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sexta-feira, 4 de março de 2011

O MAPA DA VIOLÊNCIA DA JUVENTUDE E O EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA NO MARANHÃO

Prof. Rosenverck E. Santos
Foi lançado em Brasília, na quinta feira dia 24, pelo Ministério da Justiça, o Mapa da Violência 2011 – Os Jovens do Brasil. Sob coordenação do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz o estudo demonstra o grau de extermínio porque passa a juventude negra e pobre, moradora das periferias dos centros urbanos, neste pais.
No maranhão o salto do extermínio da juventude pobre e negra foi brutal – mais de 300% de aumento da violência. O que fica explicito no próprio documento em questão:
“Observando mais atentamente as Unidades Federadas, ficam evidentes modos de evolução altamente diferenciados, com extremos que vão do Maranhão, Pará ou Ceará, onde os índices decenais se elevam drasticamente”, ... Nesse sentido, a capital do Maranhão, São Luis, sai do 23º lugar em 1998 para o 11º em 2008.
O Número de Homicídios na População de 15 a 24 anos por UF e Região no Brasil de 1998/2008 demonstra que o Maranhão saiu de 1998 de 74 homicídios para 455 homicidios em 2008, ou seja, um aumento alarmante e assustador, principalmente em se tratando da população negra, como diz o documento:
“Efetivamente, de 2002 a 2008, para a População Total:
• O número de vítimas brancas caiu de 18.852 para 14.650, o que representa uma significativa diferença negativa, da ordem de 22,3%.
• Já entre os negros, o número de vítimas de homicídio aumentou de 26.915 para 32.349, o que equivale a um crescimento de 20,2%. Com isso, a brecha que já existia em 2002 cresceu mais ainda e de forma drástica...ou seja, morrem proporcionalmente 67,1% mais negros do que brancos”.
Poderia continuar cintando milhares de dados e recortes de raça/classe/gênero que só comprovariam o extermínio da juventude negra e pobre. Mas esses dados podem ser vistos no próprio documento disponibilizado – sem nenhuma vergonha na cara – pelo Ministério da Justiça.
Entretanto, isso evidentemente não causa espanto pra quem vive nas periferias do Maranhão que cotidianamente observam seus jovens sendo vitimados pela ausência completa de políticas publicas na educação, saúde, lazer, cultura, trabalho e o que mais queiramos citar.
Exceção feita, a presença sempre ostensiva dos aparelhos repressivos do Estado como a Policia que não apenas é uma das principais responsáveis diretas pelo assassinato de milhares de jovens – principalmente negros – como são responsáveis indiretos, junto a outros órgãos do Estado na medida que potencializam, a partir de inúmeros métodos, a guerra interna na periferia causando mortes e violência.
No entanto, o que é mais ridículo e trágico e assistir as desculpas esfarrapadas dos órgãos de (in)segurança, em especial do Secretário de Segurança do governo Roseana que atribui o aumento da violência ao uso e difusão das drogas. Mais uma vez – e, essa historia é antiga – se culpa a vítima pelo violência que sofre.
Como já escrevemos inúmeras vezes, o Brasil historicamente tem uma política de extermínio da juventude negra que tem suas raízes na escravidão e que se funda teoricamente com o nascimento da Republica que associa princípios escravistas remanescentes da colônia e do império com o discurso raciológico, capitalista e eugenista do início da República.
Era necessário embranquecer este país fenotipicamente e isso deveria ser realizado com qualquer arma que estivesse na mão. A política era clara e habilmente manobrada para conquistar neutralidade e legitimidade.
Como já escrevi em outra oportunidade: “A equação é simples. Retira-se tudo: educação, saúde, esporte, direitos sociais, trabalho, lazer... empurra para a marginalidade....retira-lhes a identidade, o nome, a história, as referências, a dignidade e os renomeia: - bandidos. Depois disso: se mata, se extermina... se acaba com o perigo negro da juventude brasileira. Uma política que tem história e que se renova; que tem múltiplas causas e justificativas; que tem diferentes contextos e territórios. Mas o resultado final é sempre o mesmo: o extermínio da juventude negra”.
E depois ainda tem mais: se culpa as vítimas pelo seu extermínio. Antes, porque não queriam trabalhar, porque eram inferiores...hoje porque são usuários de droga....como se a fabricação, controle e organização do tráfico de droga não tivessem origem nos condomínios de luxo, na elite brasileira e nos gabinetes com ar condicionado como política social e coletiva bem definida de extermínio e incentivo da guerra interna na periferia.
A droga - na sociedade capitalista, com a forma que adquire - não é problema individual; é política coletiva e social de dominação e implantação de um projeto de país.

Precisamos, portanto, de um outro modelo de sociedade e nação, para que os jovens pobres e negros no Brasil possam realmente ter sua juventude conquistada e, assim sendo, não morram muito antes de contribuírem para a contrucão de uma sociedade igualitária – esse sim o real perigo que assuta as elites desse país.

terça-feira, 14 de abril de 2009

MANIFESTO “PELO FIM DA GUERRA INTERNA NA PERIFERIA”

Agente vive se matando irmão, por quê?
Não me olhe assim eu sou igual a você! (Racionais Mc,s)


Você sabe quanto vale a vida de um jovem negro igual a você neste país? Não? mas os playboy’s sabem, sua vida não vale nada irmão! Nos últimos anos o capitalismo tem nos mergulhado num mar de sangue como nunca visto antes. Se não bastasse a repressão policial, temos nos envolvidos numa “guerra interna” sem fim, de rua contra rua, quebrada contra quebrada, bairro contra bairro e morro contra morro. Mas, nada disso tem ocorrido atoa. Além de nos arrancarem o direito à educação, saúde, moradia, lazer e trabalho, os playboy’s não arrancaram também os olhos e o desejo de viver. Manipularam nossas consciências de tal modo que não conseguimos ver no magnata de gravata, que desvia milhões de reais dos cofres públicos, como nosso inimigo. O inimigo, infelizmente, mora ao lado, ele é preto, é pobre, é favelado. Como então reagir se estamos divididos e com o canhão apontado uns para as cabeças dos outros?
Você sabe quantas escolas daria para construir na periferia com os 20 milhões de reais que o deputado Edmar Moreira (DEM-MG) desviou para construir o seu luxuoso castelo medieval em meio a uma comunidade pobre? Você sabe quantas casas daria para construir com os mais de 300 bilhões de reais que o governo Lula tem dado de mãos beijadas para os donos de bancos? Você não sabe irmão? Tá bom então, você não se importa com política né?
Mas, você sabe de onde vêm as drogas e as armas que entope com ódio o sentimento da periferia? Você tá ligado que quando a polícia invade a favela e mata um negro a mídia logo noticia que era traficante, mesmo sabendo que traficante de luxo não mora em rua com esgoto a céu aberto, nem enfrenta polícia, na verdade eles compram a polícia, o parlamento e, infelizmente, a consciência de nosso povo. Ele mora em bairro de boy por que ele boy e não favelado!!!
Você sabia que os bancos dos Estados Unidos lavam por ano mais de 400 bilhões de dólares tudo proveniente do narcotráfico. Ah, agora você sacou né sangue bom? É isso mesmo, quem financia a “guerra interna” em nossas comunidades são eles com o consentimento do nosso governo. O mesmo país que obriga o nosso governo a ocupar a periferia com força militar é o mesmo que joga as drogas e armas que alimenta o ódio cego de irmão contra irmão.

PERIFERIA, PARE, RESPIRE POR ALGUNS SEGUNDOS (G.O.G)

Pelo fim da “guerra interna” nós do Quilombo Urbano propomos um pacto de paz entre todas as gangues, galeras e bondes de todas as comunidades pobres deste país. Nossa declaração de guerra é contra os ricos, é por educação, saúde, cultura e emprego. Vamos reduzir a zero à contagem de corpos sem vida no chão da periferia. Vamos multiplicar por mil o sorriso de felicidade da mãe que vê seu filho resgatado do crime. O desafio está lançado pra quem é guerreiro de verdade.
1- Exigimos a eliminação gradual do sistema prisional que não ressocializa pobre e nem condena rico, na verdade só serve para alimentar a indústria do crime aumentando o sofrimento da periferia e o lucro das empresas de segurança privada.
2- Para cada cela fechada uma escola construída. Para cada pavilhão extinto uma faculdade aberta, para cada presídio desativado uma universidade inaugurada.
3- Que a polícia se retire imediatamente das periferias e vá para as fronteiras do país, para os aeroportos, para os portos e para os bairros nobres estourar com as mansões e os miolos de quem realmente envenena e promove a guerra entre o nosso povo.
4- Pela formação de conselhos populares de segurança pública que possibilite a própria comunidade a resolver democraticamente os conflitos de seus moradores.
5- Por um plano emergencial de obras públicas em todos os bairros de periferia com vista a gerar emprego e renda e combater o crime em suas raízes sociais.
6- Pelo fim dos assaltos na periferia. Nossos inimigos são outros. Violência Zero na periferia.
7- Pelo fim do pagamento da divida interna e externa, que esse dinheiro, que é nosso dinheiro seja investido em políticas sociais na periferia.

NEM GUERRA ENTRE AS GANGUES, NEM PAZ ENTRE AS CLASSES.

MOVIMENTO HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO “QUILOMBO URBANO”
20 anos de Correria, 20 anos de Periferia!