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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A Parábola da Cigarra e da Formiga - HIP HOP: quem éramos e quem somos?


Recordo-me certa vez quando estive em São Paulo, meados da década de 90, para fazer uma visita à minha família e conhecer um pouco mais o HIP HOP de São Paulo e aconteceu um episódio interessante que pode ilustrar um pouco o que quero refletir. Lembro-me que fui a um baile, na radial Leste ? saída do metrô Tatuapé (se não me engano) num momento que estava bombando o grupo ?Potencial 3?. Fui com um irmão e mais dois amigos que não gostavam de rap e sim de pagode (lá nesse clube, que não lembro o nome, tocava samba-rock). Eles compraram cervejas e me ofereceram. Eu não aceitei. Foi aí que aconteceu o principal dessa minha história. Um dos amigos disse o seguinte: - vocês do Hip Hop são tudo assim, sério! Não gostam de ficar vacilando! ...
Bom, certamente a moral dessa história não tem nada a ver com bebidas (apesar deu achar que a favela devia repensar o consumo de drogas, lícitas ou ilícitas, numa perspectiva não moralista, mas social - estamos nos matando!) e, também, certamente o meu amigo estava errado com relação a avaliação dele só por que eu não aceitei uma bebida.
Mas, então, qual é questão? O centro dessa historinha está no fato de haver uma imagem em relação ao HIP HOP de extremo respeito, de acreditar que nós tínhamos uma linha de radicalidade, de coerência, de idéias corretas a serem transmitidas, de seriedade e compromisso com a periferia. Isso era mentira? Com certeza não!
Quem não se lembra dos Racionais rejeitando o dinheiro da Globo e das gravadoras multinacionais, me lembro claramente das organizações de HIP HOP do Nordeste tentando organizar uma Aliança (RIMA DE CIMA) revolucionária e discutindo se o problema era de raça ou de classe. Hoje sabemos que não é nenhum, nem outro, mas os dois (sem esquecer do machismo). Recordo-me do movimento HIP HOP organizado do Ceará chegando no Maranhão com uma camisa com o rosto do Che Guevara e uma inscrição em baixo dizendo: POBRES VS RICOS.
E aí manos? Esqueceram! Hoje não é mais isso, mas sim: POBRES EM ALIANÇA COM OS RICOS. É só observar os acordos com o Banco Mundial, com a Rede Globo, com essas Organizações Não(?)-Governamentais estrangeiras que retiram dinheiro de seus governos enchem os bolsos para fazer turismo e dão uma migalha pra gente fazer Projetos(?), oficinas (desde que não se faça críticas é claro); é só observar também os acordos com o governo LuLa que enviou tropas para o Haiti pra massacrar a negrada daquele país. Só pra lembrar foi no Haiti que ocorreu uma das primeiras Revoluções Negras da América dizendo claramente pro mundo que os pretos daquele país podem resolver seus problemas sozinhos (Com nossa solidariedade e não com nossas armas). Só para avisar: ocorrem atualmente naquele país com a liderança do Brasil de Lula assassinatos, estupros, infanticídio, etc... Aí mano! Me recordo também de um lema importante: ?É quatro P: poder para o povo Preto?. Estamos entregando o HIP HOP a Burguesia Branca? Luciano Huck é preto? Os donos da MTV, da Globo, que controlam as Ong?s estrangeiras, que controla o FMI, o Banco Mundial, o UNICEF, a UNESCO, O Criança Esperança, são pretos, pobres, trabalhadores ou brancos burgueses ( se tiver algum preto burguês também não é nosso aliado como a exemplo do secretário geral da ONU) ?
Hoje o que temos: o MV BIL é o nome do HIP HOP nacional, o artista (como ele mesmo afirma) de responsabilidade social que pediu desculpa a Didi (o trapalhão) e ao Criança Esperança. Temos a Negra Li, a grande representante do rap feminino, que vai fazer uma plástica no nariz. Será que é pra engrossar? Pra ficar parecido com uma preta africana? Ou é pra ficar tipo Michael Jackson com nariz afilado, tipo um branco. O homenageado do ano, prêmio HUTUS, foi o Helião! Desculpa aí GoG eles não sabem o que fazem! O que temos hoje: o D2 que sai do PLANETA MACONHA pra pagar de rapper. Ganhou o prêmio de melhor MPB da MTV e ainda subiu no palco para dizer que odeia MPB ? ele odeia sua própria música? (ridículo!) Temos movimento Hip Hop organizado brasileiro que a sua direção é (quase) toda de um mesmo Estado ou organização, 3 ou 4 (e não tem mais ninguém) que viajam o mundo inteiro às custas de nossa miséria e do dinheiro das Ong?s e Multinacionais: são os ongueiros e interneteiros (gigolôs da miséria humana). Outra coisa: já repararam que os grupos do Nordeste que ganham prêmio no Hutus são sempre os que estão ou com o governo Lula ou apareceram na Globo (mesmo que seja nas emissoras regionais)? Aliás o que os personagens que acabamos de citar tem em comum: todos são afilhados adotivos da Globo! É a ?favela Pop? como diz a revista veja? O HIP HOP agora tem um dono? Quem éramos? Quem somos?
Continuamos pobres, pretas e pretos, faveladas e favelados, periféricos, trabalhadoras e trabalhadores, organizando e transmitindo mensagens positivas. O HIP HOP é aquilo que eu citei ?. Com certeza não! Mas aquele projeto venceu (por enquanto) um projeto verdadeiro, o da essência, da raiz do HIP HOP: INDEPENDENTE, AUTÔNOMO, TRANSFORMADOR. Mas a maré vai virar, o povo pobre sempre revida!
O projeto do HIP HOP militante vai dar certo? É a história que tem que dizer! Uma coisa posso adiantar o projeto desses caras que tão na Globo, com a MTV, com organismos multinacionais da burguesia, com as grandes gravadoras tem demonstrado seu fracasso pois não tem base social, a não ser pela intensa propaganda alegórica da TV e pelo rios de dinheiro que estão sendo colocados nas favelas e periferias para fazer projetinhos assistencialistas sem nenhuma perspectiva de crítica ao sistema que nos excluí. E não me venha com essa história de que se está pegando o dinheiro da burguesia pra utilizar contra ela. Aí mano! ?o mal do esperto é achar que o outro é otário?.
O projeto de HIP HOP militante e revolucionário só esboçou sua formação e foi veementemente atacado pelos aparelhos da burguesia, mas nós não morremos! Como na parábola da Cigarra e da formiga, nós tamo aí! Firmes e fortes, só observando o cantarolar da cigarra, carregando até o dobro do nosso peso e não parando de trabalhar. Um dia a maré muda, estamos fazendo de tudo pra isso acontecer, quando ela mudar: HÁ, HÁ, HÁ, !!!! pra burguesia e seus lacaios, vão ter que se ajoelhar e rezar!
Por último, quem sou eu? me chamo Verck de São Luís do Maranhão, rapper do grupo Gíria Vermelha, treinado e ensinado pelo Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão QUILOMBO URBANO, intransigente do Lado NORTE-LESTE contra a burguesia sem trégua e nem recúo!!!!!
(Ei mano, um último aviso! Se quiser voltar para o lado certo, a porta está aberta, precisamos sempre de um aliado depois de uma autocrítica).

Um comentário:

Anônimo disse...

parabens parceiro,o hip hop nacional ainda tem muito o que aprender com o Quilombo Urbano, precisamos é disso mesmo, regatar o Hip Hop de raiz.