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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

COLETÂNEA DE ANOS ANOS DE QUILOMBO URBANO
















Lançado no dia 16 de janeiro no centro de cultura negra (CCN), a Coletânea de rap em comemoração dos 20 de correria do movimento de hip hop organizado maranhão Quilombo Urbano. Varios grupos de rap da ilha rebelde, mostrando em suas rimas as diversas realidade das periferias Ludovicentte, grupos do bairro da Liberdade(Gíria Vermelha e Dialeto Preto), João Paulo( Q,I Engatilhado), Bequimão( Contravenção Penal, Novo Angelim(Renegados do sistema), Cidade Operaria(Raio X Nordeste), mostrando que é possilvel fazer um trabalho autogestivo dentro da perideria através do rap, do break e do grafite, levando a juventude periferica a refletir sobre as mazelas do governo com o nosso povo, com a produção de P.R.C para Perifeafricania produções, 16 faixas de "sonhos e protestos, trincheira e poesia"  soando em alto e bom som nas periferia do Brasil.  "PARABENS QUILOMBO URBANO, PARABENS PERIFERIA, SEGUIMOS NA LUTA, NA CORRERIA".                                                                                                                                                                                                                                    
                                                               

 

















baixe a coletanea 20 anos de Quilombo Urbano

quarta-feira, 22 de abril de 2009

NEGRO COSME, A BATALHA: HIP HOP NA CONTRAMÃO DA GRANDE MÍDIA.








No ultimo dia 18/04 (sábado) a cidade de Caxias foi palco de duas batalhas de break: Negro Cosme, a batalha; e da Difusora. Vendo pelo ponto da quantidade, seria muito bom para o hip hop caxiense, porém estas duas batalhas diferenciam-se tanto no que diz respeito a quem organiza, como também quando se trata dos objetivos. A batalha da Difusora foi organizada pela Rede Difusora de Televisão, que tem como dono, na mais nada menos que a família Lobão (Edison Lobão é hoje Ministro da Minas e Energia) e teve como objetivo, nada mais nada menos que desarticular a batalha Negro Cosme, visto que a Difusora não tem comprometimento nenhum com o hip hop, muito menos com o Hip Hop Militante que a todo custo vem denunciando as mazelas das periferias em todo Brasil. Negro Cosme, a Batalha, foi organizada pelo MINFA e Reação Periférica que são organizações de Hip Hop da cidade de Caxias, sendo o MINFA membro do Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil” e teve como objetivo valorizar a cultura Hip Hop e demonstrar que o Hip Hop está muito além de ser um mero movimento cultural, mas sim uma alternativa para a juventude negra e favelada transformar a sua realidade.
Em mais uma das incontáveis correrias que o Hip Hop Militante vem realizando para manter o hip hop como instrumento de mobilização, organização e transformação da juventude periférica, a Batalha Negro Cosme demonstrou que através da organização podemos ir na contramão da grande mídia, pois a Batalha da Difusora tinha todos os dias diversas inserções na TV, ou seja, no quesito divulgação esta batalha já saiu na frente, porém como a Batalha Negro Cosme já é tradicionalmente realizada há vários anos e com enorme sucesso, pois sempre foi construída através da organização da periferia, este ano não deu outra! Mais uma vez foi casa cheia!
A Batalha Negro Cosme contou a participação de 13 crews de b.boys e b.girls, sendo uma, a Enigma Style Crew, formada exclusivamente por b.girls. O ginásio da Volta Redonda ficou lotado para ver os b.boys e b.girls dançando. Estiveram presentes b.boys de Caxias, Teresina e outras cidades próximas.
A Batalha Negro Cosme, não teve apenas break, mas contou com todos os elementos do Hip Hop: a discotecagem ficou por conta de Dj Morcegão (OZN) e Dj 15 (Atividade Interna), o grafite foi feito por Dennis, grafiteiro de Caxias e o Rap ao vivo, com o show do grupo de São Luís, Gíria Vermelha, que teve suas músicas acompanhadas em coro por todos presentes.
O sucesso de Negro Cosme, a batalha, só foi possível devido ao empenho e a certeza de o hip hop tem que percorrer o caminho inverso a grande mídia. Pois a Difusora não tem interesse em mostrar a realidade que é a periferia, mostrar apenas o lado violento, todos os dias ela é responsável pela veiculação do Bandeira 2, programa policial que “queima a favela de segunda a sábado”. Deste modo, compreendemos a importância da Batalha Negro Cosme como sendo mais uma resposta a grande mídia que pensa que o Hip Hop é mais uma moeda de troca nesse mundão capitalista, onde todos somos possíveis mercadoria, inclusive a nossa amada cultura Hip Hop, e como diz o MINFA, diga você também: NÃO A ELITIZAÇÃO DO HIP HOP! Mano



NEM GUERRA ENTRE OS POBRES NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!!!

Magrão, militante do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão QUILOMBO URBANO e vocalista do grupo Q.I. Engatilhado

quinta-feira, 9 de abril de 2009

NO CAPITALISMO PRISÃO E PENA DE MORTE SÓ PARA ASSALTANTE POBRE

Os jornalistas da imprensa comercial burguesa do Maranhão estão em estado de êxtase, pois seis pessoas foram mortas ontem, dia 08 de abril, pela policia militar sob suspeita de praticarem assalto a uma agência bancária no município de Arame, duas estão feridas e uma foragida. Segundo relatos, os mesmos invadiram uma agência dos correios onde funcionava o único banco do município, mas foram surpreendidos pela polícia tendo em vista que o distrito policial do município fica nas proximidades da agência. O que mais impressiona nos jornalistas dessa imprensa burguesa, e é justamente por isso que ela é burguesa, é que eles nunca defenderem a execução de assaltantes de bancos como Pantoja e o grupo Sarney que durante décadas saquearam o Banco do Estado do Maranhão (BEM) e depois privatizaram, ou seja, venderam a preço de banana a seus comparsas burgueses. Nenhum desses senhores defendem a execução ou se quer a prisão de banqueiros (donos de bancos) que nos assaltam cotidianamente com juros abusivos, pelo contrário, esses assaltantes ricos e brancos de olhos azuis ainda são agraciados com dinheiro público como os bilhões que Lula está os entregando para livrarem da crise que eles geraram. Nós do Quilombo Urbano não defendemos nem incentivamos ações de grupos individuais como forma de expropriar a burguesia, até por que nessas ações geralmente quem morre são pessoas pobres, sejam os assaltantes, sejam os clientes ou funcionários. Pelo contrário, somos a favor de que a população pobre se organize em movimentos sociais, partidos revolucionários e sindicatos independentes dos governos e dos patrões para que, aí sim, possamos coletivamente expropriar bancos, empresas, fábricas, terras, etc, e colocá-las a serviço dos interesses da maioria do povo e não dos ricos. Mas, queremos deixar claro que temos um lado e é o lado da classe trabalhadora, é o lado da periferia. Sempre é bom lembrar que a polícia que reprime e mata assaltante pobre é a mesma que reprime e mata militantes políticos de esquerda, como mostra essa foto em que a policia reprime militantes da CONLUTAS em manifestação na cidade de São Paulo. Por isso mesmo não nos deliciamos com massacre em série de gente do nosso povo, assim como não lamentamos quando burgueses são tomados de assaltos, pois, como frisamos acima, todos os dias eles nos assaltam, seja com cobranças de impostos, juros, taxas, exploração na empresa ou na corrupção e não são presos e nem muito menos mortos.

NEM GUERRA ENTRE OS POBRES, NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

FEIJOADA, HIP HOP E POLITIZAÇÃO

No último domingo, dia 05 de abril, a posse Comunas de Palmares realizou uma feijoada com direito a um belíssimo show do grupo Q.I. Engatilhado. Preta Lú, P.R.C. JB, Mano Magrão, DJ Ras Mauro e Diogo mandaram ver nas rimas e nas idéias. O show foi muito empolgante e reuniu jovens pertencentes a duas quebradas envolvidas no processo de “guerra interna” (Rua da Vala e Calçadão) do bairro João Paulo. Foi pensando em intervir nessa guerra que a posse Comunas de Palmares também estará realizando mais uma etapa do projeto “Periferia Urgente” nos dias 25 e 26 de abril no calçadão. Em novembro do ano passado essa atividade foi realizada na Rua da Vala. Além do caráter cultural e político da feijoada e do show do Q.I. Engatilhado, a atividade foi realizada também com o objetivo de arrecadar finanças para a realização do Periferia Urgente. Aproveitando a oportunidade Preta Nicinha da posse Liberdade Sem Fronteira circulou um livro de ouro pedindo contribuição para que uma delegação de militantes do Quilombo Urbano se desloque até Caxias para fortalecer a Batalha de B.boy que acontecerá naquela cidade no dia 18 de abril. É isso aí , Hip Hop revolucionário se faz com autonomia política, mas para isso é preciso ter independência financeira.

sexta-feira, 27 de março de 2009

REUNIÃO EM TERESINA-PI AVANÇA NA CONSOLIDAÇÃO NACIONAL DO MHM QUILOMBO BRASIL

Depois de duas reuniões, uma em São Luís no mês de novembro de 2008 e outra em Belém em janeiro de 2009 durante a realização do FSM, foi a vez do Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil (MHMQB) se reunir em Teresina-PI no dia 21 de março aproveitando o show de lançamento dos CD´s dos grupos de rap Gíria Vermelha-MA e Reviravolta-CE. O resultado dessa reunião não poderia ter sido melhor. Com um altíssimo nível de discussão, tratando desde questões como a crise mundial do capitalismo até o lançamento da campanha pelo “Fim da Guerra Interna”, o MHMQB vem se firmando de fato como uma importante alternativa revolucionária de Hip Hop para a periferia. Estiveram presentes grupos e movimentos como o Ministério das Favelas de Caxias,-MA, Quilombo Urbano-MA, Atividade Interna-PI, Reviravolta-CE, Coletivo Lutarmada-RJ, que encaminharam os principais pontos para construção de um programa político e cultural para o MHMQB, seu Estatuto e um plano de ações para o primeiro semestre de 2009. Estiveram presentes também representantes de torcidas organizadas do Ceará e Piauí, visto que o MHMQB pretende também envolver essas organizações na campanha “Pelo Fim da Guerra Interna”. A próxima reunião acontecerá em Junho no Rio de Janeiro-RJ para encaminhar algumas questões que ficaram pendentes. Muito mais do que o esperado, o MHMQB tem amplas possibilidades de crescimento tendo em vista a abertura de discussões com organizações de Goiana, Belém e São Paulo. Um grande encontro deverá acontecer em São Luís-MA no mês de novembro durante as comemorações de 20 anos de Quilombo Urbano que terá como principais atividades o 20º Festival de Hip Hop e 4ª Marcha da Periferia que esse ano traz como tema “Pelo Fim da Guerra Interna” . Em breve o MHMQB estará divulgando suas principais bandeiras políticas e culturais para periferia.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

QUEM TEM IMUNIDADE PARA COMETER CRIMES NÃO PRECISA USAR MÁSCARA DE FOFÃO

P/ Hertz Dias

O governo do Estado do Maranhão através da Secretaria de Segurança Cidadã (Sesec) baixou a portaria nº. 58/2009 que proíbe o uso das tradicionais máscaras de fofão do carnaval maranhense. Em nossa compreensão essa é mais uma entre tantas outras leis que tentam criminalizar os pobres e suas práticas culturais e de lazer. Ainda que seja notório o crescimento da violência em todo o país e que tende a se agravar com a crise econômica do capitalismo, os que defendem essa proibição não apresentam qualquer dado estatístico que mostre a ligação direta entre o crescimento da violência no carnaval maranhense e a utilização desse tipo de fantasia.
Mais uma vez a elite tentar fazer dos pobres os bodes expiatórios para desviar a atenção dos crimes que eles comentem permanentemente contra os trabalhadores. No momento em que a Euromar, concessionária de veículos do Maranhão, comete um crime de quase 30 milhões de reais com vendas ilegais de veículo e a assembléia legislativa do Maranhão é acusada de superfaturar milhões de reais na construção de seu novo prédio em uma área, diga-se de passagem, de preservação ambiental, são os pobres que são criminalizados.
A Companhia Vale, por exemplo, prepara mais um crime contra o meio ambiente e contra a população pobre do nosso estado. A mesma está em via de construir o Píer V que pretende aumentar seus terminais portuários para intensificar a extração de minério de ferro do nosso solo que alcançará a média de 210 milhões de toneladas para escoar para o exterior, além de remover centenas de famílias que vivem da pesca na Praia do Boqueirão. Quanto a isso a grande mídia e o governo do Estado simplesmente silenciam.
E a CEMAR, alguém proibiu de continuar a exercer a lucrativa atividade de “vender” energia elétrica para os maranhenses mesmo depois do grave crime cometido com as instalações de medidores digitais adulterados que, em muitos casos, elevou a taxa de energia em mais de 300%?.
Quem não se lembra também do Marafolia de 2004 que teve um saldo de quatro mortos em menos de três dias, além de dezenas de feridos em acidentes provocados por embriaguez? Mas, por incrível que pareça, era o bairro da Liberdade que tinha os seus bares fechados sob a alegação de que o consumo de álcool nestes estabelecimentos contribuía para aumentar a violência.
E o bloco Bicho Terra, que usa máscaras, será que essa lei vai ser aplicada a ele? É obvio que não, pois seus proprietários são protegidos pelas duas maiores oligarquias que controlam o estado do Maranhão.
Poderíamos elencar uma enorme lista de crimes cometidos por burgueses em nosso estado como o Caso Lunus, o caso Gualtama que envolve tanto membros do grupo Lago como do grupo Sarney, a privatização criminosa do BEM e da CEMAR, os crimes de estelionatário de 25 milhões de reais praticado pelo governo de Roseana contra os trabalhadores do município de Rosário-MA, e tantos outros que não levou um único burguês de toga e gravata e mofar atrás das grades.
Como vemos, são os ricos desse estado que cometem crimes de grandes proporções e impactos sociais a reveria por que tem imunidade parlamentar ou por que são protegidos por parlamentares e governos corruptos como foi o de Roseana Sarney e como é o de Jackson Lago. E para isso eles não precisam usar máscara de fofão.
Na verdade se os crimes de empresários e dos políticos fossem combatidos veementemente, certamente a violência seria praticamente inexistente em qualquer época do ano. Mas, como dizia velho Marx o Estado nada mais é do que o comitê armado da burguesia, não restando aos trabalhadores outra opção a não ser quebrar sua espinha dorsal através da revolução socialista.

Hertz é historiador e militante do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano, do GT Negro Cosme da CONLUTAS-MA e vocalista do grupo de rap Gíria Vermelha.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

I ENCONTRO BRASILEIRO DE HIP HOP MILITANTE


Sou mano de quebrada sou mina de favela / sou todos os que lutam por um mundo sem miséria (Gíria Vermelha)

Se para as esquerdas revolucionárias e os movimentos sociais combativos a década de 1990, apesar das resistências, foi considerada de refluxos, para a juventude negra e pobre das periferias brasileiras essa década foi marcada pelo crescimento espetacular de um dos mais importantes movimentos de resistência política e cultural do século XX, ou seja, o Hip Hop. Entretanto, diversos fatores, como o atrelamento a governos neoliberais e parcerias com empresas multinacionais e organismo pró-imperialistas (UNICEF, Globo, Banco Mundial) contribuíram para enfraquecer, dividir e despolitizar as ações deste movimento em nível nacional.
Essa situação tende a se agravar com a crise mundial do capitalismo. Para superá-la, governos neoliberais como o de Lula avançam no aprofundamento das políticas neoliberais, especialmente desviando verbas públicas para salvar capitalistas falidos, ao mesmo tempo em que fortalecem o Estado policial. Recentemente, o governo aprovou o maior orçamento voltado para as forças repressoras desde a ditadura militar, ao mesmo tempo em que corta verbas destinadas as políticas públicas.
A “ditadura pura”, a das armas e da grande mídia, sobre a periferia está em curso. Além das ocupações dos bairros pobres em todo o Brasil pela Força Nacional de Segurança, o senado e a câmara de deputados preparam diversos projetos que visam acentuar a punição daqueles que vivem na periferia. A grande mídia por sua vez, legitima esse processo criminalizando a juventude negra das nossas periferias. Diante desse quadro, infelizmente, muitas organizações, financiadas por esses governos, tentarão, neste FSM, desviar a atenção da juventude dessas questões com discussões que não apontarão para uma saída anti-capitalista e revolucionária para a periferia.
Diante desse quadro, que é muito mais grave do o que pintamos sucintamente, propomos o I Encontro Brasileiro de Hip Hop Militante. Não temos a pretensão de discutir a “arte pela arte” nem o muito menos o “Hip Hop pelo Hip Hop”, o que nos move neste momento decisivo é traçar um plano nacional de ações conjuntas para juventude negra e pobre deste país enfrentar o capitalismo, o racismo e o machismo e avançar no processo de consolidação do Movimento Hip Hop Militante - Quilombo Brasil que teve sua semente plantada em novembro de 2008 durante a realização da 3 ª Marcha da Periferia no Maranhão. Esses são os nossos desafios, essas são as nossas tarefas, então mentes, pés e mãos a obra guerreiros (as).

Programação
29/01/009
Manhã- 9:00h as 10:30h
Hip Hop Militante, dos anos 90 ao século XXI: Quem Éramos e quem Somos.
Expositores: Verck (Movimento Negro da Conlutas)
Mano Magrão: Quilombo Urbano
10:30h- 12:00h
Classe, Raça e Gênero na trincheira política do Hip Hop
Expositores: MC Moita Brava- Reviravolta- CE
Preta Nicinha- Núcleo Preta Anastácia-MA
Sonianke- Quilombo Urbano-MA

30/01/009
Tarde 14:00h -18:00h
MHM Quilombo Brasil: Por uma Alternativa Revolucionária para Periferia.
Expositor: Hertz- Quilombo Urbano-MA

Tarde: Encaminhamentos
INICIO: 14:00H


Local das atividades: Sindicato da Construção Civil- Belém/PA

Promoção: MHM QUILOMBO BRASIL

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Parceria dos Racionais com a Nike: o que a periferia tem haver com isso?


P/ Hertz Dias


Acho interessante a polêmica que se construiu em torno da possível parceria Racionais/Nike e quero aproveitar o momento para lançar algumas reflexões. É indiscutível a importância que este grupo de rap teve e ainda tem para a juventude negra de todo o Brasil. Eu mesmo devo muito aos racionais pelo que eu sou hoje, inclusive em uma das músicas do cd do meu grupo rap eu falo “meus heróis eu conheci no Hip Hop não na escola/ professor desinformado deturpou minha história/ ora bolas minha senhora ver se pode/ meus primeiros professores foram racionais e GOG” (Herói de Preto é Preto).
Há alguns anos atrás li um artigo, não lembro de quem, falando que o Hip Hop fez em menos de dez anos o que o movimento negro não conseguiu fazer em mais de vinte anos. O Hip Hop conseguiu dialogar com o setor mais oprimido, explorado e excluído da classe trabalhadora do Brasil, alias o Hip Hop é formado fundamentalmente por esse setor.
E é essa resistência e capacidade de despertar a indignação da juventude negra e formar intelectuais orgânicos na periferia que a racista burguesia brasileira quer dilacerar. O tripé fundamental para a manutenção da dominação de classe e de raça, assim como para direção cultural e ideológica no Brasil ou em qualquer parte do mundo é que está atuando conjunta e articuladamente sobre o Hip Hop brasileiro nesse momento, ou seja, a grande mídia, as empresas multinacionais e o Estado.
Em um documento escrito há cinco anos atrás eu dizia que o Hip Hop brasileiro cresceu e se fortaleceu a margem dessa tríade capitalista e que, infelizmente, o seu enfraquecimento político é resultado da inversão desta postura. Nos últimos cincos anos acompanhamos a aparição de diversos grupos de Hip Hop na Globo, encontros com o governo Lula, inúmeros projetos com prefeituras neoliberais e parcerias com empresas multinacionais, sem contar a avalanche de ONG’s especializadas em Hip Hop que se espalharam feitos pragas por todo o Brasil. O Hip Hop militante do nordeste virou pó institucionalizado, restando poucas organizações como o Quilombo Urbano que tenta reconstruir o Hip Hop militante e revolucionário desta região.
Quem tanto denunciou a opressão contra os pretos, se calou perante a vergonhosa ocupação do Haiti liderada pelo governo Lula a mando de Bush, silenciaram também sobre as ocupações da Força de Segurança Nacional em favelas, morros e bairros majoritariamente negros em todo o país. Falo isso em termos majoritário, pois as exceções só confirmam a regra.
No Maranhão chegou-se a dois absurdos emblemáticos a esse respeito: a completa ausência das ONG’s de Hip Hop e do Movimento Negro nos atos de denúncia do linchamento do artista Gero por policias militares e civis do governo de Jackson Lago e o mais recente e ridículo papel destas mesmas organizações na tentativa esvaziar e enfraquecer a 3ª marcha da periferia organizada pelo Quilombo Urbano para pressionar o Estado a estender seu braço social na periferia (quanto a isso ver matéria “Governo e CUFA Versus 3ª Marcha da Periferia).
Em suma, em nosso entendimento, não é apenas financeiro o objetivo da Nike junto ao grupo Racionais, mas é acima de tudo político. Ao contrário da maioria do nosso povo, a burguesia tem consciência histórica, sabe se antecipar aos fatos, sabe se precaver. Eles sabem que as periferias de todo planeta viraram verdadeiros barris de pólvoras preste a explodir ou em alguns casos já explodidos.
A França mostrou o caminho. A juventude negra e imigrante daquele país encabeçou um das maiores insurreições populares da sua recente história. Em maio de 2005 mais de quinze cidades foram paradas, inclusive Paris, e isso obrigou o governo a criar, sob o calor da insurreição, um programa de geração de emprego para aquela juventude, quando o seu objetivo era justamente inverso. Sabe qual foi à música acusada de ter insuflado aquela revolta? Isso mesmo, o rap!!! Logo em seguida o parlamento francês se viu obrigado a votar uma lei de censura a determinadas canções de rap. Veja que interessante: o Hip Hop embalando uma revolta vitoriosa da juventude das periferias francesas contra o neoliberalismo!!!. Na Grécia a também juventude de periferia está protagonizando novas e importantes revoltas populares. Esse fenômeno tende a se mundializar com a crise do capital.
Já imaginaram um Racionais, um GOG, um Facção Central, um MV Bill a frente de um processo como este. Um detalhe importante, salvo engano, acho que são poucos os países do mundo que tem uma periferia tão instável como a nossa. E a burguesia brasileira sabe que a nossas periferias respiram Hip Hop, só que eles também sabem transformar oxigênio em gás carbônico.
O momento que estamos vivendo é impa. Nossa geração nunca viveu uma crise econômica do capitalismo tão profunda e grave com a atual, talvez em proporções bem maiores que a de 1929. Segundo Gramsci, é nesses momentos que a burguesia utiliza a política do “transformismo”, isto é, na impossibilidade de atender minimamente as necessidades básicas do povo pobre, ela opta por cooptar suas principais lideranças que tentarão legitimá-la junto aos pobres. A parceria CUFA/Globo/UNICEF não é atoa, assim como será atoa a parceria Racionais/ Nike, caso se consolide. Em fim, quanto maior a crise maior será a tentativa de cooptação.
Os Estados Unidos, durante o governo de Clinton, enfrentou uma crise de grandes proporções que afetou principalmente a população negra, latina e feminina daquele país e o que fez o governo? Simplesmente criou diversas “secretarias simbólicas” com representantes desses setores, não para elaborar políticas para reverter a penalização de suas demandas sociais, mas para legitimar os ataques do governo. Entretanto, a questão, a saber, é até onde eles podem ir? Pois, as crises pressupõem também escassez de recursos e de fato muitas ONG’s estão quebrando em decorrência dela. Essa é a sinuca de bico que a periferia e seus organismos políticos se encontram afinal.
Assim que Lula assumiu, o intelectual e militante de esquerda, James Petras, anunciava que havia dois setores fundamentais que FHC não conseguiu controlar definitivamente durante o seu governo: um era os sem-terras e o outro era os favelados. Palmas para Lula!!!. A questão da reforma agrária simplesmente saiu da pauta, o MST recuou como nunca. No Maranhão estão mobilizando suas bases sociais em favor do corrupto e pró- agronegócio governo de Jackson Lago , mas não estiveram juntos aos professores na época que estes estiveram em uma heróica greve contra esse mesmo governo. Por outro lado, a política de assentamento do governo Lula é tão ridícula quanto à de FHC, mais de 90% do crédito agrário deste governo vai para o agronegócio, enquanto os pequenos agricultores endividam-se.
Em relação aos favelados, ao mesmo tempo em que o governo bate (com o fortalecimento do Estado policial) ele assopra (com o financiamento de ONG’s de Hip Hop). Infelizmente, a mais importante força política da periferia, ou seja, o Hip Hop é uma das principais vitimas do “transformismo” da burguesia na atualidade.

É preciso Recompor as Forças

O Racionais já cumpriu seu papel político; despertou a consciência crítica de milhões de jovens negros e pobres deste país, o que não os isentam de críticas. Que eles optem entre viver de cabeça erguida com a periferia ou morrer de joelhos dobrados perante a burguesia.
Para a periferia o que está em jogo no momento é sua sobrevivência política. Tanto nós quanto o capital precisam recompor suas forças diante da crise e só um conseguirá ser exitoso. Para a burguesia, resta aumentar a exploração sobre os pobres, destruir direitos sociais, pressionar o governo a desviar verbas públicas para o setor privado e como remédio letal mais polícia para a periferia.
Segundo dados da própria ONU, o dinheiro que já foi desviado dos cofres públicos para salvar capitalistas falidos só durante essa crise daria para resolver o problema da fome em todo mundo por 16 vezes. No Brasil Lula já injetou mais 360 bilhões de reais para salvar banqueiros, latifundiário e demais capitalistas falidos, enquanto que na educação já promoveu um corte de quase mais de 2 bilhões de reais.
A saída da crise para a burguesia significará mais barbárie capitalista para a periferia. Não é atoa que no congresso está tramitando um projeto que autoriza as forças policias a adentrarem em qualquer casa sem mandato de busca. É evidente que isso já acontece na velha perifa, mas caso o projeto seja aprovado isso ocorrerá com mais freqüência. Esse é só mais um projeto de criminalização da pobreza que se ampliará com a crise.
Para a periferia e a classe trabalhadora em seu conjunto está colocada à possibilidade histórica de ruptura com o capital, não haverá saída por dentro das estruturas.
E para isso não nos resta outra saída a não ser organização política e coletiva. Como diz o rapper P.R.C. do Quilombo Urbano “o coletivo é o bem maior/ antes junto do que só”. Que as organizações de Hip Hop retornem as suas bases sociais com urgência, que transformem suas ONG’s em movimentos sócio-políticos independente dos governos e do capital, pois as ONG’s nada mais é do que “o braço solidário do imperialismo” para ganhar as bases sociais dos movimentos revolucionários para o Estado. Que os grupos de rap de ponta sejam mais solidários com a periferia de fato, na ação cotidiana e não só nas músicas. Que compreendam que são menores que as necessidades coletivas da periferia.
Permitir que os negros desabafassem culturalmente suas angustias, era a tática defendida nos sermões do reacionário Padre Antônio Vieira durante a escravidão, pois ele, sabiamente, acreditava que assim a possibilidade de revolta escrava seria bem menor. Será mesmo que o Hip Hop vai ser esse remédio terapêutico que o capitalismo tanto precisa nesse momento de crise para evitar que a bomba “H” (humana) da periferia exploda em suas mão, eu particularmente espero que não.
É importante que entendamos que a periferia é bem maior que nossos amigos da “Vida Loka” e que cada decisão tomada a partir de agora é como se estivéssemos aos 45 do segundo. Se seremos salvos e perdoados é outro assunto, porém não podemos deixar que nossos sonhos coletivos sejam crucificados por “nomes estrangeiros que estão em nosso meio pra matar, M.E.R.D.A.”

São Luís-Maranhão-Brasil 20 de Dezembro de 2008.

Hertz é militante do Movimento Hip Hop “Quilombo Urbano”, vocalista do grupo de rap Gíria Vermelha.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

EMOÇÃO, SUPERAÇÃO E RESISTÊNCIA MARCARAM AS ATIVIDADES DA 3ª MARCHA DA PERIFERIA E DO 19º FESTIVAL DE HIP HOP EM SÃO LUÍS.

“Esses eventos para mim foi tão importante quanto à fundação da CONLUTAS”, assim o rapper Moita Brava do grupo Reviravolta descreveu as vitoriosas atividades da 3ª Marcha da Periferia. O também rapper do grupo Raios-X Nordeste Preto Roob chegou a chorar quando tocava na UFMA no encontro da ANPUH ao relatar as dificuldades para realizar a Marcha da Periferia em meio a tanto jogo sujo do governo Jackson e seus capitães do mato de bombeta e calça larga “eles querem destruir o que a juventude negra deste Estado vem construindo há quase 20 anos, mas não vão conseguir”. Esse na verdade foi o sentimento que tomou conta de todos que construíram e participaram na 3ª Marcha da Periferia e do 19º Festival de Hip Hop realizados no dia 21 de Novembro, emoção e superação.
Motivos não faltaram para isso. Mesmo com todo o aparato governista, a cufa, o favelafro e outras entidades de Hip Hop governista não conseguiram inviabilizar a participação da juventude negra e pobre na Marcha da Periferia. Centenas de pessoas caminharam no centro comercial e histórico de São Luís denunciando o racismo, o capitalismo, as ocupações militares nas comunidades pobres e exigindo Reparações Já para a população negra. Além das várias organizações de São Luís como o Quilombo Urbano, Realidade do Gueto, CONLUTAS, CONLUTE, APRUMA, SDMDDH e o PSTU estiveram presentes também representantes do Hip Hop de Fortaleza-CE, Teresina-PI e Caxias-MA, bem como do Sindicato ANDES que tem sido criminalizado pelo governo Lula
As falas no geral denunciavam o absurdo repasse de 47 bilhões de reais do governo Lula para salvar banqueiros falidos enquanto o mesmo fortalece cada vez mais o aparato repressivo nas periferias, especialmente através da Força Nacional de Segurança. Educação, saúde, emprego, o fim do racismo e das ocupações militares das periferias foram algumas exigências feitas pelos pelo conjunto do movimento.
A militante do Quilombo Urbano e vocalista do grupo Q.I. Engatilhado Preta Lú chegou a se emocionar e a emocionar a todos ao relembrar o sofrimento que ela , seu companheiro (P.R.C) e sua filha que se encontrava adoentada, passaram uma semana antes da Marcha da Periferia em um hospital público de São Luís, o Materno Infantil, e enfatizou “é aqui que o verdadeiro Hip Hop Militante tem que ta e não encastelado em encontros financiados pelos assassinos do povo negro”.
Na realização do 19º Festival Hip Hop Zumbi o tom de indignação e emoção foi mantido. Mesmo com a Mega estrutura montada nas proximidades do Circo da Cidade para realização do festival de Hip Hop da cufa e do favelafro no sentido de desarticular o Festival de Hip Hop- Zumbi do Quilombo Urbano, centenas de jovens optaram em incorporar-se a resistência anti-governista e revolucionária. Alguns que vieram para o encontro governista, ao perceberem o jogo sujo por trás deste evento, também resolveram romper e aderir a Marcha da Periferia, ao 19º Festival e até a participar da reunião para construção de uma nacional de Hip Hop Militante. Um desses militantes chegou relatar indignado que “aquilo lá é só comédia, teve mesa lá que era só gente do governo falando de Hip Hop”.
Um dos momentos máximo do Festival de Hip Hop do Quilombo Urbano foi a apresentação do grupo Gíria Vermelha que fez uma prévia do lançamento do seu primeiro CD “A Hora do Revide” marcado para o dia 19 dezembro. A primeira tiragem do referido CD esgotou em menos de três dias.
Contudo, o mais importante neste evento foi a participação dos quase vinte grupos de Hip Hop que rejeitaram o cachê e a estrutura do festival governista para se apresentar no Festival Hip Hop- zumbi sem receber um único centavo. Uma demonstração de que é possível fazer Hip Hop militante, independente dos governos e comprometido de fato, no discurso e na ação, com a periferia.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

A Parábola da Cigarra e da Formiga - HIP HOP: quem éramos e quem somos?


Recordo-me certa vez quando estive em São Paulo, meados da década de 90, para fazer uma visita à minha família e conhecer um pouco mais o HIP HOP de São Paulo e aconteceu um episódio interessante que pode ilustrar um pouco o que quero refletir. Lembro-me que fui a um baile, na radial Leste ? saída do metrô Tatuapé (se não me engano) num momento que estava bombando o grupo ?Potencial 3?. Fui com um irmão e mais dois amigos que não gostavam de rap e sim de pagode (lá nesse clube, que não lembro o nome, tocava samba-rock). Eles compraram cervejas e me ofereceram. Eu não aceitei. Foi aí que aconteceu o principal dessa minha história. Um dos amigos disse o seguinte: - vocês do Hip Hop são tudo assim, sério! Não gostam de ficar vacilando! ...
Bom, certamente a moral dessa história não tem nada a ver com bebidas (apesar deu achar que a favela devia repensar o consumo de drogas, lícitas ou ilícitas, numa perspectiva não moralista, mas social - estamos nos matando!) e, também, certamente o meu amigo estava errado com relação a avaliação dele só por que eu não aceitei uma bebida.
Mas, então, qual é questão? O centro dessa historinha está no fato de haver uma imagem em relação ao HIP HOP de extremo respeito, de acreditar que nós tínhamos uma linha de radicalidade, de coerência, de idéias corretas a serem transmitidas, de seriedade e compromisso com a periferia. Isso era mentira? Com certeza não!
Quem não se lembra dos Racionais rejeitando o dinheiro da Globo e das gravadoras multinacionais, me lembro claramente das organizações de HIP HOP do Nordeste tentando organizar uma Aliança (RIMA DE CIMA) revolucionária e discutindo se o problema era de raça ou de classe. Hoje sabemos que não é nenhum, nem outro, mas os dois (sem esquecer do machismo). Recordo-me do movimento HIP HOP organizado do Ceará chegando no Maranhão com uma camisa com o rosto do Che Guevara e uma inscrição em baixo dizendo: POBRES VS RICOS.
E aí manos? Esqueceram! Hoje não é mais isso, mas sim: POBRES EM ALIANÇA COM OS RICOS. É só observar os acordos com o Banco Mundial, com a Rede Globo, com essas Organizações Não(?)-Governamentais estrangeiras que retiram dinheiro de seus governos enchem os bolsos para fazer turismo e dão uma migalha pra gente fazer Projetos(?), oficinas (desde que não se faça críticas é claro); é só observar também os acordos com o governo LuLa que enviou tropas para o Haiti pra massacrar a negrada daquele país. Só pra lembrar foi no Haiti que ocorreu uma das primeiras Revoluções Negras da América dizendo claramente pro mundo que os pretos daquele país podem resolver seus problemas sozinhos (Com nossa solidariedade e não com nossas armas). Só para avisar: ocorrem atualmente naquele país com a liderança do Brasil de Lula assassinatos, estupros, infanticídio, etc... Aí mano! Me recordo também de um lema importante: ?É quatro P: poder para o povo Preto?. Estamos entregando o HIP HOP a Burguesia Branca? Luciano Huck é preto? Os donos da MTV, da Globo, que controlam as Ong?s estrangeiras, que controla o FMI, o Banco Mundial, o UNICEF, a UNESCO, O Criança Esperança, são pretos, pobres, trabalhadores ou brancos burgueses ( se tiver algum preto burguês também não é nosso aliado como a exemplo do secretário geral da ONU) ?
Hoje o que temos: o MV BIL é o nome do HIP HOP nacional, o artista (como ele mesmo afirma) de responsabilidade social que pediu desculpa a Didi (o trapalhão) e ao Criança Esperança. Temos a Negra Li, a grande representante do rap feminino, que vai fazer uma plástica no nariz. Será que é pra engrossar? Pra ficar parecido com uma preta africana? Ou é pra ficar tipo Michael Jackson com nariz afilado, tipo um branco. O homenageado do ano, prêmio HUTUS, foi o Helião! Desculpa aí GoG eles não sabem o que fazem! O que temos hoje: o D2 que sai do PLANETA MACONHA pra pagar de rapper. Ganhou o prêmio de melhor MPB da MTV e ainda subiu no palco para dizer que odeia MPB ? ele odeia sua própria música? (ridículo!) Temos movimento Hip Hop organizado brasileiro que a sua direção é (quase) toda de um mesmo Estado ou organização, 3 ou 4 (e não tem mais ninguém) que viajam o mundo inteiro às custas de nossa miséria e do dinheiro das Ong?s e Multinacionais: são os ongueiros e interneteiros (gigolôs da miséria humana). Outra coisa: já repararam que os grupos do Nordeste que ganham prêmio no Hutus são sempre os que estão ou com o governo Lula ou apareceram na Globo (mesmo que seja nas emissoras regionais)? Aliás o que os personagens que acabamos de citar tem em comum: todos são afilhados adotivos da Globo! É a ?favela Pop? como diz a revista veja? O HIP HOP agora tem um dono? Quem éramos? Quem somos?
Continuamos pobres, pretas e pretos, faveladas e favelados, periféricos, trabalhadoras e trabalhadores, organizando e transmitindo mensagens positivas. O HIP HOP é aquilo que eu citei ?. Com certeza não! Mas aquele projeto venceu (por enquanto) um projeto verdadeiro, o da essência, da raiz do HIP HOP: INDEPENDENTE, AUTÔNOMO, TRANSFORMADOR. Mas a maré vai virar, o povo pobre sempre revida!
O projeto do HIP HOP militante vai dar certo? É a história que tem que dizer! Uma coisa posso adiantar o projeto desses caras que tão na Globo, com a MTV, com organismos multinacionais da burguesia, com as grandes gravadoras tem demonstrado seu fracasso pois não tem base social, a não ser pela intensa propaganda alegórica da TV e pelo rios de dinheiro que estão sendo colocados nas favelas e periferias para fazer projetinhos assistencialistas sem nenhuma perspectiva de crítica ao sistema que nos excluí. E não me venha com essa história de que se está pegando o dinheiro da burguesia pra utilizar contra ela. Aí mano! ?o mal do esperto é achar que o outro é otário?.
O projeto de HIP HOP militante e revolucionário só esboçou sua formação e foi veementemente atacado pelos aparelhos da burguesia, mas nós não morremos! Como na parábola da Cigarra e da formiga, nós tamo aí! Firmes e fortes, só observando o cantarolar da cigarra, carregando até o dobro do nosso peso e não parando de trabalhar. Um dia a maré muda, estamos fazendo de tudo pra isso acontecer, quando ela mudar: HÁ, HÁ, HÁ, !!!! pra burguesia e seus lacaios, vão ter que se ajoelhar e rezar!
Por último, quem sou eu? me chamo Verck de São Luís do Maranhão, rapper do grupo Gíria Vermelha, treinado e ensinado pelo Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão QUILOMBO URBANO, intransigente do Lado NORTE-LESTE contra a burguesia sem trégua e nem recúo!!!!!
(Ei mano, um último aviso! Se quiser voltar para o lado certo, a porta está aberta, precisamos sempre de um aliado depois de uma autocrítica).

domingo, 6 de janeiro de 2008

Polícia Racista em São Luís-MA persegui integrantes do Mov. Hip Hop


Polícia Racista em São Luís-MA persegui integrantes do Mov. Hip Hop
Por Artêmio Costa 24/07/2006 às 15:03


A polícia age de forma truculenta no Bairro da Liberdade/Fé em Deus contra integrante do Movimento Hip Hop. Em consequência, os mesmos protestaram nesta última sexta-feira (21) denunciando ato de racismo, violação de direito de propriedade e derespeito aos direitos humanos.


Na última Sexta-feira três integrantes do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão, denominado "Quilombo Urbano" denunciaram um ato sofrido de Racismo e levaram o caso para o conhecimento da sociedade através de um ato-protesto em frente ao Governo do Estado.

Logo em seguida, esteve presente o Comandante Geral da Polícia Militar do Maranhão que agendou uma reunião com as vítimas no Comando Geral da Polícia Militar que será realizada hoje (24).

As vítimas reafirmaram que os protestos não irão acabar e que as medidas devem ser em desenvolver ações populares contra qulquer tipo de agressão.

VEJA ABAIXO A ÍNTEGRA DO DOCUMENTO APRESENTADO POR UMA DAS VÍTIMAS:

MOVIMENTOS SOCIAIS ORGANIZAM ATO REPUDIANDO AÇÃO RACISTA DA POLÍCIA MILITAR CONTRA MILITANTES DO MOVIMENTO ORGANIZADO DO MARANHÃO HIP HOP ?QUILOMBO URBANO?


No último dia 15 de julho, sábado, Hertz da Conceição Dias, Professor, Reginaldo Neves Rocha, estudante e Afonso Henrique Vale Coqueiro, cabeleireiro, todos militantes do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão ?Quilombo Urbano?, sendo Hertz também filiado democrático ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), foram vítimas de mais uma ação truculenta e racista da polícia militar do estado do Maranhão.
O fato ocorreu no bairro da Fé em Deus, por volta das nove horas da noite de sábado (15 de julho), quando os três retornavam da residência dos familiares de Júnior ?Negro Drama?, vítima fatal de acidente automobilístico que seria homenageado pelo Quilombo Urbano em um baile de Hip Hop no dia 16 de julho (Domingo).
As vítimas se encontravam dentro de um veículo Corsa Classic ano 2006 conduzido pelo seu proprietário Hertz, quando inesperadamente quatro policiais abordaram o veículo, apontando armas na direção das cabeças dos mesmos e, bradando de maneira ameaçadora, exigiam que todos saíssem do veículo. Atendida as exigências dos policiais descontrolados e despreparados, Hertz questionou-os pelo tipo de abordagem, afirmando que ali não se encontravam criminosos e que o carro tinha procedência legal. A resposta deu-se com empurrões, algemas nos braços, seguidos de soco no tórax e nas costas, desferidos pelo policial identificado como Eliton José da Silva.
Reginaldo ao questionar a detenção e espancamento do companheiro, também foi algemado e ameaçado de receber o mesmo tratamento dispensado a Hertz. Não demorou muito e centenas de pessoas aglomeraram-se no local manifestando-se contra ação truculenta da polícia, que logo acionaram mais seis viaturas, estabelecendo um clima de tensão no local do acontecimento. Como bem frisou bem frisou um morador ?parecia que estavam vindo pra uma guerra?. A mãe de Afonso, vendo a confusão, dirigiu-se aos policiais pedindo que não agissem daquela maneira e novamente a resposta não foi diferente, Dona Elísia Brasilina, foi ameaçada de agressão , desta vez pelo policial Valmir Costa Ferreira que logo em seguida efetuou a detenção de Afonso.

RACISMO, VIOLAÇÃO DE DIREITO DE PROPRIEDADE E DESRESPEITO AOS DIREITOS HUMANOS.

O racismo na ação empreendida pelos policiais ficou tão evidente que os mesmos nem sequer pediram os documentos pessoais das vítimas e nem do veículo apreendido, além de reagirem com ironia quando Hertz se identificou como professor de História, pois em suas cabeças racistas, negros não podem possuir propriedades nem muito menos ter formação universitária, ainda mais transitando em bairros de periferia, de tal forma que um dos policiais chegou a fazer o seguinte questionamento ?vocês queriam o que, ser abordados com flores??.
Após o show de violência, desrespeito aos direitos humanos e com as vítimas algemadas dentro da mala de uma das viaturas, alguns policiais chegaram a fazer gestos obscenos para os populares que desaprovaram suas atitudes racistas. Um outro policial, não identificado, adentrou o veículo de Hertz e conduziu-o até o Plantão Central da Beira-Mar, este ato, portanto se caracteriza como violação de direito de propriedade, já que não caberia a polícia militar tal procedimento.

TRUCULÊNCIA, ARROGÂNCIA E ABUSO DE AUTORIDADE

Ao chegarem ao Plantão Central da Beira-Mar, o tratamento dispensado não foi diferente. As vítimas continuaram algemadas, sem direito a telefonarem e sem poderem falar ou se aproximar de familiares e amigos que também foram ameaçados e tratados com arrogância, inclusive por parte do delegado de polícia. Dr. Mauro Bordalho Mendonça que impunha sua próprias regras em um espaço público como se fosse seu feudo particular, um procedimento que lembra os anos de chumbo da Ditadura Militar.
Certamente que esta não foi a primeira e nem muito menos a mais violenta das ações policiais naquela localidade que padece pela falta de infra-estrutura, escolas, saneamento básico, áreas de lazer, empregos, em fim, com o total descaso dos poderes públicos que direcionam investimentos apenas para aparelhamento repressivo das polícias. No dia seguinte, inúmeros moradores passaram a relatar que também já foram vítimas da violência policial, especialmente na Rua da Vala/Fé em Deus. Todos afirmam que nunca denunciaram por temerem represálias ou por que geralmente os policiais não usam insígnia de identificação.
Cabe ressaltar, que o Quilombo Urbano têm desenvolvido inúmeras atividades com jovens da área Liberdade/Fé em Deus, no sentido de estimular a auto-organização da comunidade através do diálogo político-cultural do Hip Hop, bem diferente da polícia que nos bairros de periferia tem praticado apenas o diálogo das armas e da força bruta.
Compreendendo que esta ação policial exige uma reação imediata de todas as organizações populares e movimentos sociais que lutam pela eliminação dos resquícios escravagistas, que permanecem enraizados no aparato repressor do Estado, alimentando a estrutura psicológica racista de policiais que vêem em todo negro um criminoso em potencial, convidamos todos a participarem do ato RACISMO NUNCA MAIS, que acontecerá no dia 21 de julho, sexta-feira, a partir das 09 horas da manhã em Frente ao Palácio do Governo na Praça Pedro II.

ASSINAM O DOCUMENTO

Movimentos Hip Hop?s: Quilombo Urbano, Força Gueto, Realidade do Gueto, Grupo de Mulheres Negras Mãe Andreza, Grupo de Mulheres Preta Anastácia, Centro de Cultura Negra do Maranhão, Bancada Hip Hop do Barreto; Rádios Comunitárias: Conquista FM, Atividade FM, Liberdae FM; Sindicato dos Urbanitários, APRUMA, CINDACS DCE-CEFET, CAFIL-UFMA, SMDDH/MA, PSTU, PSOL, CONLUTAS, CONLUTE.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Fora a Força Nacional do bairro da Liberdade.



p/ Sonianke Malinks

Mais uma vez o governo racista do sr° Jackosn Lago tenta manipular a verdade sobre a real situação do bairro da Liberdade, através, o sr: Melo*, comandante da policia militar que deu uma entrevista ao programa Fala e Debate, fazendo a seguinte afirmação: “O problema do bairro da Liberdade já foi diagnosticado; drogas, armas e os bares que ficam abertos até altas horas. Resolvendo essas três questões, o problema da Liberdade esta resolvido”. Querendo impor mais uma vez o famigerado toque de recolher. Infelizmente o que esses senhores que estão a serviço da burguesia estão tentando fazer e desviar a atenção da população que viu a periferia organizada na 2ª Marcha da Periferia, exigindo emprego, educação e reforma agrária. A visão racista e discriminatória da burguesia, acha que o problema da Liberdade é simplesmente trafico de drogas, fazendo de conta que não conhece a real problemática que se encontra no bairro, um bairro de contingente negro que só recebe a ação do Estado através do seu braço punitivo e repressivo, que através da mídia burguesa tenta camuflar a violência e as mazelas desse estado, que tem nos obrigados a aceitar o seu sistema opressor através da força policial e com um racismo sustentado pelos empresários do setor comercial que exclui a população negra e pobre da Liberdade do mercado de trabalho. Hoje a Liberdade está envolvida com uma violência imensurável causada pelo poder público onde não vemos seu braço social (escolas, postos de saúde, saneamento básico, espaços recreativo e geração de emprego e renda) e sim o seu braço repressivo (força nacional, 1000 novos policiais, força tática, etc...) para nos impor o seu sistema racista e opressor. A história não nega esses fatos, como mostra o professor de história contemporânea Jose Maria Nunes
Pereira*; "Nas colônias de exploração, a presença do colonizador manifesta-se essencialmente por meio de um enquadramento militar e polícial, por meio de uma estrutura administrativa de cúpula". Isso mostra que ainda estamos num estado colonizador e racista que segrega a população negra e pobre da Liberdade e do Brasil. NÃO QUEREMOS POLíCIA, essa polícia racista que ai esta não resolve, QUEREMOS POLíTICAS PÚBLICAS:

• Queremos geração de emprego e renda, o fim do racismo sustentado pelo setor empresarial que não contrata moradores do bairro da Liberdade excluindo os negros do mercado de trabalho.

• Queremos postos de saúde com qualidade e com um atendimento humanitário e diferenciado para a população negra e que as pessoas não tenham que dormir nas filas para marcarem consultas.

• Queremos escolas de boa qualidade e que cumpra com a lei n°10,639/03,
que institui obrigatoriamente o ensino de História da África no ensino fundamental e médio.

• Queremos saneamento básico, quadras poliesportivas, bibliotecas públicas e espaços para desenvolver cultura e lazer.

• Queremos eleição direta entre os membros comunitário para se fazer um policiamento comunitário que saiba realmente qual é o problema do bairro e que não precise da força armada contra a juventude criminalizada.

Posse de Hip Hop Liberdade Sem Fronteiras
QUILOMBO URBANO-MA.

*Jose Maria Nunes Pereira historiador do nucleo de estudos afro-asiaticos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O Hip Hop, a Esmola e os Mendigos Políticos.


O Hip Hop, a Esmola e os Mendigos Políticos.


Enquanto nos dirigimos ao branco, mendigando com o
chapéu na mão nossa emancipação, estaremos lhes
dando mais autorização para que continue com seu
sistema racista e opressor. Quando alguém se recusa a
fazer exigências e preferi ir á mesa-redonda mendigando
sua libertação, estará traindo o desprezo daqueles que
tem poder sobre ele. por isso precisamos rejeitar a tática
de mendigos que estamos sendo forçados a usar por
aqueles que querem aplacar nossas senhores cruéis, é
aqui que a mensagem e o grito da SASO: “negro você
está por conta própria” se torna relevante ( Steve Biko
Escrevo o que eu quero p. 133).

Esse trecho de Steve Biko é tão atual que parece que foi escrito ontem. E é essa atualidade que nós faz refletir sobre as táticas que no presente o velho capitalismo através de seus velhos novos representantes utilizam para controlar o movimento Hip Hop e por tabela a juventude negra das periferias do Brasil.
antigos militantes do Hip Hop que hoje estão acorrentados ao dinheiro do governo Lula, da burguesia branca e do imperialismo norte-americano através de seus organismo ( Banco Mundial, UNESCO, Rede Globo, Criança Esperança) tem criado a ilusão de que “se juntando ao inimigo poderemos derrota-los”. Mas eles apenas difundem essa ilusão entre os desinformados, pois no fundo sabem que isso e impossível. Usam a juventude em proveito próprio, pois tem dinheiro sujo jorrando na jogada.
Nos últimos vinte anos o Hip Hop desencadeou um processo de organização e conscientização da juventude deste país de deixar Roberto Marinho, Silvo Santos, Bispo Macedo, e toda a corja que controla os meios de comunicação de queixo caído.
Mas, assim como no Brasil colonial, o Hip Hop também criou seus capitães do mato, ou seja, os pretos que atuam por dinheiro por dentro do Hip Hop a serviço dos senhores de engenho do grande capital, para combater a resistência que o imperialismo e a burguesia brasileira não conseguiram destruir durante todo esse tempo.
Parece mentira, mas tem ONG de Hip Hop que para continuar recebendo dinheiro do “ criança esperança” e do governo Lula, finge não ver as atrocidades que o exercito brasileiro está cometendo contra os morros do rio de janeiro para garantir a “segurança” playboyzada que veio assistir o PAN e curti as praias daquele esta. Pretinho tem que ficar quietinho no morro até o PAN acabar, enquanto os dólares transitam livremente no mercado pan-capitalista do asfalto.
Ao invés de denuncia tudo essas ong´s esmoleiras preferem se unir ao inimigo e bater um basquete ao som do rap num guetinho qualquer que os organizadores do PAN reservam para que não fiquem chateados. Malcolm x realmente tinha razão “ a divida é uma passo para a escravidão”.
Ironia a parte, o que esses senhores, ou melhor, esses capitães do mato de calça larga e bombeta estão fazendo com a juventude negra é um CRIME.
Pior ainda é saber que o Hip Hop virou caça-níquel de ongueiro. muita gente. muita gente que tinha se afastado do Hip Hop, da militância política, ou mesmo aqueles que nunca viram co bons olhos o visú e a indignação do discurso do Hip Hop, agora tão do tipo urubu sobrevoando a favela vista como se fosse uma bela carniça folheada de ouro. Quem disse que pobreza, violência, racismo e não da dinheiro?
Certamente vão te oferecer gravação de CD no estúdio da desinformação, spray pra fazer grafite no murro da prisão as tua consciência ou um passaporte para dançar break na roda da ilusão.Fique atento parceiro, pois quando a esmola é muita o santo desconfia. Nada disso vem de graça.
Será mesmo que esse povinho merece ser chamado de Hip Hop? Steve Biko nos ensina que nem todo mundo que tem a pele escura tem negritude. A negritude para ele dependia do posicionamento político do individuo. Quem fosse conivente com o governo racista, independente da cor de sua pele, para ele não passa de um traidor.
O mesmo cabe para o Hip Hop no momento atual. Ser do Hip Hop não e só saber cantar rap, dançar break e fazer grafite. Quem ta fazendo isso a serviço do inimigo não ta fazendo Hip Hop, mas sim pilantragem. Pelo fato de terem colocado suas cabeças a venda tão facilmente, acreditam que todo mundo também esta a venda. E a sua quanto vale?
lembre-se o Hip Hop no maranhão sempre se mostrou como resistência a tudo isso, uma pedra no sapato do Hip Hop Cinderela e seus financiadores.
Em todos os estados do Brasil sempre houve uma aposta no Hip Hop do maranhão. Somos um dos poucos estados do Brasil que consegue, na atualidade, fazer importantes atividades sem dinheiro sujo de ongueiro, governo ou da televisão.
Mas o efeito el nino que reduziu o Hip Hop militantede outros estados as cinzas, quer também pulverizar o Hip Hop do maranhão, para transforma militantes sérios em mendigos políticos.
Desconsideram nossas lutas, nossas conquistas, nossas derrotas, nossas vitórias, nossas correrias cotidianas, em fim desconsideram toda nossa história.
Não parceiro, o Hip Hop não é um cofo de farinha aonde qualquer um vem de qualquer lugar e mete a mão de qualquer jeito. E nem muito menos periferia é um grande mercado de compra e venda de consciência política. Há séculos atrás os traficantes de escravos negociavam nossas cabeças em praça pública, agora querem negociar nossas consciências.
Mais do que nunca é necessário construir a resistência para que o Hip Hop do maranhão não se transforme em mais um produto cultural nas mãos dos mendigos políticos do capitalismo. Dizer um não bem grande a essa corja de oportunista é antes de tudo também dizer um sim a resistência da periferia e seguir em frente na luta contra a playboyzada, o governo e o imperialismo que estão financiando os novos capitães do mato do Hip HOP Brasileiro.
Como dizia Steve Biko “NEGRO VOCÊ ESTÁ POR CONTA PRÓPRIA“.

MOVIMENTO DE HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO “QUILOMBO URBANO”

Manifesto às Organizações do Hip Hop Brasileiro.

Manifesto às Organizações do Hip Hop Brasileiro.
Por Hertz Dias “Libriano Loko”

"diante do quadro que se apresenta, com a total desmoralização do congresso nacional, do governo federal, dos PT e o aparelhamento institucional do Hip Hop Nacional, seria covardia de qualquer que seja a organização de Hip Hop deste Brasil em se furtar de opinar sobre o cenário político que se abre"
Manifesto as Organizações do Hip Hop Brasileiro

Pretendemos com este manifesto iniciar um debate com todos (as) que estão engajados nas mais diversas organizações de Hip Hop espalhadas pelo Brasil. Mesmos cientes de que somos parte de uma geração, majoritariamente, avessos aos debates políticos, não podemos, porém, perder o bonde da história. É preciso ter coragem e maturidade pra encarar os debates e apontar alternativas políticas para a juventude de periferia. Afinal de contas, o Hip Hop é hoje uma realidade política e cultural existente nas periferias brasileiras. E diante do quadro que se apresenta, com a total desmoralização do congresso nacional, do governo federal, dos PT e o aparelhamento institucional do Hip Hop Nacional, seria covardia de qualquer que seja a organização de Hip Hop deste Brasil em se furtar de opinar sobre o cenário político que se abre. Portanto, este manifesto não pretende esgotar o debate apenas provoca-lo.

Dos anos Oitenta ao Século Vinte e Um...

O inicio da década de 80 foi um marco histórico para as periferias brasileiras. Foi à década em que o Hip Hop, com todos os seus elementos, adentrou lares e mentes da juventude das nossas periferias. Em meio ao apodrecimento político das estruturas do regime militar, nascia o Hip Hop, como instrumento de resistência negra em pleno ascenso dos movimentos sociais do Brasil. Foi, também, à década do nascimento da CUT, do PT e do MST. Respectivamente, a maior central sindical, o maior partido de trabalhadores e o maior movimento social da América Latina. E não por acaso, nascia, ainda que de forma espontânea, um dos mais politizados movimentos Hip Hop do mundo, o brasileiro. Enquanto a Europa vivia uma conjuntura de refluxo político, desarticulação dos movimentos sociais de massa e institucionalização das esquerdas reformistas; o Brasil apontava pra ruptura política, com ação direta dos movimentos sociais. Basta lembrar que em 1989, o PT lançava a candidatura de Lula que, de conjunto, unificava as esquerdas brasileiras e os movimentos sociais com um programa anticapitalista, que se confrontava com os interesses do imperialismo euronorteamericano e encurralava os grandes capitalistas nacionais e internacionais. Muitos dos quais lançaram uma carta ameaçando se retirarem do Brasil caso Lula fosse eleito. Não dar pra negar! O Hip Hop sofreu, em maior ou menor grau, as influências políticas daquela conjuntura. No Brasil, nós estávamos pra a radicalização dos movimentos sociais (não confundir com ONG) da mesma forma como o Hip Hop norte-americano estava para a radicalização das organizações negras daquele país como os Panteras Negras e Nação do Islã ou mesmo da aproximação destes com as organizações comunistas daquele país. Contudo, há um diferencial qualitativo nesta comparação. O Hip Hop norte-americano já ganhava notoriedade entre os fins da década de 80 e inicio da década de 90. Enquanto no Brasil, estávamos apenas dando os primeiros passos políticos. De tal, forma que foi necessário para o grande capital estabelecer uma estratégia de desarticulação política e enfraquecimento da resistência negra engendrada pelo Hip Hop norte-americano. O Public Enemy, por exemplo, herdeiros dos Panteras Negras, tinham como propósito organizar dezenas de milhares de ativistas negros por toda a América. Tal como os Panteras Negras alguns grupos de Hip Hop norte-americano tinham clareza da necessidade dos oprimidos e explorados se organizarem e resistirem em âmbito internacional. Os clip´s do Public Enemy eram indigestivamente engolidos pela MTV. Outros grupos como o De La Soul, NWA, Ice-T, traduzia-se em uma faca de dois gumes para o mercado fonográfico imperialista. Portanto, era necessário absorvê-los, haja vista a necessidade de expansão do capital norte-americano diante da nova situação mundial advinda da queda do leste europeu, do fim da União Soviética e, portanto, fim da guerra fria e inicio da chamada era da globalização ou mundialização do capital. Qual seria então a tática a ser adotada? Diante deste dilema, as gravadoras multinacionais, a grande mídia e o governo norte-americano articularam o que Chuc-D, lider do Public Enemy, denominou de lobotomia do Hip Hop, ou seja, é como se tivessem arrancado parte do cérebro do Hip Hop norte-americano destruindo a memória histórica de um movimento de resistência negra e antiimperialista, nascido por dentro e diretamente contra o coração do maior império capitalista da história da humanidade. Neste sentido, a equipe médica da operação lobotomia receitou o gangstar rap, a ostentação, a quebra dos selos verdadeiramente alternativos, as drogas e as rivalidades entre regiões (Costa leste X Costa Oeste) etc. Era a exigência que o mercado fazia para mundializar o Hip Hop norte-americano e transformá-lo em mais uma cultura do capital. Para se ter uma idéia, hoje nos Estados Unidos existe grupos de rap que recebem milhões por cada vez que citarem o nome do MC Donald em suas músicas. Já no Brasil, um dos maiores mercados fonográficos do mundo, as grandes gravadoras, de inicio, não despertaram grande interesse pelo rap. Daí o surgimento de inúmeros selos “alternativos” por todo o país, especialmente, em São Paulo. O break, o Rap e o Grafite viviam no anonimato mercadológico, mas em contrapartida, ganhavam cada vez mais uma força política impressionante. Muitos grupos de rap que não chegavam a vender 10 mil cópias ficaram conhecidos nacionalmente. Era algo fenomenal e ao mesmo tempo incompreensível para aqueles que não conseguem pensar a cultura para além da lógica capitalista. Antes mesmo dos Racionais ganhar o prêmio da MTV em 1998, o grupo já era uma unanimidade entre os favelados do Brasil. Isso, mesmo nas regiões mais longínquas em que o povo nunca tinha ouvido falar MTV. Até a primeira metade dos anos 90 não tínhamos ainda força no mercado, apesar do crescimento, mas já exercíamos uma força política indiscutível no meio dos movimentos sociais e da juventude de periferia. Enquanto as esquerdas reformistas se institucionalizavam e aderiam ao receituário neoliberal (nas eleições 94 e 98 o programa do PT já não era mais o mesmo), os movimentos sociais enfraqueciam-se e as ONG´s entravam em cena pele disputa desesperados das migalhas do imperialismo e do governo; o Hip Hop por seu turno seguia firme e forte enfrentando e denunciando os mecanismos de repressão e censura, que mesmo com a dita “redemocratização”, permaneceram intactos nas periferias.
A derrota dos movimentos sociais e das esquerdas reformista para o grande capital, principalmente, durante os dois mandatos de FHC, não representou, necessariamente, um enfraquecimento ou refluxo político do Hip Hop nacional. Pelo contrário, o Hip Hop neste período, criou novos espaços de resistência política. Basta fazer uma visita ao baú e dar uma escutada na maioria dos grupos de rap da década de 90: Holocausto Urbano, Escolha seu Caminho e Raios-X Do Brasil; dos Racionais, Bem Vindos ao Inferno; Sistema Negro, Cada Vez Mais Preto; DMN, Dia a Dia da Periferia, Prepare-se, Da Trevas a Luz, GOG, São Paulo Está se Aramando, Comando DMC, Desligue Essa Porra; Desacato Verbal; Sub-raça, do Cambio Negra, só pra citar alguns. Era de fato a escola das ruas, onde se aprendia aquilo que os livros tentavam esconder da juventude favelada. Tudo isso por um fator bem simples: O Hip Hop não estava institucionalizado e ainda possuía uma relação conflituosa e desconfiada com o mercado fonográfico, não obstante a preocupação com a formação política empreendida por muitos H2O’s. No Norte e Nordeste, vários encontros foram realizados chegando a ponto de se iniciar a articulação de um selo autogestinário, envolvendo vários estados da região com o nome de Rima de Cima, para se contrapor à lógica do mercado fonográfico que, como prevíamos, poderia destruir grupos e movimentos. Pois, os primeiros cd de grupos de rap do Nordeste começavam a ser produzidos. Infelizmente, a proposta se diluiu no tempo e no aparato governista.
Toda essa relação, Hip Hop X Mercado e Hip Hop X Estado, deve ser considerada por que não estamos falando de relações impessoais. Por trás dos mercados, do Estado e dos grandes meios de comunicação encontram-se interesses de grupos sociais. E, esses interesses não são apenas mercadológicos, eles são também políticos e ideológicos. A relação do Hip Hop com o mercado é essencialmente política. Assim como a relação do Hip Hop com o Estado é essencialmente mercadológica. Política e mercado no capitalismo são faces de uma mesma moeda. A expansão do mercado capitalista depende de atitudes políticas (daí por que o neoliberalismo ser a filosofia da mundialização do capital).
Armaram a “casinha” e muitos entraram.
No Brasil, o único setor social que o governo não conseguia controlar definitivamente eram os favelados. Não por ser um setor mais consciente e organizado, mas devido à ausência de uma burocracia bem articulada que pudesse manter o controle político permanente dos favelados. Diferente dos trabalhadores formais, os favelados, em sua grande maioria desempregados, não possuem representantes burocráticos legais. E, a principal voz não-institucionalizada dos favelados (é) ra o Hip Hop. A Grande mídia tentou de todas as formas forjar ícones como Gabriel Pensador para o público do Hip Hop, mas não colou! Os favelados responderam com a projeção dos Racionais, GOG, Facção Central, Consciência Humana e muitos outros. Era desconcertante para a Globo ouvi os Racionais dizerem que não iriam cantar em emissora que apoiou a ditadura militar no Brasil. Seria, portanto, necessário forjar lideranças pelo telhado para tentar legitimar o controle dos favelados, principalmente no governo Lula, já que FHC foi uma figura excomungada e odiada pelo Hip Hop brasileiro.
Neste Sentido, nem governo, nem grande mídia e grandes gravadoras controlava-nos. Portanto, não controlavam a voz mais importante da periferia. Foi aí que juntaram esses três pilares, construíram a “casinha” e chamaram o Hip Hop para dentro. Os que se recusaram em entrar eram simplesmente ridicularizados. Não queriam ver a evolução do nosso movimento. Percebam que a entrada de vez do Hip Hop na grande mídia, grandes gravadoras e no governo Lula acontecem quase que simultaneamente. Ora, como já dissemos: no capitalismo, mercado e política não se separam. Alegar que o Hip Hop precisa expandir-se é mentira. A não ser que seja uma expansão vertical, para cima, para os playboy´s. Aí sim uma expansão mercadológica, pois de fato, os favelados não tem consumido cd´s “originais” devido o seu encarecimento. Dizer que o Hip Hop precisa sair do gueto é outra mentira. Nós fazemos cultura para a maioria, para a periferia, com preços acessíveis, e se os boys não vem é problema deles. Agora, show´s com ingresso a preços absurdo é querer sim transformar o Hip Hop em uma cultura de guetos brancos. Outros alegam que falta estrutura, e que isso requer gastos para dar mais qualidade aos eventos de Hip Hop. Recentemente assistimos o DVD do show do 50 Centavos com o Eminem e outros. O que se ver de fato é muita estrutura e pouca criatividade. Racionais e GOG, por exemplo, são incomparavelmente mais criativos. A era dos mega-espetáculos, faz parte faz parte da era da exclusão generalizada ou estrutural. Os grandes espetáculos, como o Hip Hop Manifesta, que em um outro documento denominamos de “Show do Milhão”, cujos ingressos variavam entre 70 e 200 reais, tem dois objetivos básicos: a acumulação de capital nas mãos de alguns mercenários da cultura negra e a exclusão da juventude negra de seu próprio nicho cultural. Mais do que nunca devemos fortalecer as atividades de bairros, as posses, stúdios e bailes comunitários, as rodas de break em praças, os ensaios coletivos com vários grupos de Hip Hop, organizar festivais sem premiações de melhores disto ou daquilo, mas como espaço de confraternização e solidariedade, selos autogestinários, etc. Na era dos megaespetacúlos das multinacionais faz-se necessário criar focos de resistências político-culturais como contraponto sócio-racial da juventude de periferia contra a dominação do grande capital. É preciso acreditar que são dos pequenos focos de resistências que surgem as grandes transformações.

Selos Independentes ou Produção Terceirizada?
Outra situação delicada são as dos ditos selos independentes. Diante da crise do mercado fonográfico, principalmente, em função da chamada “pirataria”, as grandes gravadoras redefiniram a forma de produzir. A grande maioria destas gravadoras não investe quase nada para produzir aquilo que eles mesmos chamam de “novos talentos”. Na nova divisão social do trabalho, isso fica por conta dos pequenos selos “independentes”. Em alguns casos, as grandes apenas compram o produto final dos selos ou artistas “independentes” que já gastaram com pesquisas, produção, gravação, projeto gráfico, fotos, mixagem, masterização, etc. Ou mesmo depois que os cd´s de alguns grupos já foram lançados e demonstraram viabilidade mercadológica. Dito de outra maneira, não existe qualquer capital de risco, ou mesmo contratos prolongados, investido por parte das grandes gravadoras. Basta contratar um bom “olheiro” (analista de mercado) e ponto final. É o que podemos chamar de terceirização da produção hiphopiana. São os chamados selos “alternativos” contribuindo par amenizar a crise das grandes gravadoras e distribuidoras. Lembrando, que terceirização é parte da política do neoliberal que visa reduzir o efetivo de trabalhadores empregados. Diante disto deixamos algumas perguntas no ar: Será mesmo que existe alguma contrapartida para o Hip Hop nessa relação com as grandes gravadoras? Ou será que estamos mais uma vez sendo expropriados pelos ricos? Quem vai indenizar os favelados pelos oito anos de construção, a duras penas, de grupos como o RZO e outros? Quanto foi que estas gravadoras investiram para formar estes grandes talentos da periferia?
Diferenciando crise do mercado e crise política do Hip Hop.
Importante salientar que os constantes zigue-zaques do mercado fonográfico não significa necessariamente crise ou ascensão do Hip Hop. Desde o inicio da década de 90, o Hip Hop enquanto movimento, sempre esteve em escala crescente. O Break ressurgiu, o grafite ganhou notoriedade, o rap é cada vez mais cantado e escutado pela juventude negra e pobre. Portanto, as diversas crises do mercado não podem ser qualificadas como crise do Hip Hop, pois não existe modo de produção hiphopiano, o que existe, de fato, é um modo de produção capitalista, portanto a crise é do capitalismo e dos capitalistas (empresários de lojas, selos, gravadoras, distribuidoras etc.) e não do Hip Hop enquanto movimento. Para analisar os zigue-zaques do mercado capitalista, seja qual for o produto, deve-se considerar a relação entre oferta e procura. Já os parâmetros para a analise do Hip Hop, enquanto movimento político-cultural, deve ser o seu crescimento e influência política que exerce sobre a periferia, onde se encontra os seus autores, atores e adeptos. Dito isto, podemos afirmar que na atualidade, apesar das constantes aparições nos grandes meios de comunicação, dos contratos com as médias e grandes gravadoras; e, por outro lado, aproximação e legitimação do governo Lula; o Hip Hop, enquanto movimento político-cultural, está prestes a entrar em uma profunda crise sem precedente em sua história. Da mesma forma como a expansão mercadológica do Hip Hop norte-americano não veio acompanhado de um crescimento e fortalecimento político. Pelo contrário, é a queda do nível de vida dos negros e latinos daquele país que, talvez, faça renascer uma nova radicalização do Hip Hop dentro do coração do imperialismo. Fica no ar outra pergunta: será mesmo que o povo que defende a institucionalização e a mercantilização desenfreada do Hip Hop, como aconteceu nos Estados Unidos, está mesmo defendendo interesses coletivos ou suas necessidades pessoais combinados com os interesses de grandes empresários de Hip Hop e do governo neoliberal e corrupto do PT?
A Rede Globo, por exemplo, que hoje tenta mercantilizar e despolitizar o Hip Hop, é a mesma que outrora tanto nos combateu e nos caluniou. Receio que daqui a alguns anos, não sejam, mas os favelados que escolherão suas liderança, mas sim a toda poderosa Rede Bobos. São poucos os grupos que continuam falando da importância das rádios comunitárias. A Jovem Panelinha é que está tentando ditar quem são os melhores do rap nacional e internacional (certamente os que são das grandes gravadoras e que pagam jabás.). E bom ressaltar, que são nas rádios comunitárias que estão à maioria dos locutores negros. Exaltar a grande mídia, em detrimento do papel étnico-cultural das rádios comunitárias, tão perseguidas pela ABRA E ABERT, é assumir a ideologia do embraquecimento e da seletividade cultural imposta pelo grande capital.
O governo, também, é quem está dizendo quais são as organizações de Hip Hop que tem representatividade. Isso ficou bem claro quando da formação da Frente Nacional de Hip Hop e do MOHHOB. Ambos querendo o reconhecimento por parte do governo e do ministério da cultura. Em outras palavras, as representatividades das organizações da juventude de periferia não serão mais obtidas em virtude do reconhecimento de suas bases sociais, mas sim, de acordo com os interesses políticos do governo. Algo similar ao controle político exercido por Vargas em relação aos sindicatos pelegos durante o Estado Novo. E não por coincidência, é esse o objetivo do governo com a (contra) reforma sindical. Controlar os sindicatos e, por tabela, os movimentos sociais.
O Hip Hop, até então, tem sido um dos movimentos culturais mais democráticos da história do Brasil e talvez do mundo pós-guerra fria. Isso por ser um movimento gestados nas ruas, praças, bailes, rádios comunitárias, selos independentes etc., mas, o processo de lobotomia começa a ameaçar a democracia hiphopiana. Será mesmo que artistas históricos com o GOG, que sempre denunciou a Rede Globo “Faustão televisão também é droga/ ação senão revolução acaba em moda” serão mesmo ovacionados e reconhecidos por essa emissora da mesma forma como são pela juventude negra e pobre?
Na virada do século e...
Veio à virada de século e com ele uma virada estratégica, ainda que parcial, do Hip Hop nacional. Antes mesmo do PT ganhar a presidência, esse partido já havia conquistado varias prefeituras e governo de estados de importância estratégica para o Brasil; como São Paulo, Belém, Fortaleza, DF, RS; entre outros. E no embalo várias organizações de Hip Hop começaram a atrelar-se. Alguns militantes históricos do Hip Hop, percebendo as grandes possibilidades da vitória de Lula nas ultimas eleições presidências, trataram logo de se aproximar do PT (inclusive aqueles que diziam ser contra partidos), modificaram ou criaram novos estatutos, transformaram seus movimentos em ONG´s e mudaram radicalmente o conteúdo dos seus discursos. O socialismo, outrora muito enfatizado pelas principais organizações de Hip Hop do Nordeste, foi sendo substituído pelo discurso de cidadania e inclusão social. Mesmo sabendo estes senhores, que acreditar em cidadania e inclusão social no capitalismo é o mesmo que acreditar na existência de Cuca, saci pererê e mula-sem –cabeça (sic!). Contudo, o desastre maior mesmo viria com as eleições de Lula pra presidente da república em 2002. Foi simplesmente catastrófico. Enquanto algumas organizações perdiam militantes numa corrida desesperada pelo aparato governista, outras foram de malas e cuias nas mãos, apoiar àcriticamente a candidatura Lula/Zé de Alencar (PT/PL). As justificativas para isso foram do mais cínico censo comum. Muitos defendiam que “Lula era pobre, ex-operário e tinha uma história de luta em favor dos trabalhadores e excluídos deste país”. Mesmo sabendo estes, que em política não é a origem de classe, apenas, que deve ser levada em consideração, mas, principalmente, as alianças políticas-sociais em torno das candidaturas e o programa político em defesa ( no caso Lula/Zé de Alencar, essencialmente pró-imperialista e sem qualquer perspectiva de ruptura). Para esses ilustres camaradas do Hip Hop e demais movimentos sociais, não basta apenas falar em decepção, mas deveriam, acima de tudo, fazer autocrítica e pedi desculpas públicas pelas irresponsabilidades políticas de três anos atrás. Pois, o Hip Hop, que como disse Mano Brown “deveria ser de extrema esquerda”, não pode está atrelado a um governo corrupto, que até então só têm dado alegrias para os ricos e recebido constantes elogios do governo Bush. Enquanto os ricos fazem a festa, especialmente os banqueiros, a favela dança na violência, no desemprego, na falta de moradia e educação de qualidade etc. Não é apenas o mensalão pra compra de parlamentar corrupto que deve ser denunciado e combatido, mas, principalmente, o mensalão que este governo, assim com os seus antecessores, pagam religiosamente para o FMI, ou seja, a nossa eterna divida externa, que foi contraída pelos ricos e é paga pelos trabalhadores e desempregados deste país. Não dar pra isentar a figura de Lula. Ele sabia de tudo, ele conhece esse povinho do congresso, tanto é que está oferecendo ministérios para o PMDB, para tentar abafar a crise. É um governo corrupto que tenta “combater” corrupção com mais corrupção. Lula sabe, que assim como o PT, o PMDB e todos os demais partidos de sua base ou da oposição burguesa são corruptos. Sabe que o Roberto Jéferson é um corrupto que fez parte do governo corrupto de Collor de Melo. Sabe também que Sarney e Severino Cavalcante são ladrões engravatados. Felizmente, existem vários hip hop´s neste país, pois nem todos se sentem representados naquele boné que parte das lideranças do Hip Hop nacional deram de presente para Lula ou na fictícia Secretaria Nacional da Juventude. Hip Hop militante não combina com corrupção e entreguismo das riquezas nacionais para o imperialismo; e que agora prepara a entrega da Base de Alcântara e a Petrobrás para os Estados Unidos e a implantação da ALCA, tudo isso, sem contar, o papel sub-imperialista que este governo está desempenhando na América Latina com a ocupação do Haiti, para reprimir a resistência negra daquele país.
Esse é o quadro: Crise e desmoralização do governo, Hip Hop institucionalizado e a periferia na orfandade política. Projetinhos assistencialistas como oficinas de Hip Hop não resolvem o problema. Ninguém precisa disso pra fazer Hip Hop de verdade. O Hip Hop nasceu nas ruas e é nele que deve permanecer. O que se esconde por trás desses projetinhos “faz de conta” são rios de dinheiro (as ONG´s brasileiras movimentam mais de 17 bilhões de reais por ano) e o controle político da indignação da juventude de periferia. Caso contrário, por os favelados das oficinas de Hip Hop não estão nas ruas denunciando o governo do mensalão? “A divida é um passo pra a escravidão”, já alertava Malcolm X.
Precisamos mais do que nunca pensar na classe e na raça. Se não botarmos o nosso povo em primeiro plano, como questão de principio, estaremos praticando um suicídio político coletivo. Onde está à melhoria da classe e da raça no governo Lula? Onde está o Hip Hop e onde ele deveria está nessas horas? Qual será o primeiro H2O governista a romper? Aqueles que vivem do aparato do governo? Certamente que não! Certamente que não querer pular do barco com tanta facilidade. Falam em nome da periferia, mas são seus interesses individuais que estão defendendo. A base independente dos movimentos sociais está rompendo com o governo, com a CUT, com a UNE e com o PT e construindo novos organismo populares como a CONLUTAS e a CONLUTE. Mas aqueles que viviam do assistencialismo e das migalhas que cai da mesa do governo e do imperialismo, os militantes gigolô de crise; não temos a mínima ilusão que vão romper. Está mais fácil Jesus voltar pra terra do que estes romperem com o governo e voltarem para suas bases sociais. Diante disto estamos propondo a construção de uma nacional de Hip Hop autônoma, independente e revolucionária que seja construída com base em um programa mínimo anticapitalista, e que estabeleça alianças com os movimentos sociais não-governistas. Toda a América Latina espera uma resposta política do Brasil, e nós do Hip Hop Nacional temos que fazer a nossa parte e assumir esse compromisso histórico.

Hertz é militante do Quilombo Urbano-MA e vocalista do grupo de rap Gíria Vermelha.