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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

POR QUE A ESQUERDA SOCIALISTA E OS MOVIMENTOS SOCIAIS COMBATIVOS DEVEM MARCHAR COM A PERIFERIA

Hertz Dias

Militante do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano- filiado a CSP-CONLUTAS

Politicamente falando a periferia possui, para parte da esquerda brasileira, o mesmo significado espacial que tem para muitos geógrafos e sociólogos, um lugar distante do centro, distante da pólis, distante do eixo das decisões políticas, um lugar sem peso político significativo, portanto desinteressante para o processo de (re) organização da classe trabalhadora. Esse, infelizmente, é o pensamento hegemônico entre nós, um pensamento que homogeneíza a periferia: lá todos são iguais, despolitizados e corruptíveis, então melhor manter distância.

Muito desse olhar é decorrente do ranço economicista e pequeno burguês que infla certa estratégia politicamente equivocada de enfrentamento ao capital: por excelência os meios de produção são o coração do capital; contudo, uma verdade pouco considerada é que o coração não é o seu único órgão vital.

Desde quando a consciência da burguesia alcançou o patamar de classe para si, seu objetivo estratégico sempre foi a tomada do poder para destravar o processo de expansão do capital e consolidar o seu modelo de sociabilidade. Para isso pegaram em armas e armaram o Povo. Hoje o objetivo da classe burguesa é a manutenção de sua reprodução permanente, e para atingir esse escopo tudo é válido, pois em tempos de crise não basta mais só explorar nossa classe, é preciso também exterminar uma parte do seu grosso: para a juventude negra a linha de frente.

O genocídio da juventude negra é política de Estado, do Estado burguês em suas mais diversas facetas, não por que querem, mas por que necessitam. Se o racismo é um trunfo em suas mãos, então por que não usá-lo, ainda que formalmente o condene? É sempre bom lembrar que a burguesia brasileira nasce rasgando a pele da decadente classe escravocrata, conservando, no entanto, ossos, carnes e músculos. Por isso o Brasil, um dos países mais racistas do mundo, foi durante muito tempo apresentado ao mundo como portador da mais perfeita democracia racial. A ideologia racista ressignificada no pós-abolição pela inteligentzia burguesa brasileira contaminou muitos setores importantes da esquerda no país. Em razão disso, durante muito tempo falar em luta contra o racismo no Brasil era considerado um pecado anacrônico, tanto pelas elites quanto pela esquerda. O racismo brasileiro passava a ser visto como uma invenção dos Movimentos Negros. Muito disso foi preservado ao longo dos anos.

Há sim esforços de uma parte ainda minoritária da esquerda em negritudizar a luta pelo socialismo, não por ser charmoso lutar contra o racismo, muito menos em razão de um piegas sentimento humanitário, mas movidos por uma necessidade igualmente revolucionária. Acontece que uma causa dessa envergadura não pode ter uma importância minúscula. No Brasil, o racismo e o capitalismo devem ser tratados com irmãos gêmeos; aliás, gêmeos e genocidas. A MARCHA DA PERIFERIA nasce dessa compreensão.

Em 2006 um grupo de jovens ligados a uma histórica organização de Hip Hop de São Luís do Maranhão, o Quilombo Urbano, resolveram construir as marchas da periferia no intuito de ampliar o diálogo político com os moradores desses bairros pobres, negros e criminalizados, especialmente com a sua juventude. Para a construção das Marchas foi criado o Comitê Pró-Periferia, formado por toda e qualquer entidade que se identifique com o propósito.

Essa iniciativa foi decorrente da percepção de que há uma política deliberada e sistematizada por parte dos detentores do Estado de empurrar a juventude negra para as trincheiras da guerra interna na periferia. Hoje a Guerra Interna é uma necessidade política da direita para controlar socialmente o setor mais explorado e oprimido da classe trabalhadora, é uma guerra da classe na classe, é uma guerra politicamente horizontal; enfim, a guerra interna é uma guerra autofágica.

Diante disso, a Marcha da Periferia surge como pólo contra-hegemônico a esse processo. Em cada atividade construída nos bairros, visando sua realização na semana da consciência negra, há um esforço permanente de buscar a unidade de classe e de raça na consciência desses jovens. Os resultados dessa ação política têm sido fantásticos, porém uma solidão aguda ainda nos toca.

A Marcha da Periferia não se constitui ainda em um movimento de massa, reúne em torno de 500 a 800 pessoas, o que, diante de uma conjuntura de remotos movimentos de enfrentamento contra o Estado burguês, não deixa de ser uma iniciativa plausível. Por isso mesmo a ausência de muitos sindicatos, movimentos e do setor majoritário daqueles que se reivindicam como da esquerda socialista nessa brilhante experiência, única em nível de Brasil, é de saltar aos olhos.

Não sabemos se isso se dá em função da composição étnica dos que marcham, se pelo fato da iniciativa ser de uma organização de Hip Hop (visão culturalista), se por que a maioria dos que marcham não podem fazer greve, pois tem sua força de trabalho rejeitada pelos capitalistas ou ainda simplesmente por ser da periferia, lugar marcado pela violência. O certo é que entre mil desculpas, nenhum convencimento. Felizmente, sem muito apoio político e financeiro a periferia ousa continuar marchando contra o racismo e o capital.

SE A MONTANHA NÃO VAI ATÉ MAOMÉ...


Lênin lembrava que às vezes a consciência das massas poderia avançar para além do que a vanguarda imaginava, afinal, consciências não são mensuráveis. Em sua 5ª edição a Marcha da Periferia ganha novos e forte aliados. O tema escolhido para 2010 foi acertadamente “Reforma Urbana Já”. Essa temática coincidiu com uma conjuntura de enfretamento de diversas comunidades do Maranhão e do Brasil com o grande capital imobiliário e industrial que, para se apossar de terras e riquezas naturais dessas comunidades arvoram-se no direito de organizar até milícias. O Estado, por seu caráter de classe, tem sido conivente com esses empresários quadrilheiros. Assim, por força da história e das condições dadas, a Marcha da Periferia e a Relatoria de Conflitos Urbanos e Agrários resolveram unificar suas agendas.
                                                                                                           
Dezenas de comunidades da região metropolitana de São Luís estarão presentes na Marcha da Periferia do dia 19 de novembro, caminhando pelo centro comercial até a sede dos governos municipais e estaduais, colocando em pauta suas reivindicações. Por outro lado, as entidades que compõem o Comitê Pró-Periferia, especialmente a CSP CONLUTAS, ANEL e Quilombo Urbano estarão construindo e participando das atividades que ocorrerão nessas comunidades no período de 16 a 18 de novembro. Movimentos de diversos estados do Brasil também estão tentando viabilizar a presença nessas atividades, alguns no intuito de verificar a experiência para construir as Marchas da Periferia em seus estados de origem.

É obvio que não estamos diante de nenhuma luta pela tomada do poder ou para derrubar Roseana Sarney, João Castelo, muito menos Lula ou Dilma, longe disso. Inegável, entretanto, é que para os revolucionários a luta é um campo privilegiado para construção da unidade de classe, para que os trabalhadores e seus filhos reencontrem os caminhos de sua organização política. Setores com características e demandas completamente diferenciadas se encontrarão nessas atividades justamente pela essência da classe a qual pertencem, sabedores ou não disso. A princípio será uma resistência contra a investida brutal do capital nacional e transnacional, mais à frente poderá se transformar em uma contra-ofensiva ao capitalismo. Tudo isso, evidentemente, depende das direções, e nem todas são revolucionárias, algumas inclusive governistas.

A esquerda socialista e os movimentos combativos precisam engrossar as fileiras dessas lutas. Em tempos de ativismo político via internet as ruas solicitam nossa presença. Para além do Quilombo Urbano, para além da periferia, a Marcha da Periferia mais do que nunca é da classe trabalhadora.







sábado, 18 de setembro de 2010

A RESISTÊNCI A URBANA – Frente Nacional de Movimentos faz um alerta aos trabalhadores brasileiros sobre o avanço de uma política de despejos e de uma ofensiva do capital imobiliário nas metrópoles do país. O cenário que está sendo montado é de uma verdadeira operação de guerra contra os moradores de favelas, comunidades periféricas e os trabalhadores informais, em nome do “crescimento econômico” e da preparação do país para a Copa-2014 e Olimpíadas-2016. Os governos federal, estaduais e municipais prepararam seus planejamentos – em muitos casos, já em execução – para obras de grande impacto, que representam uma Contra-Reforma Urbana no Brasil, pela forma autoritária e excludente com que estes programas afetarão os trabalhadores urbanos (principalmente através de despejos e remoções em massa) e pela lógica de cidade que trazem consigo. Por isso, e contra isso, lançamos uma Campanha Nacional contra os Despejos.


I. A ofensiva do capital imobiliário

Há anos temos assistido a uma intensificação dos ataques aos moradores de favelas, periferias e subúrbios nas grandes cidades brasileiras. A forma desses ataques tem sido a realização de despejos e remoções de milhares de famílias, associada a novos empreendimentos imobiliários e a obras públicas. Os trabalhadores – especialmente os mais pobres – são expulsos para regiões cada vez mais distantes dos centros, para que as áreas urbanas com maior infra-estrutura e mais valorizadas possam abrigar novas obras e terem uma valorização ainda maior. Trata-se de uma política de “limpeza social”, onde as zonas urbanas de maior interesse econômico devem ficar livres dos pobres.

O que está por trás deste processo é o fortalecimento, como “nunca antes visto neste país”, do capital imobiliário: as grandes empresas de construção civil, as incorporadoras e os proprietários/especuladores de terra urbana estão em festa. Após a abertura de capital de grandes empreiteiras (a partir de 2006) e de sucessivos presentes do governo, o Programa Minha Casa, Minha Vida (anunciado no início de 2009) coroou a abertura de um período de vacas gordas para este setor do capital. Para que se tenha uma idéia da dimensão desses ganhos basta mencionar 3 fatos: O setor da construção foi quem puxou a alta da Bolsa de Valores de São Paulo no primeiro semestre de 2009, com uma valorização acionária de 87%; além disso, foi o setor que isoladamente mais recebeu do governo nas chamadas “medidas anti-crise”, com R$33 bilhões só através do Minha Casa, Minha Vida, para não citar o PAC; por fim, como pagamento dos bondosos investimentos estatais, o capital imobiliário se destaca como o maior financiador de campanhas eleitorais do Brasil – tendo “bancadas” em todas as instancias parlamentares e inúmeros representantes nos governos. Essas são demonstrações da força deste setor no capitalismo brasileiro e de sua capacidade de determinar a política de desenvolvimento urbano, manejando os governos e desconsiderando os interesses populares.

A aliança perversa entre Estado e capital imobiliário reproduz uma lógica excludente e repressiva de desenvolvimento urbano. Sob a bandeira do “crescimento econômico” passam por cima do que estiver pela frente, em geral comunidades inteiras, historicamente estabelecidas. Naturalmente, as casas derrubadas não são as mansões dos empreiteiros; estas não atrapalham o progresso e as grandes obras. É a lógica do predomínio completo dos interesses privados, da necessidade de aumentar os lucros e de valorizar cada vez mais o solo urbano. O valor do metro quadrado nas metrópoles brasileiras tem crescido numa escala astronômica. Ganham os especuladores, ganham as construtoras, ganham os caixas de campanha. Perdem os trabalhadores. O preço deste “crescimento” são os despejos, o aumento do número de trabalhadores sem-teto e a piora das condições de moradia para os mais pobres.

II. PAC, Copa e Olimpíadas: a contra-reforma urbana

Como se isso não bastasse, a ampliação das obras do PAC (com o anúncio do PAC 2) e as intervenções urbanas planejadas para viabilizar a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016 prometem agravar o problema a níveis catastróficos. Além da construção de estádios e centros esportivos nas cidades-sede, estão previstas uma série de ações nas grandes cidades do país: novas avenidas, ampliação de aeroportos, obras de embelezamento para o turismo, etc. O governo pretende mostrar a todos o Brasil como um país de “primeiro mundo”; e para isso terá que afastar os pobres dos holofotes da mídia internacional e dos turistas.

Não faltam exemplos do que tem ocorrido em situações como esta. Recentemente, na Copa da África, dezenas de milhares de famílias sofreram despejo e estão sobrevivendo em alojamentos precários; além disso, o governo sul-africano criou – por exigência da FIFA – tribunais especiais, para julgar e condenar sumariamente trabalhadores pobres e negros que ousaram atrapalhar a festa. Mesmo em países ricos, como a Espanha (nas Olimpíadas de 1992), os resultados foram negativos aos trabalhadores: os terrenos de Barcelona tiveram uma valorização de mais de 130%, por conta da especulação no período, expulsando os pobres das regiões centrais. Nem precisamos ir tão longe. O Pan-Americano 2007 no Rio de Janeiro foi um momento de terror nas favelas do Rio de Janeiro: vários despejos aconteceram, foram erguidos muros entorno das favelas e ocorreu o Massacre do Complexo do Alemão, com dezenas de pessoas – em geral, jovens e negros da favela – executados pela polícia.

Aí vem a Copa no Brasil! O sonho de muitos brasileiros promete tornar-se um terrível pesadelo. E, para que tudo esteja pronto, as obras começarão em breve, aliás, já estão atrasadas. O número de famílias despejadas no país – e não será só nas cidades-sede – deve chegar à casa das centenas de milhares. Em muitos casos, despejos sem indenização e sem alternativa de moradia. Ou com os ridículos “cheques-despejo”, com um valor que não permite sequer a compra de um barraco numa encosta de morro. Além disso, as medidas de repressão e criminalização da pobreza tendem a se tornar cada vez mais bárbaras nestes próximos anos, consolidando a política de “higienização social”. Várias situações já apontam para isso: as Unidades de Polícia Pacificadora, no Rio de Janeiro; o aumento da repressão a trabalhadores informais (especialmente camelôs) em várias cidades; o impedimento de mo moradores de periferia em freqüentar espaços públicos nos centros, como ocorreu num shopping Center de Curitiba (por ordem judicial!); etc. A ordem é: a cidade para os ricos e turistas, que os pobres fiquem nas periferias!

Quem está sorrindo com isso é o grande capital imobiliário, que deverá se empanturrar com obras faraônicas, financiadas com dinheiro público, e verá seus grandes terrenos valorizarem-se absurdamente. Só para construção de estádios, o BNDES já anunciou um crédito de R$5 bilhões à disposição dos interessados. E outros bilhões virão para os empreiteiros. Para os pobres, despejos e repressão.

III. Construir a resistência

Diante deste cenário, temos uma tarefa imensa pela frente: organizar e unificar uma resistência dos trabalhadores, em escala nacional. Para evitar um verdadeiro massacre, cada tentativa de despejo deve ter uma resposta à altura; cada ataque do capital deve ser seguido de um contra-ataque dos trabalhadores afetados por esta política. Daí, a necessidade urgente de construir e fortalecer a CAMPANHA NACIONAL CONTRA OS DESPEJOS – Minha Casa, Minha Luta.

Para isso, propomos a organização de Comitês em todas as regiões do país, com o objetivo de unificar a luta contra os despejos. Chamamos todos os movimentos populares, associações de moradores, referências comunitárias e setores da sociedade civil comprometidos com a luta contra este massacre para construir conosco esta resistência.

Esta Campanha Nacional deve se estruturar sobre uma Plataforma com os seguintes eixos:

• CONTRA A POLÍTICA DE DESPEJOS E REMOÇÕES. GARANTIA DE MORADIA DIGNA PARA TODOS.

• COMBATE À REPRESSÃO E CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA. PELO DIREITO À VIDA E AO TRABALHO.

• POR UMA POLÍTICA NACIONAL DE DESAPROPRIAÇÕES DE IMÓVEIS VAZIOS E MEDIDAS DE COMBATE À ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA.

• POR UMA POLÍTICA DE CONSTRUÇÃO DE MORADIAS POPULARES, BASEADA NO SUBSÍDIO INTEGRAL, NA QUALIDADE HABITACIONAL E NA GESTÃO DIRETA DOS EMPREENDIMENTOS.

• EM DEFESA DE UMA REFORMA URBANA POPULAR.

           
          RESISTÊNCIA URBANA
FRENTE NACIONAL DE MOVIMENTOS.

domingo, 21 de março de 2010

MORRE DINA DI, ESSA SIM GUERREIRA DE VERDADE


Morreu na madrugada deste sábado, dia 20 de março, uma das mais respeitada artistas do Hip Hop brasileiro, a rapper Dina Di que já tinha lançado seis discos em seus 17 anos de carreira. Diferente da governadora do Maranhão, a Roseana Sarney, que se intitula “guerreira” devido às inúmeras cirurgias a qual foi submetida nos hospitais mais caros do Brasil, a GUERREIRA Dina Di, como era reconhecida no meio do Hip Hop nacional, morreu de infecção hospitalar generalizada em um hospital público de São Paulo durante complicações do parto de sua filhinha Aline. Perde o Hip Hop nacional, perde as mulheres pobres, perde a periferia de um modo geral. Em nossa fortaleza tem uma pedra a menos, e não é uma pedra qualquer, é uma daquelas preciosíssima, em nosso exército tem uma guerreira a menos, e é uma daquelas da linha de frente que não se escondia atrás das suas rimas, pelo contrário, conforme dizia “Meu rap não é feito de meias-palavras/ quem escuta sabe até minha idade, minha personalidade”. Dina Di foi vitima do que ela tanto combatia e denunciava em suas canções, as desigualdades sociais que atinge mais ferozmente as mulheres pobres. Dina Di foi vítima da ineficiência de um sistema público de saúde sucateado propositalmente pelos governos para atender os interesses de meia dúzia de vermes capitalistas que controlam os planos de saúde e os hospitais privados. Dina Di foi mais uma vítima desse jogo sujo. Que sua morte sirva de lição para os inconseqüentes de calças largas do rap nacional, pois NÃO SÃO AS MULHERES DE PERIFERIA QUE DEVEMOS COMBATER EM NOSSAS RIMAS, mas os governos neoliberais que fazem dos hospitais públicos verdadeiros matadouros da população pobre. Que as lágrimas derramadas dos olhos de cada quebrada deste país em nome da guerreira Dina Di possam reanimar nossas energias para que possamos superar o quanto antes esse mundo de coveiros capitalistas. Esteja em um bom lugar GUERREIRA, pois em nossa caminhada você já está eternizada.

Morre Dina Di, grande guerreira do Hip-Hop brasileiro

Um Adeus à Rainha do Rap

P/ Jéssica Balbino
 Com uma vida nada fácil, ela foi a primeira a esmurrar a porta do barraco brasileiro e anunciar as mulheres no Rap. Uma mina de fato, como poucas dentro do Hip-Hop. A atitude e a força na voz a fazem a "Rainha do Rap", eternizada mesmo após a confirmação da sua morte às 23h 30min de sexta-feira (19). Vítima de uma infecção hospitalar após o parto da filha no último dia 2 de março, Dina Di deixou o mundo que nem sempre lhe foi o melhor lugar e partiu. No legado ela deixa o estilo e a rima na ponta da língua.Tinha o rapper na carne e transformava as feridas arrombadas em letras. Dos CDs gravados, ficou conhecida após se apresentar como "a noiva de chuck" e o casamento só aconteceu há pouco tempo. Conheceu o Hip-Hop aos 16 anos e escondida em roupas largas e bonés, apresentou as primeiras rimas, sempre defedendo o universo feminina. Morreu após dar a luz, na maior representação feminina que existe, o parto e o nascimento de um filho. Por ser conhecida, tem a história divulgada. Vítima de mais um sistema de saúde falido no nosso país. Com a visão que tinha da rua, montou um grupo de mesmo nome e gravou três CDs que ganharam os guetos rapidamente. Entre as vozes femininas do Rap, Dina Di foi quem mais levantou a bandeira do movimento.
Vítima do próprio sistema que tenta combater, viveu uma vida literalmente à margem da sociedade. Não teve tempo de amamentar a filha como deveria e nem de vê-la crescer. Deixou mais uma, entre as milhares do Brasil, criança sem mãe neste país que não é pátria. Mesmo sendo quase invisível no sistema que o Hip-Hop combate, ela foi uma denúncia andante, conceituou o Rap na carne. Sempre teve medo de descer do palco e ver a Dina Di morrer. Antes de ir para o hospital, estava agendando shows por todo o Brasil. Não deu tempo de visitar Poços de Caldas.
Antes de se tornar conhecida, perdeu as contas de quantas vezes passou pela Febem desde que fugir de casa, aos 13 anos. O pai de Dina Di era mestre de obras e morreu engasgado com um pedaço de carne num boteco, na periferia. A mãe dela era camelô e foi assassinada dentro de casa, uma morte lenta e dolorosa, ela foi asfixiada com um pedaço de pano que lhe enfiaram na garganta, enquanto estava amarrada com os fios do varal de roupas. Mas, nada disso a impediu de escrever com as vísceras e alma, relatando todas as dores que a perfuram.
Certa vez uma reportagem foi finalizada com a seguinte frase: "(...) diante de milhares de sobras humanas com voz e com raiva, Dina Di e os seus têm chance de não morrer no beco". Que pena que o otimismo não foi o suficiente. Ela morreu antes da hora. Se foi antes do tempo. Não ensinou tudo que podia e nem cantou tudo que queria. Mas, talvez nós, que acompanhamos esta trajetória e sabemos das dores de sermos tachados de trapos humanos consigamos melhorar um pouco a nossa periferia, a nossa volta e não percamos mais mulheres para a saúde falida do nosso país.
Guerreira, vai com Deus, vai em paz! Hoje o Hip-Hop chora: paz, amor, diversão e união a todos irmãos que compartilham a mesma dor desta perda horrível! Rainha, tá doendo muito, viu!
***** A FAMÍLIA HIP-HOP BRASILEIRA PRESTA SUA HOMENAGEM *****

segunda-feira, 8 de março de 2010

QUILOMBO URBANO SE ESPALHA FEITO FORMIGUEIRO PELAS QUEBRADAS DE SÃO LUÍS

Nunca na história no Quilombo Urbano ocorreu uma adesão tão intensa e fascinante a nossa organização. Esse crescimento demonstra que estamos no caminho certo. Só de setembro de 2009 para cá, ou seja, em seis meses percorremos mais de onze quebradas de São Luís (Fé em Deus e Floresta na Liberdade, Areinha, João Paulo, Bequimão, Rio Anil, Novo Angelim, Cidade Olímpica, Vila Embratel, Barés e Ipase de Baixo) isso sem contar os grafites realizados em outros espaços e as atividades realizadas toda sexta-feira no Quilombo Cultural Lagoa Amarela. O resultado disso é que muitos jovens tem solicitado filiar-se ao Quilombo Urbano e a construir posses em suas comunidades. Em razão disso a nossa secretaria de formação política está articulando um grande encontro de dois dias só para essa clientela. O objetivo principal dessa formação é apresentar como o Quilombo Urbano funciona internamente, quais são os nossos propósitos políticos e culturais e um mini-curso sobre como organizar uma posse do Quilombo Urbano em sua quebrada. Que venham as “cigarrinhas” dos governos e os gigolôs de crise da ONGs , pois como diz os lokos do Motim “quem diria, as formigas espalhadas em todo canto/ pondo pra correr o grande elefante branco”

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

LANÇAMENTO DA COLETÂNEA DE 20 ANOS DE QUILOMBO URBANO. Quem reconhece vai!!!!!

LANÇAMENTO DA COLETÂNEA DE 20 ANOS DE QUILOMBO URBANO.
Dia 16 de JANEIRO (SABADÃO)
Local: CCN (Barés/ João Paulo)
INICIO: 19:00H

Atrações: Gíria Vermelha, Raio X Nordeste, Q.I. Engatilhado, Dialeto Preto, P.R.C, Motim, Contravenção Penal, Renegados do Sistema...,


E mais: Roda de Break, Grafitagem ao Vivo com DESKERDA CREW e entrega de certificados “Persona Grata” aos nossos parceiros histórico.

IMPERDIVEL!!!!!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

COMPANHEIRO MARCOS SILVA É PERSEGUIDO POR BUROCRATAS DO STIU-MA

reproduzimos abaixo a carta defesa do companheiro Marcos Silva, militante do PSTU e da CONLUTAS, que está sofrendo perseguição de membros da direção governista do sindicato dos urbanitários do Maranhão (STIU-MA). Do Quilombo Urbano vai nossa irrestrita solidariedade a esse camarada que ficou dez anos desempregado em razão de perseguição do grupo Sarney,mas que,contudo,nunca abandonou a luta em defesa da classe trabalhadora.

MEMBROS DA CÚPULA SINDICAL DO STIU-MA FAZEM PERSEGUIÇÃO POLÍTICA A MARCOS SILVA: calúnias e assédio moral.
Há quase três anos ingressei na CAEMA através do concurso público de 2006. Para a minha surpresa, encontrei uma empresa com o pior piso salarial do Brasil, a maioria dos trabalhadores (as) recebendo até abaixo do salário mínimo, péssimas condições de trabalho (falta de laudo de insalubridade, trabalhadores conduzidos em carroceria de caminhão, falta de EPI e um total desrespeito por parte de alguns chefes aos seus subordinados) . Além do mais, uma empresa desmoralizada diante dos seus desafios. O mais grave: era uma total acomodação imposta aos trabalhadores (as). Eram constantes as afirmações por parte de trabalhadores antigos do tipo: “Isto sempre foi assim, não adianta que não vai mudar.”

Diante desse quadro, uma pessoa com a minha história de luta jamais poderia se acomodar. Minha primeira atitude foi logo no seminário de operadores de elevatórias, realizado pela empresa, quando da convocação dos concursados, estimular a sindicalização. No primeiro dia de trabalho me juntei aos companheiros na luta por um transporte digno, pois a condução oferecida aos operadores era um caminhão sujo de lama. Uma grande falta de respeito aos trabalhadores. Procurei os dirigentes do sindicato para que negociassem com a chefia e nada eles conseguiram a não ser um “pau de arara”. Tivemos que ocupar a presidência da empresa, com uma grande mobilização e conseguimos um transporte digno (um micro ônibus com ar condicionado) . Este foi o meu primeiro susto com a cúpula sindical.

O segundo susto: quando na Assembléia de aprovação da pauta do ACT (2007/2009) apresentei algumas propostas entre elas: o abono natalino (ticket extra de dezembro), proibição da condução de trabalhadores em carroceria de carros abertos e a revisão dos pisos salariais, buscando recuperar as perdas salariais históricas. Surpreendentemente o presidente do sindicato da época (Fernando Pereira) encaminhou contra as minhas propostas. Foi realmente um grande susto! Fiquei pensado: será que é porque são minhas propostas ou o que está por trás? Mas, como é da minha característica não abandonar a luta, afirmei na Assembléia que a partir daquela data, todas as diferenças seriam votadas e mantive a defesa. Para minha felicidade, quando foi votada a proposta do ticket extra, a maioria absoluta votou a favor.

Aí quem se assustou foi a cúpula sindical. O susto foi tão grande que em seguida Sueli Gonçalves propôs acatar as demais propostas, sendo que os pisos salariais seriam revistos no Plano de Cargos e Salários (PCS).

Mas, saí daquela Assembléia na certeza de que seria necessário construir um movimento dentro da CAEMA que mobilizasse os caemeiros e caemeiras na luta por melhores salários, condições de trabalho e na defesa da CAEMA pública e moralizada.

De 2007 pra cá não arredamos da luta e consolidamos através de um grupo de companheiros e companheiras o Luta Urbanitária. Em 14 de agosto de 2009 lançamos o movimento pela implantação já do PCS, pois a categoria já esperava há mais de 20 anos e este direito estava assegurado no Acordo Coletivo 2007/2009. Foi neste sentido que ajudamos a construir a greve com todos os problemas: 12 dias de paralisação “a gelo e água”. Não conquistamos o necessário, mas não entregamos os nossos direitos para a empresa e o governo. E ainda abrimos um caminho para avançarmos na consolidação das nossas necessidades. Enfim companheiros e companheiras, tenho orgulho de fazer parte desta luta ao lado de lutadores e lutadoras na CAEMA.

No entanto, tenho sofrido uma terrível perseguição por parte de membros da cúpula sindical que vêm permanentemente me caluniando, com a tentativa de difamação e ao mesmo tempo deflagrando uma campanha sistemática de assédio moral à minha pessoa, tentando me caracterizar com improbidade administrativa e profissional. Isto é crime! E o ônus da prova cabe a quem acusa.

Esta prática é realizada constantemente por Fernando Pereira, Ana Teresa e Ribamar (vulgo Jacaré), sempre na minha ausência. Aqueles que deveriam organizar a luta para fiscalizar o cumprimento do Acordo Coletivo não cumprido pela empresa a exemplo: do plano odontológico, 5ª turma no setor de esgoto, combate ao assédio moral, implantação do PCS, distribuição dos EPIs, entre outras; resolvem me escolher como maior inimigo.

Esta prática jamais me intimidará, pois já enfrentei “bichos maiores” e nunca me rendi, nem me acovardei. Não preciso sequer me esconder, atrás de mandato sindical.

De forma que já estou de posse de testemunhas acerca das calúnias deferidas contra a minha pessoa e estou montando uma queixa crime para apresentar no Ministério Público Federal do Trabalho e a outras instituições de defesa dos direitos humanos, não só no Maranhão, mas no Brasil e em outros países.

Lamentavelmente terei que tomar estas providências como forma de me proteger do assédio moral. Em breve informarei ao conjunto da categoria sobre as calúnias realizadas pela cúpula sindical e manifestarei a minha opinião.

Sou um homem público, comprometido com a luta dos trabalhadores, com um sindicalismo democrático, de base, combativo e de atitude. Além do mais, já fui diversas vezes candidato a governador do Maranhão, com um compromisso de aplicar um programa anticapitalista (estatização dos meios de produção, universalizaçã o dos serviços públicos, coletivização do acesso à terra – Reforma Agrária) e levar a classe trabalhadora ao poder, através dos Conselhos Populares. Dessa forma, tenho a obrigação moral de fazer a minha defesa política e jurídica diante dos ataques que venho sofrendo.

Saudações Caemeiras,
Marcos Silva - Operador de Elevatória - CAEMA (email: msop16@hotmail. com

sábado, 5 de dezembro de 2009

QUILOMBOLAS DO BRASIL CANTAM, DANÇAM, GRAFITAM E MARCHAM EM DEFESA DAS PERIFERIAS

Foram três dias formidáveis e São Luís teve a honra de ser o palco desse espetáculo político-cultural da juventude negra e pobre. Organizações do Maranhão, Piauí, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro protagonizaram um dos mais politizados encontro de Hip Hop já ocorrido no Brasil. No entanto, os dias 19, 20 e 21 de Novembro foi o clímax de uma série de atividades iniciada em maio deste ano com vista à construção da 4ª Marcha da Periferia e a comemoração dos 20 anos de existência do Quilombo Urbano. Nesse período oito bairros de São Luis (Liberdade, Areinha, João Paulo, Vila Embratel, Cidade Olímpica, Bequimão, Rio-Anil e Novo Angelim) foram visitados pelo Quilombo Urbano e parcerias. Em cada uma dessas atividades ficava demonstrada a capacidade de organização da juventude pobre, dos favelados de todas as idades, sem dinheiro de governo nem de ONG. Ao contrário, nessas atividades era exigida, sim, a presença do braço social do Estado para melhorar as condições de vida de seus moradores e não para estruturar (leia-se cooptar) nossa organização e a direção de nossas posses. Fruto dessas atividades o Quilombo Urbano elaborou uma carta de reivindicações da 4ª Marcha da Periferia que foi protocolada junto à assembléia legislativa no dia 19 de novembro. O ano de 2010 será marcado pela cobrança dessas reivindicações ( veja a carta da 4ª marcha acima).
Ainda no inicio da semana da consciência negra, que coincide com a semana de realização da Marcha da Periferia, algumas organizações de outros estados, a exemplo do Coletivo Lutarmada do Rio de Janeiro e o Cangaço Urbano do Ceará, nos ajudaram a palestrar em algumas escolas públicas. No dia 19 foi realizado o debate de abertura no Quilombo Cultural Lago Amarela com o tema da marcha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia”. Na mesa, representantes do Quilombo Urbano, Lutarmada e da Aliança dos Estudantes Livres (ANEL). No dia 20 pela manhã, no sindicato dos bancários o tema do debate foi “Hip Hip, Gênero, etnia e classe” com altíssimo nível culminando numa proposta de que o Quilombo Brasil encaminhe um programa especifico para a mulher de periferia. A tarde desse mesmo dia foi realizada a 4ª Marcha da Periferia com muitas falas na concentração e na caminhada. Centenas de pessoas seguiram pelo centro comercial de São Luís rumo ao Circo Cultural da Cidade onde seria realizado o 20º Festival de Hip Hop-Zumbi. A simpatia da população impressionava, muitos paravam e ficavam a escutar as reflexões sobre o processo de criminalização das periferias e a necessidade de organização política para reverter esse quadro. Além de organizações de Hip Hop, estiveram presentes diversos militantes dos movimentos sociais, sindicais e partidos de esquerda, a exemplo do CCN, Conlutas, ANEL, PSTU, APRUMA, Oposição dos Urbanitários, etc. No Circo da Cidade, quase lotado, cerca de 20 grupos de Hip Hop das entidades que compõe o Quilombo Brasil se apresentaram e celebraram esse grande momento que marcou os 20 anos de existência do Quilombo Urbano. No dia 21 (sábado) o palco foi o Borralhos Eventos, no criminalizado bairro da Liberdade, onde aconteceu um debate político da melhor qualidade. Pouco antes, grafiteiros do Quilombo Brasil deixavam sua marca coletiva e politizada na entrada desse bairro.
No mesmo espaço em que há um ano atrás nascia o Quilombo Brasil, era realizado esse encontro com quase o triplo de participantes. Nessa plenária foi avaliado os 12 meses de Quilombo Brasil, os avanços e entraves, a grande possibilidade de crescimento desta organização em 2010 diante da crise instalada nos seios do Hip Hop governista e mercadológico, a reafirmação dos princípios norteadores do MHMQB, que estabelece as organizações da nossa classe como aliança de centro e um calendário de lutas para o primeiro semestre de 2010. O Quilombo Urbano agradece do fundo dos nossos “corações destemidos” todas as organizações do Quilombo Brasil e simpatizantes que estiveram conosco nesses valorosos dias de aprendizado. Agradecemos também a todas as organizações do movimento sindical e social que, direta ou indiretamente, contribuíram para que cada um desses momentos se tornasse realidade.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

GOVERNO TENTA NOVAMENTE CONFUNDIR JUVENTUDE DO HIP HOP E ESVAZIAR A MARCHA DA PERIFERIA

Como já era de se espera as forças reacionárias do Maranhão estão de volta para mais uma vez tentar enfraquecer a Marcha da Periferia e o Quilombo Urbano. O jornal O Imparcial do dia 08 de novembro traz uma grande matéria apresentando a programação de um tal “Fórum da Juventude Negra”, que até então ninguém sabia que existia. Esse Fórum propõe-se a realizar uma marcha no dia 19 de novembro com saída da Praça Deodoro e traz como tema “Contra o Extermínio da Juventude Negra”. Que coincidência não? O tema da 4ª Marcha da Periferia é “Pelo fim da Guerra Interna na Periferia” e será realizada no dia 20 de novembro com saída também da Praça Deodoro como é de conhecimento de todos. A abertura das atividades desse “Fórum” será naquilo que eles chamam de “Praça do Hip Hop”, ou seja, no Quilombo Cultural Lagoa Amarela que há mais de um ano foi ocupado por militantes e simpatizantes do Quilombo Urbano e que vem sendo criminalizada pela polícia de Roseana Sarney. Ora, todo mundo sabe que qualquer Fórum é formado por diversas entidades, a matéria não fala de nenhuma. Diz ainda que essa programação é pra coroar todas as atividades que essas entidades “fantasmas” vem realizando ao longo do ano nas periferias de São Luís. Pura mentira, pois ao que se sabe a única entidade que vem realizando atividades dessa natureza desde maio em nossas periferias para construção da 4ª Marcha da Periferia é o Quilombo Urbano.
Nosso desejo é que houvesse mais entidades realizando atos com essa temática, mas não para destruir as já existentes. Por que não propuseram realizar essa marcha em parceria conosco? No entanto, essa mesma matéria faz referência a um ex-militante do Quilombo Urbano que foi expulso do nosso meio por usar o nome de nossa organização em parceria com governos sem nossa autorização, por desviar dinheiro de entidades estudantis como o CAECIP ( Comitê Amplo de Estudantes Contra a Instalação do Pólo Siderúrgico), por extorquir uma militante do Hip Hop de Minas Gerias, por se apropriar de objetos de nossos militantes e de uma professora do antigo CEFET entre tantas outras práticas desonestas. O nome desse individuo é CARLÃO que ano passado esteve a frente de um encontro de Hip Hop bancado pelo governo de Jackson para desarticular nossas atividades. Mas grave ainda, é que ele foi para um jornal que estava detonado com os professores, divulgar atividades em escolas publicas no momento em que essas ainda estavam em greve, ou seja, era para fazer com que os alunos dessas escolas retornassem as aulas e enfraquecessem a luta dos educadores contra Roseana Sarney.
No entanto, quem não se lembra que ano passado nós enfrentamos uma situação parecida com essa e saímos vitoriosos? Tanto é que estamos mais fortes e construindo o Quilombo Brasil que é nossa entidade de Hip Hop em âmbito nacional. Novamente não vamos arredar o pé para Roseana Sarney, João Castelo e seus capitães do mato de bombeta e calça larga. Fica aqui nossa denúncia, QUEM QUER COMBATER O EXTERMINIO DE JOVENS NEGROS NÃO SE JUNTA COM GOVERNOS QUEM MANDA A POLICIA EXTERMINAR NOSSO POVO E PERSEGIR NOSSA ORGANIZAÇÃO! E fica aqui nosso alerta, NEM TODO MUNDO NA PERIFERIA ESTÁ A VENDA!

MOVIMENTO HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO “QUILOMBO URBANO”
20 ANOS DE CORRERIA, 20 ANOS DE PERIFERIA!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Gíria e P.R.C em DVD


Salve Guerreir@s;
Pra quem curte os grupos de rap Gíria Vermelha e P.R.C. está começando as prévias de seleção de imagens para o DVD destes grupos. Dia 02 de agosto (Domingão) têm Show do Gíria Vermelha no Clube do Reizinho na Fé em Deus/Liberdade e no dia 07 de agosto (sexta-feira) tem Gíria Vermelha e P.R.C. na Praça Lagoa Amarela no Reviver (Praia Grande), todos iniciando as 18:00h. O momento final destas gravações se dará em um grande show no mês de setembro em local a definir. Todas esses eventos fazem parte das comemorações dos 20 anos de Quilombo Urbano e da 4ª Marcha da Periferia que este ano traz como tema “Pelo fim da guerra interna na Periferia”

terça-feira, 7 de julho de 2009

MHMQB: Orgulho de ser periferia, Orgulho de ser Independente, orgulho de ser revolucionário!

Em meio à crise de legitimidade em que a maioria das ONG de Hip Hop governista se encontra nasce uma alternativa que para muitos parecia improvável. Lançado embrionariamente em novembro de 2008 no Maranhão durante as atividades da 3ª Marcha da Periferia, o Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil (MHMQB) em apenas oito meses de existência tem recebido adesões de organizações de Hip Hop de diversos estados do Brasil (MA, CE, RJ, GO, SP, PI, RGS, etc), além de militantes independentes e de torcidas organizadas de time de futebol.
Em busca de estruturar seus coordenadores, o Hip Hop governista entrou num mar de lama nunca visto antes com parcerias com instituições assassinas como o Banco Mundial que massacra os povos do terceiro mundo, Rede Globo, partidos neoliberais (do PT ao PSDB), até com a polícia existe projetinho faz de conta. Enquanto isso a juventude negra ver seus sonhos mergulhados no mar de sangue da periferia. Muita gente foi para casa decepcionado com tanta sujeira envolvendo um dos mais autênticos e radicalizados movimentos político e cultural que a juventude negra viu nascer desde os quilombos, mas outros mantiveram-se firmes, resistindo aos assédios da mídia, dos telefonemas com ofertas de emprego em algumas dessas ONG , as calúnias e até ironia de que “trabalho de formiga não rende”. Erraram por julgar as formigas pelo tamanho e não pela coletividade de suas ações. Valeu apenas resistir, estamos orgulhosos de ver o MHM Quilombo Brasil caminhando na contramão daqueles que ajudaram a lavar as mãos sujas de sangue dos “Pilatos” assassinos de nossa gente.
O Hip Hop brasileiro começa a reencontrar-se consigo mesmo e com sua honrosa história de resistência. Uma iniciativa do MHMQB que tem recebido apoio de dezenas de movimentos sociais pelo Brasil é a campanha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia” que denuncia o genocídio negro resultante desses conflitos, a criminalização da pobreza e propõe uma reação organizativa da periferia contra os poderosos. Do mesmo modo nos dias 19, 20 e 21 de novembro deste ano o MHMQB estará promovendo um grande encontro no Maranhão com suas organizações e seus simpatizantes. O objetivo central desse encontro, além da fundação oficial do MHMQB, é desencandear uma reação em cadeia da juventude negra e pobre contra o racismo, o capitalismo e seus representantes. Mas isso só será possível se esse crescimento do MHMQB for multiplicado tantas outras vezes, se em cada canto deste país estiver um hip hop quilombola organizado A história provou que o Hip Hop governista é um projeto fracassado, servindo apenas para encher o bolso de alguns a custa da ilusão da maioria. Por isso chamamos você que acredita na força da periferia organizada, que acredita na autonomia dos favelados, que acredita que a revolução só poderá ser edificada com as mãos dos oprimidos e não de mãos dadas com os opressores, a vir construir conosco essa ferramenta de luta e organização política e cultural da periferia que é o MHMQB.

NEM GUERRA ENTRE OS POBRES NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!