONG`s, tentam domesticar o maior instrumento de luta do povo preto e pobre deste País desde os Quilombos.
Essas ovelhas brancas da raça, esses fãs de canalha, liderados pela podre Central Única das Favelas – CUFA – de MV BILL, realizam “inocentes” parcerias com os carrascos capitalistas que promovem um cotidiano genocídio contra a etnia negra. A começar pelo governo Lula, o “cara” que enviou as “tropas de paz” para exterminar o povo negro do Haiti e que aguarda ordens da ONU para mandar seus cães adestrados para Guiné-Bissau, na Mãe África!
Militante porque somos classistas e não negamos a nossa herança negra, guerreira e indomável, o nosso sangue de Zumbi, Dandara, Malcolm X e Anastácia. Não negociamos a liberdade!
Sendo assim, o Movimento Hip Hop Militante – Quilombo Brasil declara que a UNE/UBES não falam em nome da juventude que habita as periferias brasileiras. Por conta de seu governismo sem vergonha, por conta de sua burocracia gangster, por conta de suas calças arriadas para o capital afirmamos que, para nós, essas entidades estão moribundas e fedorentas. Queremos ser parte da pá de cal que sepultará estes cadáveres, já algum tempo, mortos para luta, já que passaram para o outro lado das barricadas, para o lado das reitorias/diretorias, dos governos e empresários, enfim, da polícia. Cuspimos em seu caixão!
Portanto, apoiamos a construção do Congresso Nacional dos Estudantes, ambicionando unificar e organizar as lutas nacionalmente. Para nós, isso é urgente! Os atuais ataques como os aumentos nas tarifas do transporte público e a limitação da meia cultural, além de serem reflexos da crise econômica da burguesia que tenta jogá-la nas costas da juventude, estão a serviço da transformação das periferias em campos de concentração.
Esse holocausto urbano se dá pela impossibilidade de visitar outros pontos da cidade, pelo acirramento da guerra interna na favela e, principalmente, pelas políticas de segurança e suas polícias exterminadoras que recebem o apoio explícito da UNE/UBES como, por exemplo, a Ronda do Quarteirão em Fortaleza.
“Terra de preto não é gueto, terra de preto é quilombo”! Clamamos a todos os estudantes, a toda juventude da periferia e a todos os militantes do Hip Hop que construam o CNE e contribuam política e culturalmente com o encontro.
Que a juventude favelada seja sim a chama da rebeldia, e que siga firme nos marcos da aliança operária - estudantil. Que a favela se incorpore no CNE com o programa da classe trabalhadora, já que é essa a classe que habita as quebradas.
Vamos à luta a todos os guerreiros e guerreiras que abandonam a velha roupa azul e optam pelo novo, um novo bem vermelho! Todos em frente, vamos ao ataque!
Saudações quilombolas

quarta-feira, 8 de abril de 2009

FEIJOADA, HIP HOP E POLITIZAÇÃO

No último domingo, dia 05 de abril, a posse Comunas de Palmares realizou uma feijoada com direito a um belíssimo show do grupo Q.I. Engatilhado. Preta Lú, P.R.C. JB, Mano Magrão, DJ Ras Mauro e Diogo mandaram ver nas rimas e nas idéias. O show foi muito empolgante e reuniu jovens pertencentes a duas quebradas envolvidas no processo de “guerra interna” (Rua da Vala e Calçadão) do bairro João Paulo. Foi pensando em intervir nessa guerra que a posse Comunas de Palmares também estará realizando mais uma etapa do projeto “Periferia Urgente” nos dias 25 e 26 de abril no calçadão. Em novembro do ano passado essa atividade foi realizada na Rua da Vala. Além do caráter cultural e político da feijoada e do show do Q.I. Engatilhado, a atividade foi realizada também com o objetivo de arrecadar finanças para a realização do Periferia Urgente. Aproveitando a oportunidade Preta Nicinha da posse Liberdade Sem Fronteira circulou um livro de ouro pedindo contribuição para que uma delegação de militantes do Quilombo Urbano se desloque até Caxias para fortalecer a Batalha de B.boy que acontecerá naquela cidade no dia 18 de abril. É isso aí , Hip Hop revolucionário se faz com autonomia política, mas para isso é preciso ter independência financeira.

sexta-feira, 27 de março de 2009

REUNIÃO EM TERESINA-PI AVANÇA NA CONSOLIDAÇÃO NACIONAL DO MHM QUILOMBO BRASIL

Depois de duas reuniões, uma em São Luís no mês de novembro de 2008 e outra em Belém em janeiro de 2009 durante a realização do FSM, foi a vez do Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil (MHMQB) se reunir em Teresina-PI no dia 21 de março aproveitando o show de lançamento dos CD´s dos grupos de rap Gíria Vermelha-MA e Reviravolta-CE. O resultado dessa reunião não poderia ter sido melhor. Com um altíssimo nível de discussão, tratando desde questões como a crise mundial do capitalismo até o lançamento da campanha pelo “Fim da Guerra Interna”, o MHMQB vem se firmando de fato como uma importante alternativa revolucionária de Hip Hop para a periferia. Estiveram presentes grupos e movimentos como o Ministério das Favelas de Caxias,-MA, Quilombo Urbano-MA, Atividade Interna-PI, Reviravolta-CE, Coletivo Lutarmada-RJ, que encaminharam os principais pontos para construção de um programa político e cultural para o MHMQB, seu Estatuto e um plano de ações para o primeiro semestre de 2009. Estiveram presentes também representantes de torcidas organizadas do Ceará e Piauí, visto que o MHMQB pretende também envolver essas organizações na campanha “Pelo Fim da Guerra Interna”. A próxima reunião acontecerá em Junho no Rio de Janeiro-RJ para encaminhar algumas questões que ficaram pendentes. Muito mais do que o esperado, o MHMQB tem amplas possibilidades de crescimento tendo em vista a abertura de discussões com organizações de Goiana, Belém e São Paulo. Um grande encontro deverá acontecer em São Luís-MA no mês de novembro durante as comemorações de 20 anos de Quilombo Urbano que terá como principais atividades o 20º Festival de Hip Hop e 4ª Marcha da Periferia que esse ano traz como tema “Pelo Fim da Guerra Interna” . Em breve o MHMQB estará divulgando suas principais bandeiras políticas e culturais para periferia.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

PASSA A BOLA JOGADOR QUE O SONHO ESTÁ VIRANDO REALIDADE: NASCE O MHM QUILOMBO BRASIL




Foi realizada no dia 30 de fevereiro na cidade de Belém durante e paralelo ao Fórum Social Mundial, a plenária para fundação do Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil. A referida plenária reuniu dezenas de militantes dos estados do Maranhão com @s man@s do Quilombo Urbano, do Ceará representado pelo grupo Reviravolta e militantes independentes do Pará. A plenária foi extremamente produtiva reafirmando todas as deliberações do encontro acontecido no Maranhão durante a realização da 3ª Marcha da Periferia. Ao final ficou acertada uma nova reunião nos dias 19 e 20 de Março na cidade de Teresina-PI.
Foi encaminhado ainda o lançamento da campanha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia”, intensificar as denúncias contra a ocupação das tropas brasileiras no Haiti e o massacre do Estado racista de Israel contra o povo palestino na Faixa de Gaza. Diversas outras organizações como o coletivo Luta Armada do Rio de Janeiro e Ministério das Favelas de Caxias-MA provavelmente estarão presentes. O objetivo central desta reunião é encaminhar estatuto, programa político e um plano nacional de ações para o Quilombo Brasil junto a periferia ano de 2009. No encerramento desta reunião teremos o lançamento dos CD’s do Gíria Vermelha e do grupo Reviravolta do Ceará, além de diversas outras participações como Aliado da CX , Atividade Interna e do grupo de dança de rua ENIGMA. MHM Quilombo Brasil é sonho que se junto na trincheira da favela, então vem sonhar com nóis é o apelo é o convite!!!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O QUE OS NEGROS BRASILEIROS TÊM A HAVER COM OS PALESTINOS NA FAIXA DE GAZA ?

“Eu vejo o passado enraizado no presente” (Gíria Vermelha)

No dia 21 de dezembro mais dois militantes do Movimento Hip Hop “Quilombo Urbano” foram espancados pela polícia de Jackson Lago, com esse sobe para oito o número de militantes dessa organização vítima do Estado policial deste governo. Três dias depois (24 de dezembro), Israel iniciou uma das mais sangrentas ofensiva contra o povo palestino na Faixa de GAZA. Contudo, as coincidências não param ai.
Os negros, desde a época da escravidão, vêm resistindo bravamente às diversas formas de extermínios praticados pelos capitalistas. Organizaram fugas, insurreições, revoltas, quilombos, capoeira, Hip Hop, etc. Após a falsa abolição alguns intelectuais racistas, como Oliveira Viana, previam que os negros desapareciam em menos de 50 anos. Não foi fácil, mas resistimos.
Do mesmo modo, os Palestinos tem resistido na Faixa de Gaza ao massacre do Estado de Israel. No final do século XIX a burguesia petrolífera judaica, em meio a uma grande crise capitalista, resolveu incentivar a imigração de trabalhadores judeus para Oriente, sob a alegação de retorno a “terra prometida” conforme consta na bíblia. Desde então o Estado de Israel, que possui um dos exércitos mais poderosos do mundo, tem exterminado, aos olhos do mundo, o povo palestino. Tudo isso, com o apoio do imperialismo Inglês e depois dos Estados Unidos. Tal como os negros, os palestinos tem resistido bravamente com mobilizações, greves, guerrilhas, homens bombas, etc.
Enquanto os negros foram arrancados da África para serem massacrados em solo brasileiro, os palestinos estão sendo massacrados em seu próprio solo. Cinicamente, os Estados Unidos, que arma Israel até os dentes, exige que o povo palestino entregue seu precário armamento.
Se no Brasil colonial as elites da época tentaram fazer de tudo para destruir os quilombos, pois representavam ameaças ao regime escravista e uma forma de organização social igualitária, o incentivo a criação do Estado racista de Israel tem também dois objetivos bem parecidos: 1- Afastar os trabalhadores judeus da influência do pensamento socialista que crescia pela Europa principalmente depois a Revolução Russa. 2- Controlar uma das regiões mais rica do mundo em recursos naturais, que é o Oriente Médio.
Entretanto, essa mesma burguesia judaica se negou a ajudar os judeus que morriam nos campos de concentração nazista. Na verdade a construção do Estado de Israel em 1948 no oriente médio e o massacre e a expulsão de mais de 70% da população árabe da região da palestina nada tem de religioso, é puramente imperialista. Não foi atoa que o grupo judeu e petrolífero Rothschild foi um dos principais incentivadores da criação do Estado de Israel.
Por outro lado, os métodos que os Nazistas utilizaram para exterminar milhões de judeus na Europa são bastante parecidos com o que à burguesia judaica utiliza para massacrar o povo palestino. Quando os judeus reagiam aos ataques nazistas eram taxados de subversivos e trucidados como animais. Hoje, Israel utiliza inclusive câmera de gás e quando os palestinos reagem são taxados de terroristas radicais, assim como os negros mortos pela polícia nos morros cariocas são sempre “traficantes”.
Durante muito tempo os governos de todo o mundo se limitaram a condenar verbalmente os excessos de Hitler até que a segunda guerra mundial se tornou inevitável. Hoje governos como o de Lula, se limita a condenar excessos de Israel. Diferente do que dizem o que existe de fato é o extermínio do povo palestino que desde o dia 24 já teve quase mil mortos, principalmente mulheres e crianças, enquanto do lado de Israel esse número não chega a 15.

Solidariedade de Classe e de Raça: A atualidade de Marx e Zumbi.
Quando Marx finaliza o Manifesto comunista conclamando “proletários de todo o mundo Uni-vos”, é por que sabia da necessidade de solidariedade entre trabalhadores de todo o mundo para derrotar a burguesia mundial e destruir o modo de produção capitalista. Felizmente, jovens, desempregados e trabalhadores de todo o mundo tem organizado manifestações massivas em defesa do povo palestino e contra o Estado de Israel, de fato Marx tinha razão.
Zumbi dos Palmares, por sua vez, se negou a negociar com a elite escravocrata da época, chegou inclusive a matar Ganga Zumba que defendida o contrário. Do mesmo modo, enganam-se ou mentem aqueles que acreditam que a pele negra de Barak Obama o fará menos assassino do que Bush. Condolesa Rice, por exemplo, tem dado inúmeras declarações criminlizando o povo palestino e a favor de Israel, do mesmo modo que defendeu a invasão do Iraque e do Afeganistão. Por outro lado diversos trabalhadores de Israel estão se opondo ao genocídio em Gaza e se negando a servir o exercito racista de seu país.
O exemplo a ser seguido é o dos Quilombos que reunia negros, índios, mestiços e brancos pobres na luta contra a escravidão e contra todos os seus representantes, independente da cor de suas peles. Façamos então a fusão Marx-Zumbi por um mundo socialista.

PROLETARIOS DE TODAS AS RAÇAS DO MUNDO, UNI-VOS CONTRA O RACISMO E O CAPITALISMO.