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terça-feira, 31 de agosto de 2010

CARTA ABERTA AO HIP HOP MILITANTE BRASILEIRO

CONSTRUAMOS O NOVO!

Há momento em que os indivíduos têm que tomar decisões importantes nos rumos de suas vidas. Com as organizações políticas e culturais não é diferente. No Hip Hop, mais do que nunca, é hora de tomar decisões. Os prognósticos que fizemos desde o surgimento do Quilombo Brasil em 2008 ou mesmo os que o Quilombo Urbano já fazia há mais de dez anos tem, infelizmente, se confirmado a cada dia. O Hip Hop brasileiro está ficando do jeito que a burguesia quer, despolitizado e mercantilizado.

Quem diria que um dia o Racionais estaria de mãos dadas com a Nike e gravando clipe para o Fantástico, MV Bill no Faustão e no Malhação, entre tantas outras mudanças radicais que vem ocorrendo no Hip Hop brasileiro. Em termo de organizações também o rumo é parecido. O governo abriu a torneira de financiamento para fechar a válvula de escape da indignação política que o Hip Hop representa na favela.

Só para se ter uma idéia, o Prêmio Cultura Hip Hop 2010 Preto Ghoez do Ministério da Cultura, envolve um montante de mais de um milhão e meio de reais. A Zulu Nation, organização histórica de Hip Hop mundial, tem até parceria com a Legião da Boa Vontade. No nordeste grande parte dos movimentos se converteu em ONG’s, algumas chegam até a realizar parcerias com o aparato policial. No entanto, assim como nós, quase todas as organizações reconhecem que há uma crise, mas o que a maioria não consegue reconhecer ou admitir é que eles são parte da crise.

Assim como o PT conseguiu controlar o setor majoritário do movimento sindical e popular, também conseguiu fazer o mesmo com o setor igualmente majoritário do Hip Hop brasileiro. Por isso o candidato a vice-presidente de Dilma (PT), Michel Temer (PMDB), afirmou que país está bem por que os movimentos sociais e os pobres estão pacificados. O país não está pacificado, é claro, mas que a maioria dos movimentos sindicais e sociais passou a ser satélite político do governo Lula, não deixa de ser uma dura realidade.

A UNE saiu das ruas para apoiar quase todos os ataques de Lula à educação pública. A CUT se transformou numa máfia de dirigentes milionários que apóia inclusive demissões de trabalhadores e ataques aos aposentados. No Maranhão muitas de suas lideranças estão juntas com o grupo Sarney. O MST viu a reforma agrária regredir mais do que no governo de FHC, na verdade no governo Lula a reforma agrária deixou de existir, agora é só regularização fundiária, não existe mais expropriação de latifúndio. Apesar disso, a direção do MST continua apoiando o governo Lula, ainda que criticamente.

Com a maioria das entidades do Movimento Negro a cena se repete. A aprovação, ou melhor, a destruição do Estatuto da Igualdade Racial foi um dos maiores crime cometido pelo Estado brasileiro contra a população negra nos últimos anos. De acordo com esse Estatuto o racismo deixou de existir no Brasil e as cotas foram extinta do projeto, tudo isso com o aval do PT. No entanto, a grande parte das entidades do Movimento Negro segue apoiando Dilma e Lula.

Me Diga com Quem Tú Andas....

Durante a década de 1990 estivemos com a CUT, com o PT, com a UNE, aprendemos muitos com eles e nos orgulhamos muito por isso, mas não dar mais pra caminhar de mãos dadas com quem estende as mãos aos inimigos de nosso povo. Essa é a encruzilhada que nos encontramos. A ousadia sempre foi uma marca do Hip Hop, remar contra a maré, enfrentar as adversidades para superar os obstáculos. Sem ousadia não pode haver lutas e sem lutas não haverá vitórias. Nesse momento caminhar com quem caminha contra nosso povo significa engrossar as fileiras do inimigo, significa legitimá-los.

A partir do próximo período a economia brasileira entrará em um processo de estagnação segundo o próprio governo. Esse ano o decifict da conta corrente do Brasil chegou a quase 50 bilhões de reais, o maior desde 1946. A crise econômica baterá mais forte nas portas dos favelados e os ataques virão contra a classe trabalhadora, não temos dúvida disso.

Os investimentos em repressão policial têm crescido de forma assustadora no Brasil. A presença de tanta droga na periferia não é atoa, é uma política de Estado, é uma estratégia da burguesia nacional e do imperialismo para controlar um setor da população brasileira que não tem mais nada a perder. Até o Hip Hop, em muitos estados e municípios, está no atoleiro do crak e da guerra interna, política de Estado que divide e mata! É claro que a favela, por contra própria, reagirá a isso, passando inclusive por cima das ONG’s, que hoje são financiadas pelo governo para manter o controle social que o capital internacional necessita para circular em nosso país. Mas, nenhuma luta cega, por mais justa que seja, resultará em processos revolucionários. Cedo ou tarde a burguesia fechará o processo.

Por isso temos que construir algo grandioso, que esteja acima de nossas atuais organizações de cidades e estados. Temos que construir uma ferramenta política e cultural nacional, que seja de periferia, que seja revolucionária, que seja socialista, portanto, que não pode ser ONG nem financiada pelos governos ou pelo imperialismo. Não será possível combater o demônio aliando-se ao seu próprio rabo!

Quilombo Brasil: uma alternativa em Construção

O Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil” é uma experiência muito recente, mas que preserva a ousadia do Hip Hop Militante desse país. Recentemente lançamos a Campanha Pelo Fim da Guerra Interna, uma campanha formidável para construir a unidade política da favela, mas é ainda muito modesta para a grandeza dos desafios colocados para nós. No Maranhão construímos, via Quilombo Urbano, as marchas da periferia.

Nossa parte estamos fazendo, mas não basta só boa vontade, queremos construir algo que faça esse país tremer perante aqueles que tremem de indignação contra o capitalismo. Queremos construir um Quilombo Brasil em cada cidade desse país e uma posse em cada quebrada dessas cidades, posses que funcionem como células revolucionárias de nosso organismo nacional, o MHMQB. Não precisamos mais provar pra ninguém que somos bons construtores de rimas, ótimos maestros nos toca discos, excelentes grafiteiros e excepcionais dançarinos, no entanto, precisamos dar um salto de qualidade em nossa forma de organização política. Por isso estamos propondo um amplo debate entre as diversas organizações ou adeptos e militantes independentes que, como nós, querem tirar o Hip Hop do atual estado de coisas em que se encontra e construir algo que supere inclusive nossa briosa atuação na década de 1990.

Nós do Quilombo Brasil só não abriremos mão dos nossos princípios já consolidados desde 2008 que versa sobre a independência perante aos patrões e a autônima diante do Estado. Não abriremos mão do nosso objetivo estratégico que é a destruição do racismo, do machismo, do homofobismo e do capitalismo, bem como da construção do socialismo. No campo da arte e da cultura esses princípios só terão sentido se as mesmas forem plenamente livres e revolucionárias. No mais, façamos o debate, construamos o novo, construamos o MHMQB.

MOVIMENTO HIP HOP MILITANTE QUILOMBO BRASIL

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

COLETÂNEA DE ANOS ANOS DE QUILOMBO URBANO
















Lançado no dia 16 de janeiro no centro de cultura negra (CCN), a Coletânea de rap em comemoração dos 20 de correria do movimento de hip hop organizado maranhão Quilombo Urbano. Varios grupos de rap da ilha rebelde, mostrando em suas rimas as diversas realidade das periferias Ludovicentte, grupos do bairro da Liberdade(Gíria Vermelha e Dialeto Preto), João Paulo( Q,I Engatilhado), Bequimão( Contravenção Penal, Novo Angelim(Renegados do sistema), Cidade Operaria(Raio X Nordeste), mostrando que é possilvel fazer um trabalho autogestivo dentro da perideria através do rap, do break e do grafite, levando a juventude periferica a refletir sobre as mazelas do governo com o nosso povo, com a produção de P.R.C para Perifeafricania produções, 16 faixas de "sonhos e protestos, trincheira e poesia"  soando em alto e bom som nas periferia do Brasil.  "PARABENS QUILOMBO URBANO, PARABENS PERIFERIA, SEGUIMOS NA LUTA, NA CORRERIA".                                                                                                                                                                                                                                    
                                                               

 

















baixe a coletanea 20 anos de Quilombo Urbano

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Hip Hop Quilombola na Mira da PM’? CHEGA!!!

Depois de mais uma sexta-feira de tentativa de intimidação de nossos militantes no Quilombo Cultural Lagoa Amarela por parte da Policia Militar da governadora Roseana Sarney resolvemos lançar um manifesto que será entregue a referida governadora na próxima quinta feira (15/10). Publicamos abaixo o documento na integra e solicitamos a solidariedade de todas as organizações políticas que combatem a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.

SÃO LUÍS 14 DE OUTUBRO DE 2009

EXCELENTÍSSIMA SENHORA GOVERNADORA ROSEANA SARNEY

Em setembro de 2008, durante as atividades de preparação da III Marcha da Periferia, evento este que nós do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão Quilombo Urbano, juntamente com outras entidades do movimento popular e sindical realizamos desde 2006 com a juventude de nossas comunidades pobres, tomamos a iniciativa de ocupar a Praça da Criança no centro histórico de São Luis para realização de atividades políticas e culturais de Hip Hop com a juventude que para ali se direcionam. Antes dessa ocupação, ocorrida no dia 05 de setembro, dia da raça, a Praça da Criança se encontrava completamente abandonada pelo poderes públicos, mas a partir dessa iniciativa, de jovens negros e pobres excluídos cultural e economicamente do turismo econômico que ali se instalou, a Praça da Criança passou a ser um dos espaços públicos mais “vivos” do “Projeto Reviver”. Batizada de “Quilombo Cultural Lagoa Amarela” em homenagem ao herói afro-maranhense Negro Cosme, nela é possível visualizar diversos grafites, a arte visual do Hip Hop, com mensagens que refletem a situação e os anseios da juventude negra e pobre, além das apresentações de danças, grupos de rap, exibição de vídeos e apresentações de artistas de outros gêneros culturais. Nesse espaço já ocorreram inúmeras atividades políticas de grande repercussão, a exemplo do ato em solidariedade ao povo do Haiti, país este que no momento se encontra ocupado pelas forças militares da Organização das Nações Unidas (ONU) lideradas pelo Brasil, a MINUSTAH.




A marca principal desses eventos é o fortalecimento dos laços de sócio-afetividade entre a juventude de periferia. Alguns meses após a ocupação dessa praça, o então secretário de cultura do governo de Jackson Lago, Joãozinho Ribeiro, em reunião com alguns de nossos militantes, propôs uma parceria entre nossa organização (Movimento Hip Hop Quilombo Urbano) e a secretaria de cultura do Estado para realização das atividades políticas e culturais. Na oportunidade agradecemos a referida proposta, tendo em vista que o objetivo inicial do projeto Quilombo Cultural Lagoa Amarela era de completa autonomia e independência em relação ao poderes públicos, nossa única exigência seria a de estruturação da praça com construção de banheiros públicos, bancos e iluminação, o que infelizmente até o momento não ocorreu. Mesmo com a negativa de nossa parte, durante todo esse período nunca fomos molestados pelo governo anterior nem muitos menos pela sua força policial, pelo contrário, fomos diversas vezes elogiados pela iniciativa de ter transformado um espaço “sem vida” em um ambiente onde a juventude de periferia se encontra todas as noites de sexta feira para permutar informações e manifestar suas angustias cotidianas e seus desejos de transformação de suas realidades sócio-estruturais. No entanto, nos últimos meses, essa realidade tem se transformado radicalmente. Em nenhum ambiente cultural, público ou privado, do Projeto Reviver, a Polícia Militar tem atuado com tanta repressão como no “Quilombo Cultural Lagoa Amarela”. Para se ter uma idéia, só nas últimas três sextas-feiras foram três “batidas” com ameaças de detenção dos organizadores dessa atividade, de apreender os nossos aparelhos de áudio e vídeo, de desrespeito na hora das “revistas” do público presente, de caracterizar a atividade de “festinha” e seus participantes de “marginais”. No dia 02 Setembro dois policiais militares, o soldado Augusto e sargento Neves, chegaram a alegar que iriam chamar a Tropa de Choque para terminar com a atividade por que dali, segundo eles, teriam saído duas pessoas esfaqueadas e que estavam passando muito mal no hospital Socorrão, quando na verdade nunca ocorrera nenhum incidente entre os jovens que freqüentam aquele espaço cultural. Ao contrário, como deve ser de conhecimento de vossa excelência, nesse mesmo dia, 02 de setembro, um policial a paisana teria ceifado a balas a vida de uma pessoa em uma conhecidíssima casa de evento do Projeto Reviver, mas, ironicamente, na semana seguinte a esse trágico acontecimento, uma viatura comandada pelo policial militar Valdir e outros três policias militares sem insígnia de identificação, se fizeram presente no Lagoa Amarela com as mesmas práticas e ameaças de seus antecessores. É de causar estranheza e indignação o fato de que ao lado do Lagoa Amarela funciona uma casa de eventos freqüentada por jovens brancos de classe média, que para endentar aquele espaço fazem uma fila “quilométrica” e a polícia não faz uma única investida, não pede documentos e não realiza “revistas”. O que fica explicito nisso tudo é que a policia ali se faz presente para mostrar a juventude de periferia, em sua maioria negra, que o turismo econômico do Projeto Reviver não os autorizam a freqüentar aquele ambiente e nem muitos menos realizar atividades políticas e culturais ao lado de uma concentração de jovens brancos de classe média. Certamente não somos contra que a polícia realize seu “trabalho” nesse ou qualquer outro espaço, mas não podemos admitir que indivíduos ou grupos de indivíduos tenham tratamento diferenciado em razão de sua condição étnico-social ou da manifestação cultural a qual se identificam. Temos clareza de que a violência é hoje uma realidade presente entre qualquer grupo social, principalmente entre a juventude que residem nas periferias, pois não são assistidas por políticas públicas, e que, por essa razão, nossas atividades não estão isentas de tais manifestações. Mas seria de admirar, e não de criminalizar, uma atividade que após 14 messes de existência nunca ocorrera um único incidente, a não ser os que foram protagonizados pela própria Polícia Militar, o que é extremamente lamentável. Por outro lado, entendemos que o que falta a juventude de periferia é uma política sócio-estrutural que envolva geração de emprego e renda, educação de qualidade, lazer e cultura que possa amenizar seus sofrimentos, pois até então a única política que os sucessivos governos têm oferecido a essa camada social é a repressão policial, que por sua vez tem demonstrado a sua completa ineficiência no combate a violência. Por fim, solicitamos desse governo a concessão, até o fim do seu mandato, para que possamos continuar a realizar tais atividades sem interferência dos poderes públicos e sem a ação truculenta e preconceituosa da polícia. O Projeto Reviver dever ser, antes de tudo, entendido como um patrimônio histórico construído por pessoas negras acorrentadas aos grilhões e submetidas aos chicotes das elites eurocêntricas, realidade essa que nós descendentes afro-maranhenses, brancos pobres da periferia e militantes de organizações do campo democráticos não mais permitimo-nos submeter.

Cientes de Vossa compreensão e atendimento a nossa reivindicação,
Agradecemos antecipadamente.

Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano”
Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil”

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Quilombo Urbano na Frente de Resistência Urbana

Nos dias 05, 06, 07 e 08 de Setembro, dois militantes do Quilombo Urbano, Sonianke(Reginaldo) e Magrão(Ailton), estiveram presente no Encontro da Frente de Movimentos Urbanos em São Paulo. Onze estados sendo representados na Frente, os movimentos urbanos que não se renderam ao jogo sujo do governo Lula e que defendem o Socialismo para a construção de uma nova sociadade. a Frente de Resistência Urbana é um nova alternativa para os movimentos socias urbanos que se mantiveram nas suas bases, mesmo com todas as estruturas oferecidas por lula para calar os movimentos socias, onde o principal objetivo dessa caridade é frear a luta dos povos pobres contra os ricos que nos deixam cada dia mais pobres. O encontro começou no dia 05, com a apresentação de cada organização presente e logo após iniciou-se o primeiro debate; Analise de Conjuntura, onde estavam presente na mesa representantes da Conlutas, MST e Intersindical. Nos dias seguintes até o final do encontro, nós do Quilombo Urbano(Sonianke e magrão) tivemos acerteza de que é este o espaço que os movimentos urbanos comprometidos com a luta direta dos seus povos tem que esta, pro Hip Hop não é diferente, e o Quilombo Urbano é a prova real de que o Hip Hop esta pra além do cultural. Hip Hop Militante somando força com as organizações e movimentos socias que lutam contra a opressão de seus povos. No final do encontro tivemos uma reunião com a defensoria publica de São Paulo para denunciar-mos a criminalização dos movimentos socias e as agressões sofridas por militantes pela polícia.

p/ Sonianke

domingo, 6 de setembro de 2009

O HAITI É LOGO ALÍ: HIP HOP APROXIMA A ILHA REBELDE DA ILHA CARIBENHA



Centenas de jovens e militantes de esquerda se deslocaram de suas casas, escolas ou ambiente de trabalho até a praça “Quilombo Cultural Lagoa Amarela” no centro histórico de São Luís na noite de 04 de setembro para presenciar uma das mais importantes atividades em Solidariedade ao Haiti já realizada no estado do Maranhão. Muitos foram para apreciar o grupo de Hip Hop preferido ou o de sua quebrada e saíram de lá chocados e indignados com as imagens e relatos apresentados nos vídeos “Fora as Tropas Brasileiras do Haiti” e, principalmente, “O Que Se Passa No Haiti”. Um militante da CONLUTAS-MA chegou a afirmar que “nem precisa falar mais nada, as imagens já dizem tudo”. Um momento de extrema emoção foi quando o rapper Preto Roob do grupo “Raio X Nordeste” pediu um minuto de silêncio em memória das vitimas dessa ocupação criminosa no Haiti. Apesar da ansiedade pela espera dos show’s de Hip Hop foi marcante a concentração do público durante a exibição dos vídeos e das falas. Ninguém arredava o pé da praça nem os olhos do telão projetado na parede. Por outro era flagrante o olhar de felicidade dos militantes do Quilombo Urbano e da CONLUTAS pela comemoração de 1 ano de ocupação dessa praça que tem se consolidado como um ambiente de entretenimento e formação política. Enquanto os grupos de rap se apresentavam, oito no total, um grafite era realizado ao lado e vez por outra uma roda de break era aberta no centro da praça; política e cultura de mãos dadas em solidariedade ao Haiti. Há poucos minutos do encerramento da atividade e com a praça ainda lotada, dois militares foram exigir o fim da mesma, alegando a lei do silêncio e o risco de confusões, mas receberam uma verdadeira aula política de jovens aparentemente despolitizados. Tiveram que botar a arrogância entre as pernas e se retirarem do local. Enquanto isso, um playboy semi-adormecido de entorpecente saía de uma casa de show ao lado do “Quilombo Cultural” tentando desesperadamente carregar sua “cinderela” adormecida de “sei lá o que” para o estacionamento. Indubitavelmente o “Haiti é logo ali”, pois a partir desse ato ficou claro para a periferia de São Luís que os reais objetivos da ocupação militar é garantir a dominação econômica do imperialismo nesse país e conter a rebeldia negra da ilha caribenha e não combater “gangues de rua” como propagandeia o governo Lula e os “paus mandados” do Estados Unidos. Esse ato aproximou a “ilha caribenha” (Haiti) das periferias da “ilha rebelde” (São Luís), todos perceberam o quanto somos parecidos e o quanto precisamos está unidos. Parabéns periferia por atender nosso chamamento, parabéns “Lagoa Amarela” por 1 ano de resistência, força Haiti que a liberdade virá.
Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil”/ Regional Maranhão “Quilombo Urbano”.

domingo, 30 de agosto de 2009

Uma semana para ficar na memória da cultura carioca*

O Haiti é aqui? O Haiti não é aqui?
No mesmo dia da realização da audiência pública que debateu o Funk como cultura e referendou um ano de lutas da APAFUNK, outro evento, realizado na caída da noite, também é digno de entrar para história das manifestações culturais do rio de janeiro: o hip-hop pela retirada das tropas brasileira do Haiti, organizado pelo coletivo Lutarmada de Hip-Hop.
O papel cumprido pelas tropas "da paz" no Haiti, depois de 5 anos de ocupação, não escondem atrás do nome a sua verdadeira missão: controle e gestão da miséria e genocídio e extermínio do povo negro. Não à toa, os soldados brasileiros lá treinados vem continuar seu combate aqui na guerra desinfreada do governo do estado do rio de janeiro contra as comunidades. E não à toa, por óbvio, os mesmos nomes para mascarar os acontecimentos: "paz, pacificação e pacificador".
Entre a apresentação dos rappers, falas dos companheiros e companheiras de luta, vídeos e batalha de b-boys e b-girls marcaram a emoção da atividade. O reconhecimento implícito da mesma dor e da mesma realidade que além mar assola todos os países de maioria inegavelmente negra, custurou todas as falas e alinhavou o evento. Lágrimas de sangue, uma das últimas músicas cantadas, marcou essa compreensão.
Para quem acompanha ou acompanhava o movimento hip-hop do Rio de Janeiro, muito emoção e felicidade ficaram nítidas. Um hip-hop combativo, altamente engajado e militante, com fortíssima qualidade musical estava alí expresso. B Negão relatou, por exemplo, as várias emoções que teve durante a atividade e como foi aquele discurso que o trouxe para o movimento hip-hop, antes de vários de sua geração se perderem pelos caminhos do mercado.
Lembrando Zumbi, Dandara, Lamarca e Guevara, Delirio Black, também do coletivo Lutarmada de Hip-Hop, homenageou todos os que transformaram sua vida em luta. E relembrou a necessidade, mais que óbvia diante daquele encontro, de lutar: "se a nossa morte foi declarada, vamos lutar e viver todos os dias com dignidade".
Essas vozes, de certo, foram escutadas no Haiti. Pois não são diferentes - e por isso o recrudescimento do extermínio e do genocídio - de todo o povo que resiste em toda a parte do mundo, seja na áfrica, no caribe ou na américa latina, por outra forma e vida e de sociedade. São as vozes daquele que não se calam e cantam e dançam a necessidade de liberdade: "Liberdade, palavra que o sonho humano alimenta: não há ninguém que explique, não há ninguém que não entenda".

* Isabel Mansur - para Gaspa, Wesley e todos os companheiros e companheiras que lutam, sonham e cantam.

terça-feira, 7 de julho de 2009

MHMQB: Orgulho de ser periferia, Orgulho de ser Independente, orgulho de ser revolucionário!

Em meio à crise de legitimidade em que a maioria das ONG de Hip Hop governista se encontra nasce uma alternativa que para muitos parecia improvável. Lançado embrionariamente em novembro de 2008 no Maranhão durante as atividades da 3ª Marcha da Periferia, o Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil (MHMQB) em apenas oito meses de existência tem recebido adesões de organizações de Hip Hop de diversos estados do Brasil (MA, CE, RJ, GO, SP, PI, RGS, etc), além de militantes independentes e de torcidas organizadas de time de futebol.
Em busca de estruturar seus coordenadores, o Hip Hop governista entrou num mar de lama nunca visto antes com parcerias com instituições assassinas como o Banco Mundial que massacra os povos do terceiro mundo, Rede Globo, partidos neoliberais (do PT ao PSDB), até com a polícia existe projetinho faz de conta. Enquanto isso a juventude negra ver seus sonhos mergulhados no mar de sangue da periferia. Muita gente foi para casa decepcionado com tanta sujeira envolvendo um dos mais autênticos e radicalizados movimentos político e cultural que a juventude negra viu nascer desde os quilombos, mas outros mantiveram-se firmes, resistindo aos assédios da mídia, dos telefonemas com ofertas de emprego em algumas dessas ONG , as calúnias e até ironia de que “trabalho de formiga não rende”. Erraram por julgar as formigas pelo tamanho e não pela coletividade de suas ações. Valeu apenas resistir, estamos orgulhosos de ver o MHM Quilombo Brasil caminhando na contramão daqueles que ajudaram a lavar as mãos sujas de sangue dos “Pilatos” assassinos de nossa gente.
O Hip Hop brasileiro começa a reencontrar-se consigo mesmo e com sua honrosa história de resistência. Uma iniciativa do MHMQB que tem recebido apoio de dezenas de movimentos sociais pelo Brasil é a campanha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia” que denuncia o genocídio negro resultante desses conflitos, a criminalização da pobreza e propõe uma reação organizativa da periferia contra os poderosos. Do mesmo modo nos dias 19, 20 e 21 de novembro deste ano o MHMQB estará promovendo um grande encontro no Maranhão com suas organizações e seus simpatizantes. O objetivo central desse encontro, além da fundação oficial do MHMQB, é desencandear uma reação em cadeia da juventude negra e pobre contra o racismo, o capitalismo e seus representantes. Mas isso só será possível se esse crescimento do MHMQB for multiplicado tantas outras vezes, se em cada canto deste país estiver um hip hop quilombola organizado A história provou que o Hip Hop governista é um projeto fracassado, servindo apenas para encher o bolso de alguns a custa da ilusão da maioria. Por isso chamamos você que acredita na força da periferia organizada, que acredita na autonomia dos favelados, que acredita que a revolução só poderá ser edificada com as mãos dos oprimidos e não de mãos dadas com os opressores, a vir construir conosco essa ferramenta de luta e organização política e cultural da periferia que é o MHMQB.

NEM GUERRA ENTRE OS POBRES NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Estamos publicando abaixo um manifesto do Coletivo de Hip Hop Lutar Armada (RJ) que denuncia a criminalização da arte periférica (grafitte) e dos moradores das favelas por parte da midia comercial burguesa e do aparato repressivo daquele estado. O Coletivo Luta Armada é uma das organizações que está empenhado nacionalmente na construção do Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil. Aos ( as) camaradas nosso incondicional apoio e solidariedade.

CRIMNALIZAÇÃO DA ARTE PERIFÉRICA

No dia 9 de abril, o jornal O Dia, ao noticiar uma operação policial ocorrida na véspera em três comunidades de Costa Barros, deu destaque a um graffiti de nossa autoria, tratando-o como uma apologia ao crime. O graffiti traz a imagem de um rapaz de touca ninja, sem camisa, descalço e com duas pistolas nas mãos, ao lado da inscrição Projeto Primeiro Emprego, numa alusão à falta de perspectiva que acomete boa parte da juventude favelada, que a empurra rumo à criminalidade antes mesmo de esses jovens terem o seu primeiro contato com o mercado formal de trabalho.
Essa abordagem tendenciosa e sensacionalista induziu não só os leitores, como outros órgãos jornalísticos, e por conseqüência, seus espectadores, a essa leitura.
Nós do Coletivo de Hip Hop LUTARMADA, autores da obra em questão, temos como marca principal a prática da arte como uma forma de provocar a reflexão sobre a realidade imposta aos viventes das favelas e periferias. Como se não bastasse toda a opressão vivida por sermos pretas/os, pobres, moradores e moradoras dessas comunidades precarizadas, agora a nossa arte também vem sendo atingida nesse processo que criminaliza as vítimas da pobreza. A arte como crônica social sempre existiu e não dá sinais de extinção, porém o tratamento que ela recebe pode ir de um extremo ao oposto dependendo da sua origem. Rapazes brancos de classe média como os das bandas Titãs e Capital Inicial nunca tiveram problemas com a policia por cantarem suas músicas Policia e Veraneio Vascaína, respectivamente. Já no nosso caso, não fossem as militantes dos movimentos sociais, teríamos sido presos
por cantarmos a nossa indignação contra a atuação das forças de segurança pública. Nosso graffiti, injustamente atacado pela imprensa burguesa, bem poderia ilustrar músicas como Meu Guri ou Pivete, do grande e adorado astro da MPB, Chico Buarque.
Feito o contato com o autor da reportagem, ele responde ao melhor estilo José Mariano Beltrame – secretário de segurança pública do Rio de Janeiro – dizendo que se o graffiti estivesse na praia de Copacabana seria entendido como uma denúncia, mas como foi numa comunidade violenta como o Quitanda, o graffiti funciona como apologia ao crime.
O titulo da matéria trata do desenho como “Grafite com afronta às autoridades”. Se não tivesse induzindo leitores e leitoras a associá-lo a criminosos, até poderíamos assumir a afronta, pois sabemos que quando utilizamos a nossa arte para chamar as vítima do flagelo imposto pelo estado burguês para debatermos sobre as raízes do seu flagelo, quando nossa arte desperta a reflexão e o senso crítico da maioria oprimida, quando a nossa arte propõe a organização e a reação do nosso povo contra a minoria que nos oprime, é lógico, sabemos que estamos afrontando as autoridades.
A nossa arte até pode agredir, mas, por mais agressiva que ela seja nunca será tão quanto é a nossa realidade.
Como veículo de propaganda ideológica, o tal jornal cumpriu o seu papel. Como artistas comprometidos com a transformação dessa sociedade carcomida pelas injustiças do sistema capitalista, continuaremos cumprindo o nosso.


Coletivo de Hip Hop LUTARMADA/ Movimento Hip Hop Militante Quilombo Brasil

quarta-feira, 22 de abril de 2009

NEGRO COSME, A BATALHA: HIP HOP NA CONTRAMÃO DA GRANDE MÍDIA.








No ultimo dia 18/04 (sábado) a cidade de Caxias foi palco de duas batalhas de break: Negro Cosme, a batalha; e da Difusora. Vendo pelo ponto da quantidade, seria muito bom para o hip hop caxiense, porém estas duas batalhas diferenciam-se tanto no que diz respeito a quem organiza, como também quando se trata dos objetivos. A batalha da Difusora foi organizada pela Rede Difusora de Televisão, que tem como dono, na mais nada menos que a família Lobão (Edison Lobão é hoje Ministro da Minas e Energia) e teve como objetivo, nada mais nada menos que desarticular a batalha Negro Cosme, visto que a Difusora não tem comprometimento nenhum com o hip hop, muito menos com o Hip Hop Militante que a todo custo vem denunciando as mazelas das periferias em todo Brasil. Negro Cosme, a Batalha, foi organizada pelo MINFA e Reação Periférica que são organizações de Hip Hop da cidade de Caxias, sendo o MINFA membro do Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil” e teve como objetivo valorizar a cultura Hip Hop e demonstrar que o Hip Hop está muito além de ser um mero movimento cultural, mas sim uma alternativa para a juventude negra e favelada transformar a sua realidade.
Em mais uma das incontáveis correrias que o Hip Hop Militante vem realizando para manter o hip hop como instrumento de mobilização, organização e transformação da juventude periférica, a Batalha Negro Cosme demonstrou que através da organização podemos ir na contramão da grande mídia, pois a Batalha da Difusora tinha todos os dias diversas inserções na TV, ou seja, no quesito divulgação esta batalha já saiu na frente, porém como a Batalha Negro Cosme já é tradicionalmente realizada há vários anos e com enorme sucesso, pois sempre foi construída através da organização da periferia, este ano não deu outra! Mais uma vez foi casa cheia!
A Batalha Negro Cosme contou a participação de 13 crews de b.boys e b.girls, sendo uma, a Enigma Style Crew, formada exclusivamente por b.girls. O ginásio da Volta Redonda ficou lotado para ver os b.boys e b.girls dançando. Estiveram presentes b.boys de Caxias, Teresina e outras cidades próximas.
A Batalha Negro Cosme, não teve apenas break, mas contou com todos os elementos do Hip Hop: a discotecagem ficou por conta de Dj Morcegão (OZN) e Dj 15 (Atividade Interna), o grafite foi feito por Dennis, grafiteiro de Caxias e o Rap ao vivo, com o show do grupo de São Luís, Gíria Vermelha, que teve suas músicas acompanhadas em coro por todos presentes.
O sucesso de Negro Cosme, a batalha, só foi possível devido ao empenho e a certeza de o hip hop tem que percorrer o caminho inverso a grande mídia. Pois a Difusora não tem interesse em mostrar a realidade que é a periferia, mostrar apenas o lado violento, todos os dias ela é responsável pela veiculação do Bandeira 2, programa policial que “queima a favela de segunda a sábado”. Deste modo, compreendemos a importância da Batalha Negro Cosme como sendo mais uma resposta a grande mídia que pensa que o Hip Hop é mais uma moeda de troca nesse mundão capitalista, onde todos somos possíveis mercadoria, inclusive a nossa amada cultura Hip Hop, e como diz o MINFA, diga você também: NÃO A ELITIZAÇÃO DO HIP HOP! Mano



NEM GUERRA ENTRE OS POBRES NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!!!

Magrão, militante do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão QUILOMBO URBANO e vocalista do grupo Q.I. Engatilhado

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Periferia, Cuidado Aquela Velha Gangue está de Volta!

Não, não é dos Bárbaros e nem da galera Garotos da Bota Preta que estamos falando, a gangue que está volta não é formada por jovens da periferia, ela é incomparavelmente mais perigosa e mais organizada; estamos falando daquela velha gangue que saqueou o Estado durante quarenta anos, é a gangue dos Sarney. Isso mesmo, depois da cassação do governador Jackson Lago o Supremo Tribunal decidiu que a senadora Roseana Sarney assumisse o governo do estado do Maranhão. Quem acompanha esse bloog sabe que nós do Quilombo Urbano não temos nenhuma simpatia com o grupo Lago, que ao assumir o governo não conseguiu se diferenciar em quase nada da velha oligarquia, pelo contrário, as principais vítimas dos ataques desse governo foram os pobres, os negros e os funcionários públicos como a categorias de professores que tiveram várias conquistas retiradas. A periferia também não parou de sangrar nas mãos da polícia ou na "guerra interna" decorrente da falta de políticas públicas e geração de emprego. Do mesmo modo os cofres públicos continuaram sendo saqueados e assim por diante. Certamente, por isso mesmo, a população pobre não se mobilizou para evitar que Jackson Lago fosse cassado, pois, como o próprio governador reconheceu em entrevista ao jornal O Imparcial um dos seus maiores “erros” foi ter se afastado dos sindicatos e movimentos sociais. Mas, é preciso que estejamos atentos e organizados, pois a oligarquia está voltando e voltando com uma sede de poder que tentarão saciar com as suas mandíbulas cravadas nos cofres públicos. Nada mais nada menos que os carniceiros João Alberto (Vice) e Raimundo Cutrim (secretário de segurança pública) estão de volta para aterrorizar a juventude da periferia. Corpos e mais corpos negros voltarão a cair nos matagais de nosso estado. Roseana já declarou “em meu governo bandido não terá vez”, ora se esse governo é composto só por bandidos, então a quem ela se refere? No faro racista da velha gang, bandido mora na periferia e tem pele preta. É necessário que os movimentos sociais e negros retornem as ruas, que a juventude negra e pobre parem se matar na guerra burra e interna, pois nossa guerra mais do que nunca é outra. Se em outros momentos esses mestres da corrupção destruíram, saquearam e venderam nossas riquezas, imagine em meio a uma grave crise econômica? É hora de resgatar Negro Cosme e organizar a verdadeira balaiada da periferia contra a velha gangue do “Cão de bigode, da família mais rica, do estado mais pobre” como diz o grupo Raio X Nordeste.

NEM GUERRA ENTRE OS POBRES, NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

GÍRIAS VERMELHAS NO MINISTÉRIO DAS FAVELAS: CONEXÃO HOP HOP SÃO LUÍS - CAXIAS


Era madrugada do dia 10 de janeiro; foram cerca de cinco horas de viagem de São Luís até Caxias embalados por um bom bate papo sobre política, música, piadas (as de Verck são horríveis), Hip Hop, etc. Ao fundo Tim Maia, Jorge Bem, Bob Marley, Gíria Vermelha, P.R.C. Atividade Interna e às vezes Luciana Pinheiro ao vivo e a cores. A pobreza dos povoados em contraste com os latifúndios quilométricos denunciava porque a violência em bairros como a Cidade Olímpica tem crescido tanto. São pra lá que estão indo os que não suportam viver em meio a tanta desigualdade, só que sobreviver na ilha não tá fácil. Mas, há quem diga que o governo está transformado o Maranhão em uma potência, talvez pra gringo vê, plantar e exportar, principalmente eucalipto e soja. Eles só não exportam a miséria e a pobreza que essa política planta aqui, essa nos colhemos e o governo remedia com policiamento ostensivo.
Caxias é o lugar, Ministério das Favelas a banca e entre Duque de Caxias, assassino de negros e sertanejos, e Negro Cosme, terror dos latifundiários escravocratas, o Ministério mostrou que é “balaio” de favelados, Bento Cosme deve tá morrendo de orgulho. Depois de um bate bola (Ministério das Favelas 5x2 Gíria Vermelha) e um bom banho de rio; era hora de trocar idéia com a rapa do Hip Hop. Ficamos supressos com a quantidade de pessoas presente, tendo em vista que essa atividade, que seria no domingo, foi antecipada, em cima da hora, para o sábado à tarde. Aonde a mão suja do governo e o zóio gordo das ONG’s não chega as coisas funcionam naturalmente, bagulho doido, né não?.
No caminho para a associação passamos por dois velórios, um de um tiozinho de idade avançada e outro de uma adolescente. Em decorrência disso lembrei de Dona Divina, mãe do Pipoca (Ministério das Favelas) que me fez pensar que além de muita organização política a periferia precisa também do bom senso dos mais vividos. Na associação de moradores uma breve troca de idéias sobre pretitude, Hip Hop, crise mundial, criminalização da pobreza e a necessidade de consolidar o Hip Hop militante no nordeste e no Brasil.
Depois da rango no barraco do Pipoca fomos ao show numa praça que fica em frente a um centro cultural. Centenas de pessoas a espera. Muito grupo bom se apresentando, tanto de dança de rua como de rap. Gostei muito do grupo Verbo Negro. De São Luis, Sonianke, do grupo Dialeto Preto, mandou ver, aliás, mandou pra escutar, muita idéia certa. De repente o tempo fecha, a chuva ameaça cair, o Aliado da CX, uma das grandes atrações da noite, abre mão de tocar e chama o Gíria Vermelha. DJ 15 nos toca discos maestria o show. O calor do público contrastava com o vento frio do sereno. O discurso de Verck sobre massacre de Israel contra o povo palestino me emocionou -acho que todos ficaram- que quase não consigo cantar a minha parte na música “Lutar é Preciso”, também nem precisava, pois o público estava cantado por nós. Na hora de “O Imortal”, caiu aquele toró, o evento teve que ser encerrado, porém nem a chuva conseguiu tirar o brilho daquela noite sem lua na terra em que o espírito guerreiro de Negro Cosme se imortalizou no Hip Hop Militante. VALEU CAXIAS!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O QUE OS NEGROS BRASILEIROS TÊM A HAVER COM OS PALESTINOS NA FAIXA DE GAZA ?

“Eu vejo o passado enraizado no presente” (Gíria Vermelha)

No dia 21 de dezembro mais dois militantes do Movimento Hip Hop “Quilombo Urbano” foram espancados pela polícia de Jackson Lago, com esse sobe para oito o número de militantes dessa organização vítima do Estado policial deste governo. Três dias depois (24 de dezembro), Israel iniciou uma das mais sangrentas ofensiva contra o povo palestino na Faixa de GAZA. Contudo, as coincidências não param ai.
Os negros, desde a época da escravidão, vêm resistindo bravamente às diversas formas de extermínios praticados pelos capitalistas. Organizaram fugas, insurreições, revoltas, quilombos, capoeira, Hip Hop, etc. Após a falsa abolição alguns intelectuais racistas, como Oliveira Viana, previam que os negros desapareciam em menos de 50 anos. Não foi fácil, mas resistimos.
Do mesmo modo, os Palestinos tem resistido na Faixa de Gaza ao massacre do Estado de Israel. No final do século XIX a burguesia petrolífera judaica, em meio a uma grande crise capitalista, resolveu incentivar a imigração de trabalhadores judeus para Oriente, sob a alegação de retorno a “terra prometida” conforme consta na bíblia. Desde então o Estado de Israel, que possui um dos exércitos mais poderosos do mundo, tem exterminado, aos olhos do mundo, o povo palestino. Tudo isso, com o apoio do imperialismo Inglês e depois dos Estados Unidos. Tal como os negros, os palestinos tem resistido bravamente com mobilizações, greves, guerrilhas, homens bombas, etc.
Enquanto os negros foram arrancados da África para serem massacrados em solo brasileiro, os palestinos estão sendo massacrados em seu próprio solo. Cinicamente, os Estados Unidos, que arma Israel até os dentes, exige que o povo palestino entregue seu precário armamento.
Se no Brasil colonial as elites da época tentaram fazer de tudo para destruir os quilombos, pois representavam ameaças ao regime escravista e uma forma de organização social igualitária, o incentivo a criação do Estado racista de Israel tem também dois objetivos bem parecidos: 1- Afastar os trabalhadores judeus da influência do pensamento socialista que crescia pela Europa principalmente depois a Revolução Russa. 2- Controlar uma das regiões mais rica do mundo em recursos naturais, que é o Oriente Médio.
Entretanto, essa mesma burguesia judaica se negou a ajudar os judeus que morriam nos campos de concentração nazista. Na verdade a construção do Estado de Israel em 1948 no oriente médio e o massacre e a expulsão de mais de 70% da população árabe da região da palestina nada tem de religioso, é puramente imperialista. Não foi atoa que o grupo judeu e petrolífero Rothschild foi um dos principais incentivadores da criação do Estado de Israel.
Por outro lado, os métodos que os Nazistas utilizaram para exterminar milhões de judeus na Europa são bastante parecidos com o que à burguesia judaica utiliza para massacrar o povo palestino. Quando os judeus reagiam aos ataques nazistas eram taxados de subversivos e trucidados como animais. Hoje, Israel utiliza inclusive câmera de gás e quando os palestinos reagem são taxados de terroristas radicais, assim como os negros mortos pela polícia nos morros cariocas são sempre “traficantes”.
Durante muito tempo os governos de todo o mundo se limitaram a condenar verbalmente os excessos de Hitler até que a segunda guerra mundial se tornou inevitável. Hoje governos como o de Lula, se limita a condenar excessos de Israel. Diferente do que dizem o que existe de fato é o extermínio do povo palestino que desde o dia 24 já teve quase mil mortos, principalmente mulheres e crianças, enquanto do lado de Israel esse número não chega a 15.

Solidariedade de Classe e de Raça: A atualidade de Marx e Zumbi.
Quando Marx finaliza o Manifesto comunista conclamando “proletários de todo o mundo Uni-vos”, é por que sabia da necessidade de solidariedade entre trabalhadores de todo o mundo para derrotar a burguesia mundial e destruir o modo de produção capitalista. Felizmente, jovens, desempregados e trabalhadores de todo o mundo tem organizado manifestações massivas em defesa do povo palestino e contra o Estado de Israel, de fato Marx tinha razão.
Zumbi dos Palmares, por sua vez, se negou a negociar com a elite escravocrata da época, chegou inclusive a matar Ganga Zumba que defendida o contrário. Do mesmo modo, enganam-se ou mentem aqueles que acreditam que a pele negra de Barak Obama o fará menos assassino do que Bush. Condolesa Rice, por exemplo, tem dado inúmeras declarações criminlizando o povo palestino e a favor de Israel, do mesmo modo que defendeu a invasão do Iraque e do Afeganistão. Por outro lado diversos trabalhadores de Israel estão se opondo ao genocídio em Gaza e se negando a servir o exercito racista de seu país.
O exemplo a ser seguido é o dos Quilombos que reunia negros, índios, mestiços e brancos pobres na luta contra a escravidão e contra todos os seus representantes, independente da cor de suas peles. Façamos então a fusão Marx-Zumbi por um mundo socialista.

PROLETARIOS DE TODAS AS RAÇAS DO MUNDO, UNI-VOS CONTRA O RACISMO E O CAPITALISMO.

NÚCLEO DE MULHERES DO QUILOMBO URBANO "PRETA ANASTÁCIA."


LUTAR, CONSTRUIR, TRANSFORMA

Dia-a-dia ao longo dos nossos 20 anos, tentamos transformar o universo masculinizado do Hip Hop em universo coletivo, onde homens e mulheres despertem para a importância da participação feminina. Tendo em vista qual tipo de participação tomamos como corretas. Se aquela do tipo tradicional burguesa, que explora a imagem da mulher como mero objeto e reforça a apropriação mercadológica que o capitalismo quer do hip hop; ou uma participação ativa e politizada, combatendo o machismo dentro e fora do Movimento, denunciando as desigualdades sociais e o conjunto de valores que reforçam o pensamento de que somos inferiores.
O hip hop, em sua essência, é revolucionário e as mulheres que estão inseridas no movimento têm como tarefa se organizarem e criarem formas de abrir portas e chamar pra correria aquelas que se aproximam de alguma forma do movimento e barram por falta de estímulo, segurança, ou acham que é coisa de homem, etc.
O Hip Hop tem que inserir em seu conteúdo o universo da mulher de periferia e conscientizar todos e todas que o descaso social, na marginalidade, na violência, no racismo, é sentido pela mulher de forma profunda. Essa inserção tem que partir primeiramente da união e organização das mulheres da periferia, negras e excluídas, deixando de lado vícios burgueses que aprendemos durante toda vida. Como “a neguinha que fala mal da outra”, desunião, sem saber que a conseqüência desse comportamento na periferia é a desorganização. E para que a gente esqueça que todas as mulheres e homens pobres recebem uma herança social: A MISÉRIA.
Precisamos saber que não somos nós os responsáveis por ela. O capitalismo precisa ser destruído para que nossos filhos cresçam numa sociedade justa e não enquanto marginais espancados pela polícia. Que a saúde seja para a população, não só pra quem tem dinheiro. Para que a educação de nossos filhos tenha qualidade total, que é direito nosso. Para que a política coloque o povo que sustenta a nação através do trabalho em 1º lugar e não os banqueiros e grandes empresários.
A união das periferias é necessária.
A organização das mulheres é urgente.
É preciso entender que mulheres e homens são vitimados pela sociedade capitalista e têm que aprender que estamos juntos nessa luta.
NÚCLEO DE MULHERES DO QUILOMBO URBANO
"PRETA ANASTÁCIA"
Para mais informações: (98) 88532537
Comunidade ORKUT Núcleo Preta Anastácia

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Parceria dos Racionais com a Nike: o que a periferia tem haver com isso?


P/ Hertz Dias


Acho interessante a polêmica que se construiu em torno da possível parceria Racionais/Nike e quero aproveitar o momento para lançar algumas reflexões. É indiscutível a importância que este grupo de rap teve e ainda tem para a juventude negra de todo o Brasil. Eu mesmo devo muito aos racionais pelo que eu sou hoje, inclusive em uma das músicas do cd do meu grupo rap eu falo “meus heróis eu conheci no Hip Hop não na escola/ professor desinformado deturpou minha história/ ora bolas minha senhora ver se pode/ meus primeiros professores foram racionais e GOG” (Herói de Preto é Preto).
Há alguns anos atrás li um artigo, não lembro de quem, falando que o Hip Hop fez em menos de dez anos o que o movimento negro não conseguiu fazer em mais de vinte anos. O Hip Hop conseguiu dialogar com o setor mais oprimido, explorado e excluído da classe trabalhadora do Brasil, alias o Hip Hop é formado fundamentalmente por esse setor.
E é essa resistência e capacidade de despertar a indignação da juventude negra e formar intelectuais orgânicos na periferia que a racista burguesia brasileira quer dilacerar. O tripé fundamental para a manutenção da dominação de classe e de raça, assim como para direção cultural e ideológica no Brasil ou em qualquer parte do mundo é que está atuando conjunta e articuladamente sobre o Hip Hop brasileiro nesse momento, ou seja, a grande mídia, as empresas multinacionais e o Estado.
Em um documento escrito há cinco anos atrás eu dizia que o Hip Hop brasileiro cresceu e se fortaleceu a margem dessa tríade capitalista e que, infelizmente, o seu enfraquecimento político é resultado da inversão desta postura. Nos últimos cincos anos acompanhamos a aparição de diversos grupos de Hip Hop na Globo, encontros com o governo Lula, inúmeros projetos com prefeituras neoliberais e parcerias com empresas multinacionais, sem contar a avalanche de ONG’s especializadas em Hip Hop que se espalharam feitos pragas por todo o Brasil. O Hip Hop militante do nordeste virou pó institucionalizado, restando poucas organizações como o Quilombo Urbano que tenta reconstruir o Hip Hop militante e revolucionário desta região.
Quem tanto denunciou a opressão contra os pretos, se calou perante a vergonhosa ocupação do Haiti liderada pelo governo Lula a mando de Bush, silenciaram também sobre as ocupações da Força de Segurança Nacional em favelas, morros e bairros majoritariamente negros em todo o país. Falo isso em termos majoritário, pois as exceções só confirmam a regra.
No Maranhão chegou-se a dois absurdos emblemáticos a esse respeito: a completa ausência das ONG’s de Hip Hop e do Movimento Negro nos atos de denúncia do linchamento do artista Gero por policias militares e civis do governo de Jackson Lago e o mais recente e ridículo papel destas mesmas organizações na tentativa esvaziar e enfraquecer a 3ª marcha da periferia organizada pelo Quilombo Urbano para pressionar o Estado a estender seu braço social na periferia (quanto a isso ver matéria “Governo e CUFA Versus 3ª Marcha da Periferia).
Em suma, em nosso entendimento, não é apenas financeiro o objetivo da Nike junto ao grupo Racionais, mas é acima de tudo político. Ao contrário da maioria do nosso povo, a burguesia tem consciência histórica, sabe se antecipar aos fatos, sabe se precaver. Eles sabem que as periferias de todo planeta viraram verdadeiros barris de pólvoras preste a explodir ou em alguns casos já explodidos.
A França mostrou o caminho. A juventude negra e imigrante daquele país encabeçou um das maiores insurreições populares da sua recente história. Em maio de 2005 mais de quinze cidades foram paradas, inclusive Paris, e isso obrigou o governo a criar, sob o calor da insurreição, um programa de geração de emprego para aquela juventude, quando o seu objetivo era justamente inverso. Sabe qual foi à música acusada de ter insuflado aquela revolta? Isso mesmo, o rap!!! Logo em seguida o parlamento francês se viu obrigado a votar uma lei de censura a determinadas canções de rap. Veja que interessante: o Hip Hop embalando uma revolta vitoriosa da juventude das periferias francesas contra o neoliberalismo!!!. Na Grécia a também juventude de periferia está protagonizando novas e importantes revoltas populares. Esse fenômeno tende a se mundializar com a crise do capital.
Já imaginaram um Racionais, um GOG, um Facção Central, um MV Bill a frente de um processo como este. Um detalhe importante, salvo engano, acho que são poucos os países do mundo que tem uma periferia tão instável como a nossa. E a burguesia brasileira sabe que a nossas periferias respiram Hip Hop, só que eles também sabem transformar oxigênio em gás carbônico.
O momento que estamos vivendo é impa. Nossa geração nunca viveu uma crise econômica do capitalismo tão profunda e grave com a atual, talvez em proporções bem maiores que a de 1929. Segundo Gramsci, é nesses momentos que a burguesia utiliza a política do “transformismo”, isto é, na impossibilidade de atender minimamente as necessidades básicas do povo pobre, ela opta por cooptar suas principais lideranças que tentarão legitimá-la junto aos pobres. A parceria CUFA/Globo/UNICEF não é atoa, assim como será atoa a parceria Racionais/ Nike, caso se consolide. Em fim, quanto maior a crise maior será a tentativa de cooptação.
Os Estados Unidos, durante o governo de Clinton, enfrentou uma crise de grandes proporções que afetou principalmente a população negra, latina e feminina daquele país e o que fez o governo? Simplesmente criou diversas “secretarias simbólicas” com representantes desses setores, não para elaborar políticas para reverter a penalização de suas demandas sociais, mas para legitimar os ataques do governo. Entretanto, a questão, a saber, é até onde eles podem ir? Pois, as crises pressupõem também escassez de recursos e de fato muitas ONG’s estão quebrando em decorrência dela. Essa é a sinuca de bico que a periferia e seus organismos políticos se encontram afinal.
Assim que Lula assumiu, o intelectual e militante de esquerda, James Petras, anunciava que havia dois setores fundamentais que FHC não conseguiu controlar definitivamente durante o seu governo: um era os sem-terras e o outro era os favelados. Palmas para Lula!!!. A questão da reforma agrária simplesmente saiu da pauta, o MST recuou como nunca. No Maranhão estão mobilizando suas bases sociais em favor do corrupto e pró- agronegócio governo de Jackson Lago , mas não estiveram juntos aos professores na época que estes estiveram em uma heróica greve contra esse mesmo governo. Por outro lado, a política de assentamento do governo Lula é tão ridícula quanto à de FHC, mais de 90% do crédito agrário deste governo vai para o agronegócio, enquanto os pequenos agricultores endividam-se.
Em relação aos favelados, ao mesmo tempo em que o governo bate (com o fortalecimento do Estado policial) ele assopra (com o financiamento de ONG’s de Hip Hop). Infelizmente, a mais importante força política da periferia, ou seja, o Hip Hop é uma das principais vitimas do “transformismo” da burguesia na atualidade.

É preciso Recompor as Forças

O Racionais já cumpriu seu papel político; despertou a consciência crítica de milhões de jovens negros e pobres deste país, o que não os isentam de críticas. Que eles optem entre viver de cabeça erguida com a periferia ou morrer de joelhos dobrados perante a burguesia.
Para a periferia o que está em jogo no momento é sua sobrevivência política. Tanto nós quanto o capital precisam recompor suas forças diante da crise e só um conseguirá ser exitoso. Para a burguesia, resta aumentar a exploração sobre os pobres, destruir direitos sociais, pressionar o governo a desviar verbas públicas para o setor privado e como remédio letal mais polícia para a periferia.
Segundo dados da própria ONU, o dinheiro que já foi desviado dos cofres públicos para salvar capitalistas falidos só durante essa crise daria para resolver o problema da fome em todo mundo por 16 vezes. No Brasil Lula já injetou mais 360 bilhões de reais para salvar banqueiros, latifundiário e demais capitalistas falidos, enquanto que na educação já promoveu um corte de quase mais de 2 bilhões de reais.
A saída da crise para a burguesia significará mais barbárie capitalista para a periferia. Não é atoa que no congresso está tramitando um projeto que autoriza as forças policias a adentrarem em qualquer casa sem mandato de busca. É evidente que isso já acontece na velha perifa, mas caso o projeto seja aprovado isso ocorrerá com mais freqüência. Esse é só mais um projeto de criminalização da pobreza que se ampliará com a crise.
Para a periferia e a classe trabalhadora em seu conjunto está colocada à possibilidade histórica de ruptura com o capital, não haverá saída por dentro das estruturas.
E para isso não nos resta outra saída a não ser organização política e coletiva. Como diz o rapper P.R.C. do Quilombo Urbano “o coletivo é o bem maior/ antes junto do que só”. Que as organizações de Hip Hop retornem as suas bases sociais com urgência, que transformem suas ONG’s em movimentos sócio-políticos independente dos governos e do capital, pois as ONG’s nada mais é do que “o braço solidário do imperialismo” para ganhar as bases sociais dos movimentos revolucionários para o Estado. Que os grupos de rap de ponta sejam mais solidários com a periferia de fato, na ação cotidiana e não só nas músicas. Que compreendam que são menores que as necessidades coletivas da periferia.
Permitir que os negros desabafassem culturalmente suas angustias, era a tática defendida nos sermões do reacionário Padre Antônio Vieira durante a escravidão, pois ele, sabiamente, acreditava que assim a possibilidade de revolta escrava seria bem menor. Será mesmo que o Hip Hop vai ser esse remédio terapêutico que o capitalismo tanto precisa nesse momento de crise para evitar que a bomba “H” (humana) da periferia exploda em suas mão, eu particularmente espero que não.
É importante que entendamos que a periferia é bem maior que nossos amigos da “Vida Loka” e que cada decisão tomada a partir de agora é como se estivéssemos aos 45 do segundo. Se seremos salvos e perdoados é outro assunto, porém não podemos deixar que nossos sonhos coletivos sejam crucificados por “nomes estrangeiros que estão em nosso meio pra matar, M.E.R.D.A.”

São Luís-Maranhão-Brasil 20 de Dezembro de 2008.

Hertz é militante do Movimento Hip Hop “Quilombo Urbano”, vocalista do grupo de rap Gíria Vermelha.