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sábado, 5 de dezembro de 2009

MANIFESTO DA 4ª MARCHA DA PERIFERIA “PELO FIM DA GUERRA INTERNA”

As condições de existência da juventude pobre e negra que reside nas comunidades periféricas do nosso estado e do Brasil de um modo geral são cada vez mais degradantes. As históricas reivindicações dessas comunidades por políticas públicas foram inversamente atendidas com mais criminalização midiática e repressão estatal. Desde 2005, bairros pobres de todos os estados brasileiros foram ocupados militarmente pela Força de Segurança Nacional. No entanto, mesmo antes desse acontecimento muitos governos já haviam adotado “Toque de Recolher” sufocando o lazer e as práticas culturais desses bairros ocupando-os com forças policias. Em nosso estado, o bairro da Liberdade é um exemplo emblemático desse processo de criminalização da pobreza.
Os governos, em suas três esferas (municipal, estadual e federal), manipulam a problemática das drogas e do crime para desviar os olhares populares das questões sócio-estruturais de centro que levam a juventude pobre a submeter-se a tal condição.
Em se tratando especificadamente da população afro-descendente, desagregando os dados estatísticos por etnia, as condições de existência destes se aproximam do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países mais pobres da África ou da Ásia. Os afro-descendentes dos estados de Alagoas, Maranhão e Ceará apresentam um IDH considerado quase baixo (entre 0,500 e 0,599), já o IDH dos brancos brasileiros, em seu conjunto, é considerado quase alto (entre 0,750 e 0,799), muito próximo da situação dos países europeus.
Tudo isso prova que as desigualdades raciais no Brasil se mantêm mesmo doze décadas depois da “abolição” da escravatura. Os mecanismos de dominação ideológica e econômica se mantiveram e se reproduzem cotidianamente. Desta forma, está claro que, é para o setor socialmente mais desassistido por políticas públicas que o “punho de ferro” do Estado tende a robustecer.
É para esse setor, conforme nos mostra Wacquant (2003), que vimos restabelecer uma espécie de “ditadura pura”, mesmo 20 anos depois da queda das ditaduras militares em toda a América Latina. No Maranhão vimos recentemente uma greve dos trabalhadores da educação pública ao mesmo tempo em que o governo propagandeava a compra de mais 174 viaturas para a polícia militar.
Por outro lado, se não bastasse à repressão estatal e a criminalização midiática, deparamo-nos com um processo de “guerra interna” envolvendo a juventude das periferias de todo o Brasil. Os ideólogos do capital, a mídia comercial burguesa e os partidos conservadores conseguem fazer com que a juventude imersa no barbarismo neoliberal se veja como inimigos.
Os espaços de manifestação da violência intra-periférica são cada vez mais reduzidos, o “inimigo” mora cada vez mais próximo. A revolta social de muitos destes jovens ao invés de ser canalizada politicamente contra aqueles que aplicam inapelavelmente as políticas neoliberais, é descarregada nas “batalhas” das “guerras internas” de bairro contra bairro, de comunidade contra comunidade, de morro contra morro, de rua contra rua, de vizinho contra vizinho e assim sucessivamente.
Essa é a política invariável do imperialismo cultural levada a cabo por partidos e políticos conservadores do nosso país: cortar pela raiz qualquer possibilidade de ações políticas coletivas que se contraponha à dominação externa e interna, pois para manter a periferia vivendo na situação limite do barbarismo neoliberal é necessário frear atos limites de ruptura política com o capital.
No entanto, nem tudo é derrota para a juventude das periferias do nosso estado. Muitos desses jovens criminalizados pelos pela grande imprensa, penalizados pelas políticas neoliberais e punidos pelo aparato repressivo resolveram dar uma resposta política positiva a essa situação e através da cultura Hip Hop tem articulado as Marcha das Periferias, que já caminha para a sua quarta edição.
O objetivo principal deste evento é, ao mesmo tempo, favorecer a construção de uma subjetividade positiva coletiva entre a juventude negra e pobre e chamar a atenção do conjunto da sociedade maranhense e dos poderes públicos constituídos para a necessidade do Estado estender seu braço social nos bairros de periferia.
A iniciativa da construção da marcha da periferia foi do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano, em 2006, mas ganhou tal dimensão que hoje é coordenada por um conjunto de entidades do movimento popular e sindical que compõe o Comitê Pró-Periferia. Essa importância também se reflete em âmbito nacional, ao ponto de diversas entidades de Hip Hop e organizações políticas tradicionais de outros estados se deslocaram até o Maranhão para participarem das atividades que envolvem a programação da Marcha da Periferia.
Para sensibilizar e mobilizar a população pobre a participar da das marchas das periferias, atividades políticas e culturais são realizadas nas comunidades pólos que envolvem diversos bairros próximos uns dos outros. Esse ano foi realizado atividades nos pólos Liberdade-Fé Deus, Bequimão-Rio Anil, Novo Angelim, João Paulo -Coroado, Cidade Olímpica- Santa Eufigênia, Areinha- Bairro de Fátima e Vila Embratel. A cultura Hip Hop é, geralmente, o principal instrumento político-cultural de mobilização nessas comunidades.
Como resultado das discussões realizadas nessas atividades e nas reuniões ampliadas para construção das Marchas da Periferais são elencadas uma pauta de reivindicações que é comum a praticamente todos esses bairros. Neste sentido, a 4ª Marcha da Periferia traz a seguinte pauta de reivindicação que gostaríamos de apresentar aos (as) senhores (as) deputados (as);

1- Por um plano emergencial de obras públicas em todos os bairros de periferia do Maranhão para gerar emprego e renda e combater o crime em suas raízes sociais;
2- Construção de escolas públicas com qualidade de ensino de acordo com a demanda do estado e reformas das escolas já existentes;
3- Pela construção de áreas para a prática do lazer, esporte e cultura nos bairros de periferia;
4- Pelo fim do déficit habitacional do nosso estado, Reforma urbana já!
5- Pela instalação de uma auditoria da divida pública do estado do Maranhão;
6- Pelo fim das ocupações militares nos bairros de periferia;
7- Pela desmilitarização da polícia;
8- Pelo fim da perseguição as rádios comunitárias e contra a criminalização praticada pelos grandes meios de comunicação contra os moradores da periferia;
9- Pelo fim de repasse de verbas públicas para a imprensa comercial burguesa;
10- Pela eliminação gradual do sistema prisional que não ressocializa pobre e nem mantém preso o rico.
11- Pela formação de conselhos populares de segurança pública que possibilitem à própria comunidade resolver democraticamente os conflitos entre os seus moradores;
12- Pela construção de mais hospitais públicos, a exemplo do IPEM, nos bairros de periferias;
13- Ações afirmativas para os afro-brasileiros nas universidades públicas estaduais rumo a fim do vestibular e universalização do ensino superior;
14- Pela desmilitarização das universidades estaduais, pelo fim do C.F.O. na UEMA;
15- Mais verbas para a preparação de professores com vista a viabilizar a implementação efetiva da lei 10.639/03 nas escolas públicas da rede estadual de ensino;
16- Aprovação e adoção do dia 20 de novembro como feriado estadual do dia da consciência negra;
17- Eleição direta para diretores de escolas e liberdade para construção de grêmios estudantis;
18- Saneamento básico e tratamento de esgoto digno para a classe trabalhadora;
19- Pela implementação do Disque Racismo já existente em outros estados da federação e que seja controlado pelo conjunto das entidades do movimento negro e afins;
20- Pela titulação das terras dos remanescentes de quilombolas em todo o estado do Maranhão.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

4ª MARCHA DA PERIFERIA 20/11/2009


O Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil é uma organização nacional que envolve diversas entidades de Hip Hop, sua criação ocorreu em novembro de 2008 na cidade de São Luís. A mesma nasce da necessidade de se consolidar em nosso país um instrumento político e cultural que proporcionasse à juventude negra e pobre das periferias a se organizar para enfrentar aqueles que os oprimem e exploram. Essa preocupação foi intensificada quando a crise capitalista atual foi desencadeada, pois sabemos que esses setores são os mais penalizados.
Hoje o MH²M Quilombo Brasil está organizado em sete estados (MA, RJ, SP, PI, PR, CE e DF) e já tem desencadeado algumas iniciativas até então não cogitadas no interior do Hip Hop brasileiro como a campanha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia” e os diversos eventos contra a ocupação das tropas da ONU no Haiti ocorrido no período de 25 de agosto a 07 de setembro envolvendo cerca de dez cidades brasileiras. Para consolidação dessa organização estamos propondo o I Encontro Nacional de Entidades de Hip Hop Militante a ser realizado em São Luís do Maranhão no período de 19 a 21 de novembro, tendo como entidade organizadora, o ‘Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano”.
As condições de existência da juventude pobre e negra que reside nas comunidades periféricas do Brasil são cada vez mais degradantes. As históricas reivindicações dessas comunidades por políticas públicas foram inversamente atendidas com mais criminalização midiática e repressão estatal. Desde 2005 bairros pobres de todos os estados brasileiros foram ocupados militarmente pela Força de Segurança Nacional. No entanto, mesmo antes desse acontecimento muitos governos já haviam adotado “Toque de Recolher” sufocando o lazer e as práticas culturais desses bairros ocupando-os com forças policias. Os governos, em suas três esferas (municipal, estadual e federal), manipulam a problemática das drogas e do crime para desviar os olhares populares das questões sócio-estruturais de centro que levam a juventude pobre a submeter-se a tal condição. No entanto, verifica-se uma lacuna existente entre essa lamentável situação e a ausência de respostas políticas em favor desse setor. Em uma palavra, a periferia padece também pela inexistência de intelectuais coletivos, ou seja, de movimentos sociais combativos e de crítica global do modelo de organização capitalista.
Em se tratando especificadamente da população afro-descendente se desagregamos os dados estatísticos por etnia as condições de existência destes se aproximam do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países mais pobres da África ou da Ásia. Os afro-descendentes dos estados de Alagoas, Maranhão e Ceará apresentam um IDH considerado quase baixo (entre 0,500 e 0,599). Já o IDH dos brancos brasileiros em seu conjunto é considerado quase alto (entre 0,750 e 0,799), muito próximo da situação dos países europeus.
Tudo isso prova que as desigualdades raciais no Brasil se mantêm mesmo doze décadas depois da “abolição” da escravatura. Os mecanismos de dominação ideológica e econômica se mantiveram e se reproduzem cotidianamente. Desta forma, está claro que é para o setor socialmente mais desassistido que o “punho de ferro” do Estado tende a robustecer.
É para esse setor, conforme nos mostra Wacquant (2003), que vimos restabelecer uma espécie de “ditadura pura”, mesmo 20 anos depois da queda das ditaduras militares em toda a América Latina. Foi para as mulheres com perfil dessas camadas populares que o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), direcionou suas palavras de que o útero dessas pessoas eram fábricas de bandidos, devendo, portanto, ser esterilizadas.
Por outro lado, se não bastasse à repressão estatal e a criminalização midiática, deparamo-nos com um processo de “guerra interna” envolvendo a juventude das periferias de todo o Brasil. Os ideólogos do capital, a mídia comercial burguesa e os partidos conservadores conseguem fazer com que a juventude imersa no barbarismo neoliberal se veja como inimigos.
Os espaços de manifestação da violência intraperiférica são cada vez mais reduzidos, o “inimigo” mora cada vez mais próximo. A revolta social de muitos destes jovens ao invés de ser canalizada contra os representantes do capital, contra aqueles que aplicam inapelavelmente as políticas neoliberais, é descarregada nas “batalhas” das “guerras internas” de bairro contra bairro, de comunidade contra comunidade, de morro contra morro, de rua contra rua, de vizinho contra vizinho e assim sucessivamente.
Essa é a política invariável do imperialismo cultural: cortar pela raiz qualquer possibilidade de ações políticas coletivas que se contraponha à dominação externa e interna, pois para manter a periferia vivendo na situação limite do barbarismo neoliberal é necessário frear atos limites de ruptura política com o capital.
No entanto, nem tudo é derrota para a juventude das periferias brasileiras. Em novembro de 2008, durante a realização da Marcha da Periferia em São Luís do Maranhão, organizações de Hip Hop do Maranhão, Piauí e Ceará resolveram plantar a semente de uma organização nacional de Hip Hop militante, anti-racista, anti-capitalista e antiimperialista que prime fundamentalmente pela organização coletiva da juventude pobre deste país.
Depois de dois encontros, um realizado em Belém-PA em janeiro de 2009 durante o Fórum Social Mundial e outro realizado em Teresinha-PI em março deste mesmo ano, surge o Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil”, que já congrega entidades de Hip Hop de sete estados brasileiros (PI, MA, RJ, SP, PR, CE, DF), todas com completa independência em relação aos governos e ao capital.
Sendo assim, conforme acordado entre essas entidades, haverá um grande encontro de fundação MHM Quilombo Brasil no período de 19 a 21 de novembro na Semana da Consciência Negra em São Luís do Maranhão. A cidade de São Luís foi escolhida para sediar esse encontro em função da comemoração de 20 anos existência do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano”, uma das entidades que impulsionou a fundação do MHM “Quilombo Brasil” e que atua desde 1989 nas periferias desse estado.
Além de toda a programação deste evento que pretende envolver diversas organizações do movimento popular e sindical, esse momento será marcado também pelo lançamento oficial da campanha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia”, onde se pretende debater e traçar táticas para fazer com que a mesma atinja seu público alvo: a juventude das periferias.

PROGRAMAÇÃO

Dia 19 Novembro

18:00h Debate:
Quilombo Brasil na Luta Pelo fim da guerra interna na Periferia.
 Hertz Dias – MH²O Quilombo Urbano- MA
 Gas-pa- Coletivo de Hip Hop Luta Armada- RJ
 Rielda Alves- Assembléia Nacional dos Estudantes Livres- MA.
Local: Auditório Che-Guevara, do Sindicato dos Bancários (Rua do Sol, Sn, Centro)

Dia 20 Novembro

9:00h Debate: Mulher no Hip Hop: Genero, Classe, Etnia.
Núcleo de Mulheres Preta Anastácia – QUILOMBO URBANO
GT de Mulheres da CONLUTAS-MA
Cangaço Urbano – MH²M QUILOMBO BRASIL
Local: Auditório Che-Guevara, Sindicato dos Bancários.

12:00h: Almoço

15:00h: Realização da IV Marcha da Periferia
Concentração: Praça Deodoro, Centro (em frente a biblioteca pública Benedito Leite).

19:00h: 20º Festival Hip Hop-Zumbi
Apresentação de aproximadamente 25 grupos de Hip Hop de diversos estados Brasil.
Local: Circo Cultural da Cidade - Bairro Praia Grande ao lado do Terminal de integração

Dia 21 Novembro

09:00h: Plenária Final do Quilombo Brasil para retirada do calendário de Lutas e de Articulação para 2010.
Local: Borralho Eventos- Bairro Liberdade.

MOVIMENTO NACIONAL DE HIP HOP “QUILOMBO BRASIL”
NEM GUERRA ENTRE AS GANGUES, NEM PAZ ENTRE AS CLASSES
MOVIMENTO HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO “QUILOMBO URBANO” 20 anos de Correria, 20 anos de Periferia!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

FESTIVAL HIP HOP-ZUMBI: 2O ANOS DE RESISTÊNCIA E LUTA

Por motivo de força maior estamos transferindo a realização do Festival de Lançamento das comemorações oficiais do aniversário de 20 an0s de Quilombo Urbano e da Campanha "Pelo Fim da Guerra Interna" para o dia 23 de maio. Veja cartaz abaixo e compareça a esse evento histórico do Hip Hop Militante do Maranhão. AXÉ!!!

terça-feira, 14 de abril de 2009

MANIFESTO “PELO FIM DA GUERRA INTERNA NA PERIFERIA”

Agente vive se matando irmão, por quê?
Não me olhe assim eu sou igual a você! (Racionais Mc,s)


Você sabe quanto vale a vida de um jovem negro igual a você neste país? Não? mas os playboy’s sabem, sua vida não vale nada irmão! Nos últimos anos o capitalismo tem nos mergulhado num mar de sangue como nunca visto antes. Se não bastasse a repressão policial, temos nos envolvidos numa “guerra interna” sem fim, de rua contra rua, quebrada contra quebrada, bairro contra bairro e morro contra morro. Mas, nada disso tem ocorrido atoa. Além de nos arrancarem o direito à educação, saúde, moradia, lazer e trabalho, os playboy’s não arrancaram também os olhos e o desejo de viver. Manipularam nossas consciências de tal modo que não conseguimos ver no magnata de gravata, que desvia milhões de reais dos cofres públicos, como nosso inimigo. O inimigo, infelizmente, mora ao lado, ele é preto, é pobre, é favelado. Como então reagir se estamos divididos e com o canhão apontado uns para as cabeças dos outros?
Você sabe quantas escolas daria para construir na periferia com os 20 milhões de reais que o deputado Edmar Moreira (DEM-MG) desviou para construir o seu luxuoso castelo medieval em meio a uma comunidade pobre? Você sabe quantas casas daria para construir com os mais de 300 bilhões de reais que o governo Lula tem dado de mãos beijadas para os donos de bancos? Você não sabe irmão? Tá bom então, você não se importa com política né?
Mas, você sabe de onde vêm as drogas e as armas que entope com ódio o sentimento da periferia? Você tá ligado que quando a polícia invade a favela e mata um negro a mídia logo noticia que era traficante, mesmo sabendo que traficante de luxo não mora em rua com esgoto a céu aberto, nem enfrenta polícia, na verdade eles compram a polícia, o parlamento e, infelizmente, a consciência de nosso povo. Ele mora em bairro de boy por que ele boy e não favelado!!!
Você sabia que os bancos dos Estados Unidos lavam por ano mais de 400 bilhões de dólares tudo proveniente do narcotráfico. Ah, agora você sacou né sangue bom? É isso mesmo, quem financia a “guerra interna” em nossas comunidades são eles com o consentimento do nosso governo. O mesmo país que obriga o nosso governo a ocupar a periferia com força militar é o mesmo que joga as drogas e armas que alimenta o ódio cego de irmão contra irmão.

PERIFERIA, PARE, RESPIRE POR ALGUNS SEGUNDOS (G.O.G)

Pelo fim da “guerra interna” nós do Quilombo Urbano propomos um pacto de paz entre todas as gangues, galeras e bondes de todas as comunidades pobres deste país. Nossa declaração de guerra é contra os ricos, é por educação, saúde, cultura e emprego. Vamos reduzir a zero à contagem de corpos sem vida no chão da periferia. Vamos multiplicar por mil o sorriso de felicidade da mãe que vê seu filho resgatado do crime. O desafio está lançado pra quem é guerreiro de verdade.
1- Exigimos a eliminação gradual do sistema prisional que não ressocializa pobre e nem condena rico, na verdade só serve para alimentar a indústria do crime aumentando o sofrimento da periferia e o lucro das empresas de segurança privada.
2- Para cada cela fechada uma escola construída. Para cada pavilhão extinto uma faculdade aberta, para cada presídio desativado uma universidade inaugurada.
3- Que a polícia se retire imediatamente das periferias e vá para as fronteiras do país, para os aeroportos, para os portos e para os bairros nobres estourar com as mansões e os miolos de quem realmente envenena e promove a guerra entre o nosso povo.
4- Pela formação de conselhos populares de segurança pública que possibilite a própria comunidade a resolver democraticamente os conflitos de seus moradores.
5- Por um plano emergencial de obras públicas em todos os bairros de periferia com vista a gerar emprego e renda e combater o crime em suas raízes sociais.
6- Pelo fim dos assaltos na periferia. Nossos inimigos são outros. Violência Zero na periferia.
7- Pelo fim do pagamento da divida interna e externa, que esse dinheiro, que é nosso dinheiro seja investido em políticas sociais na periferia.

NEM GUERRA ENTRE AS GANGUES, NEM PAZ ENTRE AS CLASSES.

MOVIMENTO HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO “QUILOMBO URBANO”
20 anos de Correria, 20 anos de Periferia!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

EMOÇÃO, SUPERAÇÃO E RESISTÊNCIA MARCARAM AS ATIVIDADES DA 3ª MARCHA DA PERIFERIA E DO 19º FESTIVAL DE HIP HOP EM SÃO LUÍS.

“Esses eventos para mim foi tão importante quanto à fundação da CONLUTAS”, assim o rapper Moita Brava do grupo Reviravolta descreveu as vitoriosas atividades da 3ª Marcha da Periferia. O também rapper do grupo Raios-X Nordeste Preto Roob chegou a chorar quando tocava na UFMA no encontro da ANPUH ao relatar as dificuldades para realizar a Marcha da Periferia em meio a tanto jogo sujo do governo Jackson e seus capitães do mato de bombeta e calça larga “eles querem destruir o que a juventude negra deste Estado vem construindo há quase 20 anos, mas não vão conseguir”. Esse na verdade foi o sentimento que tomou conta de todos que construíram e participaram na 3ª Marcha da Periferia e do 19º Festival de Hip Hop realizados no dia 21 de Novembro, emoção e superação.
Motivos não faltaram para isso. Mesmo com todo o aparato governista, a cufa, o favelafro e outras entidades de Hip Hop governista não conseguiram inviabilizar a participação da juventude negra e pobre na Marcha da Periferia. Centenas de pessoas caminharam no centro comercial e histórico de São Luís denunciando o racismo, o capitalismo, as ocupações militares nas comunidades pobres e exigindo Reparações Já para a população negra. Além das várias organizações de São Luís como o Quilombo Urbano, Realidade do Gueto, CONLUTAS, CONLUTE, APRUMA, SDMDDH e o PSTU estiveram presentes também representantes do Hip Hop de Fortaleza-CE, Teresina-PI e Caxias-MA, bem como do Sindicato ANDES que tem sido criminalizado pelo governo Lula
As falas no geral denunciavam o absurdo repasse de 47 bilhões de reais do governo Lula para salvar banqueiros falidos enquanto o mesmo fortalece cada vez mais o aparato repressivo nas periferias, especialmente através da Força Nacional de Segurança. Educação, saúde, emprego, o fim do racismo e das ocupações militares das periferias foram algumas exigências feitas pelos pelo conjunto do movimento.
A militante do Quilombo Urbano e vocalista do grupo Q.I. Engatilhado Preta Lú chegou a se emocionar e a emocionar a todos ao relembrar o sofrimento que ela , seu companheiro (P.R.C) e sua filha que se encontrava adoentada, passaram uma semana antes da Marcha da Periferia em um hospital público de São Luís, o Materno Infantil, e enfatizou “é aqui que o verdadeiro Hip Hop Militante tem que ta e não encastelado em encontros financiados pelos assassinos do povo negro”.
Na realização do 19º Festival Hip Hop Zumbi o tom de indignação e emoção foi mantido. Mesmo com a Mega estrutura montada nas proximidades do Circo da Cidade para realização do festival de Hip Hop da cufa e do favelafro no sentido de desarticular o Festival de Hip Hop- Zumbi do Quilombo Urbano, centenas de jovens optaram em incorporar-se a resistência anti-governista e revolucionária. Alguns que vieram para o encontro governista, ao perceberem o jogo sujo por trás deste evento, também resolveram romper e aderir a Marcha da Periferia, ao 19º Festival e até a participar da reunião para construção de uma nacional de Hip Hop Militante. Um desses militantes chegou relatar indignado que “aquilo lá é só comédia, teve mesa lá que era só gente do governo falando de Hip Hop”.
Um dos momentos máximo do Festival de Hip Hop do Quilombo Urbano foi a apresentação do grupo Gíria Vermelha que fez uma prévia do lançamento do seu primeiro CD “A Hora do Revide” marcado para o dia 19 dezembro. A primeira tiragem do referido CD esgotou em menos de três dias.
Contudo, o mais importante neste evento foi a participação dos quase vinte grupos de Hip Hop que rejeitaram o cachê e a estrutura do festival governista para se apresentar no Festival Hip Hop- zumbi sem receber um único centavo. Uma demonstração de que é possível fazer Hip Hop militante, independente dos governos e comprometido de fato, no discurso e na ação, com a periferia.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

3ª Marcha da Periferia como uma alternativa para os “excluídos”


Um consenso que se formou em torno das entidades que estão construindo a Marcha da Periferia é de que ela pode ser uma alternativa de esquerda tanto em relação ao grito dos excluídos, que tem evitado qualquer critica os governos locais e federal, como dos eventos despolitizados que os movimentos negros governistas tem promovidos durante a semana da consciência negra. Um fato interessante observado no ato foi a presença marcante de moradores da Liberdade , bairros de maioria negra em São Luís, que preferiram se deslocar até o centro histórico para se manifestar do que participar do mega-comício que acontecia naquele bairro organizado pelos candidatos do PT, PC do B e com presença do ministro da omissa Secretaria da Promoção da Igualdade Racial .A realização da Marcha da Periferia está marcado para o dia 21 de novembro com uma caminhada pelo centro comercial de São Luís, encerrando com o já tradicional Festival de Hip Hop em sua 19ª edição. Este festival é promovido desde 1989 pelo Quilombo Urbano que chega a reunir milhares de jovens do Maranhão e outros estados. Até lá diversas atividades políticas e culturais estarão acontecendo nos bairros pólos e no recém-fundado “Quilombo Cultural Lago Amarela” do centro histórico.