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sábado, 6 de março de 2010

ATO SHOW " MULHERES EM LUTA " FOI MAGNIFICO

Ontem 06/03 aconteceu o Ato-Show “Mulheres em Luta. Por um 8 de março classista e feminista!” no Quilombo Cultural Lagoa Amarela (Reviver). Foi um sucesso bastante participativo, organizado e dirigido por mulheres. Um ponto alto da atividade foi a passagem do curta metragem Acorda Raimundo que denuncia o machismo na relação homem/mulher, discutindo os papéis sociais construídos. Após a exposição do curta houve comentários feitos por Danúbia (Quilombo Urbano) e Rielda (ANEL), seguidos de várias falas de mulheres e homens. Sentimos que o vídeo mexeu muito com os presentes. Tivemos também a apresentação do QI Engatilhado, onde a Preta Lú cantou uma música bastante crítica em relação à situação das mulheres da periferia e Mano Magrão que cantou uma linda música em homenagem à sua Mãe “ Dona Moça”. A companheira Lucelma Braga (APRUMA) recitou a bonita poesia de Elisa Lucinda “Aviso da Lua que Menstrua”. Depois uma participação maravilhosa de Luciana Pinheiro cantando músicas fortes de mulheres. O show foi encerrado com o Gíria Vermelha com a participação de Luciana Pinheiro. Foi muito emocionante todos cantando a música Baile das Rosas. Relembramos a todas e todos que na segunda-feira (08/03), às 18 horas, haverá a mesa redonda Cem Anos de Luta Internacional da Mulher: história, conquistas e Emancipação da mulher trabalhadora, com a representação das Entidades: APRUMA, Quilombo Urbano, GT de Educação/Conlutas, SINTRAJUFE, ANEL, Bancários.

Grande abraço,

Cláudia Durans

sábado, 5 de dezembro de 2009

MANIFESTO DA 4ª MARCHA DA PERIFERIA “PELO FIM DA GUERRA INTERNA”

As condições de existência da juventude pobre e negra que reside nas comunidades periféricas do nosso estado e do Brasil de um modo geral são cada vez mais degradantes. As históricas reivindicações dessas comunidades por políticas públicas foram inversamente atendidas com mais criminalização midiática e repressão estatal. Desde 2005, bairros pobres de todos os estados brasileiros foram ocupados militarmente pela Força de Segurança Nacional. No entanto, mesmo antes desse acontecimento muitos governos já haviam adotado “Toque de Recolher” sufocando o lazer e as práticas culturais desses bairros ocupando-os com forças policias. Em nosso estado, o bairro da Liberdade é um exemplo emblemático desse processo de criminalização da pobreza.
Os governos, em suas três esferas (municipal, estadual e federal), manipulam a problemática das drogas e do crime para desviar os olhares populares das questões sócio-estruturais de centro que levam a juventude pobre a submeter-se a tal condição.
Em se tratando especificadamente da população afro-descendente, desagregando os dados estatísticos por etnia, as condições de existência destes se aproximam do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países mais pobres da África ou da Ásia. Os afro-descendentes dos estados de Alagoas, Maranhão e Ceará apresentam um IDH considerado quase baixo (entre 0,500 e 0,599), já o IDH dos brancos brasileiros, em seu conjunto, é considerado quase alto (entre 0,750 e 0,799), muito próximo da situação dos países europeus.
Tudo isso prova que as desigualdades raciais no Brasil se mantêm mesmo doze décadas depois da “abolição” da escravatura. Os mecanismos de dominação ideológica e econômica se mantiveram e se reproduzem cotidianamente. Desta forma, está claro que, é para o setor socialmente mais desassistido por políticas públicas que o “punho de ferro” do Estado tende a robustecer.
É para esse setor, conforme nos mostra Wacquant (2003), que vimos restabelecer uma espécie de “ditadura pura”, mesmo 20 anos depois da queda das ditaduras militares em toda a América Latina. No Maranhão vimos recentemente uma greve dos trabalhadores da educação pública ao mesmo tempo em que o governo propagandeava a compra de mais 174 viaturas para a polícia militar.
Por outro lado, se não bastasse à repressão estatal e a criminalização midiática, deparamo-nos com um processo de “guerra interna” envolvendo a juventude das periferias de todo o Brasil. Os ideólogos do capital, a mídia comercial burguesa e os partidos conservadores conseguem fazer com que a juventude imersa no barbarismo neoliberal se veja como inimigos.
Os espaços de manifestação da violência intra-periférica são cada vez mais reduzidos, o “inimigo” mora cada vez mais próximo. A revolta social de muitos destes jovens ao invés de ser canalizada politicamente contra aqueles que aplicam inapelavelmente as políticas neoliberais, é descarregada nas “batalhas” das “guerras internas” de bairro contra bairro, de comunidade contra comunidade, de morro contra morro, de rua contra rua, de vizinho contra vizinho e assim sucessivamente.
Essa é a política invariável do imperialismo cultural levada a cabo por partidos e políticos conservadores do nosso país: cortar pela raiz qualquer possibilidade de ações políticas coletivas que se contraponha à dominação externa e interna, pois para manter a periferia vivendo na situação limite do barbarismo neoliberal é necessário frear atos limites de ruptura política com o capital.
No entanto, nem tudo é derrota para a juventude das periferias do nosso estado. Muitos desses jovens criminalizados pelos pela grande imprensa, penalizados pelas políticas neoliberais e punidos pelo aparato repressivo resolveram dar uma resposta política positiva a essa situação e através da cultura Hip Hop tem articulado as Marcha das Periferias, que já caminha para a sua quarta edição.
O objetivo principal deste evento é, ao mesmo tempo, favorecer a construção de uma subjetividade positiva coletiva entre a juventude negra e pobre e chamar a atenção do conjunto da sociedade maranhense e dos poderes públicos constituídos para a necessidade do Estado estender seu braço social nos bairros de periferia.
A iniciativa da construção da marcha da periferia foi do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano, em 2006, mas ganhou tal dimensão que hoje é coordenada por um conjunto de entidades do movimento popular e sindical que compõe o Comitê Pró-Periferia. Essa importância também se reflete em âmbito nacional, ao ponto de diversas entidades de Hip Hop e organizações políticas tradicionais de outros estados se deslocaram até o Maranhão para participarem das atividades que envolvem a programação da Marcha da Periferia.
Para sensibilizar e mobilizar a população pobre a participar da das marchas das periferias, atividades políticas e culturais são realizadas nas comunidades pólos que envolvem diversos bairros próximos uns dos outros. Esse ano foi realizado atividades nos pólos Liberdade-Fé Deus, Bequimão-Rio Anil, Novo Angelim, João Paulo -Coroado, Cidade Olímpica- Santa Eufigênia, Areinha- Bairro de Fátima e Vila Embratel. A cultura Hip Hop é, geralmente, o principal instrumento político-cultural de mobilização nessas comunidades.
Como resultado das discussões realizadas nessas atividades e nas reuniões ampliadas para construção das Marchas da Periferais são elencadas uma pauta de reivindicações que é comum a praticamente todos esses bairros. Neste sentido, a 4ª Marcha da Periferia traz a seguinte pauta de reivindicação que gostaríamos de apresentar aos (as) senhores (as) deputados (as);

1- Por um plano emergencial de obras públicas em todos os bairros de periferia do Maranhão para gerar emprego e renda e combater o crime em suas raízes sociais;
2- Construção de escolas públicas com qualidade de ensino de acordo com a demanda do estado e reformas das escolas já existentes;
3- Pela construção de áreas para a prática do lazer, esporte e cultura nos bairros de periferia;
4- Pelo fim do déficit habitacional do nosso estado, Reforma urbana já!
5- Pela instalação de uma auditoria da divida pública do estado do Maranhão;
6- Pelo fim das ocupações militares nos bairros de periferia;
7- Pela desmilitarização da polícia;
8- Pelo fim da perseguição as rádios comunitárias e contra a criminalização praticada pelos grandes meios de comunicação contra os moradores da periferia;
9- Pelo fim de repasse de verbas públicas para a imprensa comercial burguesa;
10- Pela eliminação gradual do sistema prisional que não ressocializa pobre e nem mantém preso o rico.
11- Pela formação de conselhos populares de segurança pública que possibilitem à própria comunidade resolver democraticamente os conflitos entre os seus moradores;
12- Pela construção de mais hospitais públicos, a exemplo do IPEM, nos bairros de periferias;
13- Ações afirmativas para os afro-brasileiros nas universidades públicas estaduais rumo a fim do vestibular e universalização do ensino superior;
14- Pela desmilitarização das universidades estaduais, pelo fim do C.F.O. na UEMA;
15- Mais verbas para a preparação de professores com vista a viabilizar a implementação efetiva da lei 10.639/03 nas escolas públicas da rede estadual de ensino;
16- Aprovação e adoção do dia 20 de novembro como feriado estadual do dia da consciência negra;
17- Eleição direta para diretores de escolas e liberdade para construção de grêmios estudantis;
18- Saneamento básico e tratamento de esgoto digno para a classe trabalhadora;
19- Pela implementação do Disque Racismo já existente em outros estados da federação e que seja controlado pelo conjunto das entidades do movimento negro e afins;
20- Pela titulação das terras dos remanescentes de quilombolas em todo o estado do Maranhão.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Hip Hop em Defesa da Greve dos Trabalhadores em Educação

O movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano”, entidade política e cultural que está completando 20 anos de existência, juntamente com dezenas de grupos de Hip Hop, vem a público manifestar total apoio a greve dos trabalhadores da educação pública do Estado do Maranhão e repudiar a forma criminosa como esses bravos e destemidos companheiros vem sendo tratados pelo ilegítimo governo de Roseana Sarney, pela direção biônica do SIMPROESSEMA (PT/ PC do B) e até por algumas organizações estudantis ligadas a políticos corruptos, a exemplo da UMES apadrinhada pelo governado, que entrou com uma ação no Ministério público contra os professores e não contra o governo que desrespeita direitos de professores e estudantes.
Nós que vivemos e atuamos nos bairros de periferia sabemos o estado em que se encontra a educação pública do Maranhão. Sabemos por que sentimos cotidianamente na pele essas condições. No entanto, não é culpa desses trabalhadores se nossa juventude estuda em escolas sucateadas, com salas superlotadas e com profissionais mal remunerados. O governo e essa corja de playboy’s metida à liderança estudantil querem colocar os educadores no banco dos réus da sociedade, quando na verdade são eles os grandes criminosos.
O Hip Hop nos ensinou a não amar o inimigo. Roseana Sarney ataca os educadores por que sempre foi inimiga de uma educação pública e de qualidade para nosso povo, faz isso por que é inimiga histórica daqueles que vivem na periferia para os quais a única política que tem a oferecer é a repressão policial.
Na contramão dos inimigos da educação pública, nós do Quilombo Urbano estaremos realizando um grande ato em defesa da greve dos trabalhadores em educação e, conseqüentemente, da educação pública do Estado do Maranhão.

PROGRAMAÇÃO

Exibição do filme “Por Dia Nascer Feliz”.
Comentadores: Representante do PRONERA, MRPE, GT de Educação da CONLUTAS e Quilombo Urbano.
Apresentações de grupos de Hip Hop
Local: Quilombo Cultural Lagoa Amarela, Projeto Reviver (ao lado do Restaurante Cantinho da Estrela)
DATA: 06 DE OUTUBRO DE 2009
Inicio: 19:00h.

MOVIMENTO HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO “QUILOMBO URBANO”
20 ANOS DE CORRERIA, 20 ANOS DE PERIFERIA!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Hip Hop Quilombola na Mira da PM’? CHEGA!!!

Depois de mais uma sexta-feira de tentativa de intimidação de nossos militantes no Quilombo Cultural Lagoa Amarela por parte da Policia Militar da governadora Roseana Sarney resolvemos lançar um manifesto que será entregue a referida governadora na próxima quinta feira (15/10). Publicamos abaixo o documento na integra e solicitamos a solidariedade de todas as organizações políticas que combatem a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.

SÃO LUÍS 14 DE OUTUBRO DE 2009

EXCELENTÍSSIMA SENHORA GOVERNADORA ROSEANA SARNEY

Em setembro de 2008, durante as atividades de preparação da III Marcha da Periferia, evento este que nós do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão Quilombo Urbano, juntamente com outras entidades do movimento popular e sindical realizamos desde 2006 com a juventude de nossas comunidades pobres, tomamos a iniciativa de ocupar a Praça da Criança no centro histórico de São Luis para realização de atividades políticas e culturais de Hip Hop com a juventude que para ali se direcionam. Antes dessa ocupação, ocorrida no dia 05 de setembro, dia da raça, a Praça da Criança se encontrava completamente abandonada pelo poderes públicos, mas a partir dessa iniciativa, de jovens negros e pobres excluídos cultural e economicamente do turismo econômico que ali se instalou, a Praça da Criança passou a ser um dos espaços públicos mais “vivos” do “Projeto Reviver”. Batizada de “Quilombo Cultural Lagoa Amarela” em homenagem ao herói afro-maranhense Negro Cosme, nela é possível visualizar diversos grafites, a arte visual do Hip Hop, com mensagens que refletem a situação e os anseios da juventude negra e pobre, além das apresentações de danças, grupos de rap, exibição de vídeos e apresentações de artistas de outros gêneros culturais. Nesse espaço já ocorreram inúmeras atividades políticas de grande repercussão, a exemplo do ato em solidariedade ao povo do Haiti, país este que no momento se encontra ocupado pelas forças militares da Organização das Nações Unidas (ONU) lideradas pelo Brasil, a MINUSTAH.




A marca principal desses eventos é o fortalecimento dos laços de sócio-afetividade entre a juventude de periferia. Alguns meses após a ocupação dessa praça, o então secretário de cultura do governo de Jackson Lago, Joãozinho Ribeiro, em reunião com alguns de nossos militantes, propôs uma parceria entre nossa organização (Movimento Hip Hop Quilombo Urbano) e a secretaria de cultura do Estado para realização das atividades políticas e culturais. Na oportunidade agradecemos a referida proposta, tendo em vista que o objetivo inicial do projeto Quilombo Cultural Lagoa Amarela era de completa autonomia e independência em relação ao poderes públicos, nossa única exigência seria a de estruturação da praça com construção de banheiros públicos, bancos e iluminação, o que infelizmente até o momento não ocorreu. Mesmo com a negativa de nossa parte, durante todo esse período nunca fomos molestados pelo governo anterior nem muitos menos pela sua força policial, pelo contrário, fomos diversas vezes elogiados pela iniciativa de ter transformado um espaço “sem vida” em um ambiente onde a juventude de periferia se encontra todas as noites de sexta feira para permutar informações e manifestar suas angustias cotidianas e seus desejos de transformação de suas realidades sócio-estruturais. No entanto, nos últimos meses, essa realidade tem se transformado radicalmente. Em nenhum ambiente cultural, público ou privado, do Projeto Reviver, a Polícia Militar tem atuado com tanta repressão como no “Quilombo Cultural Lagoa Amarela”. Para se ter uma idéia, só nas últimas três sextas-feiras foram três “batidas” com ameaças de detenção dos organizadores dessa atividade, de apreender os nossos aparelhos de áudio e vídeo, de desrespeito na hora das “revistas” do público presente, de caracterizar a atividade de “festinha” e seus participantes de “marginais”. No dia 02 Setembro dois policiais militares, o soldado Augusto e sargento Neves, chegaram a alegar que iriam chamar a Tropa de Choque para terminar com a atividade por que dali, segundo eles, teriam saído duas pessoas esfaqueadas e que estavam passando muito mal no hospital Socorrão, quando na verdade nunca ocorrera nenhum incidente entre os jovens que freqüentam aquele espaço cultural. Ao contrário, como deve ser de conhecimento de vossa excelência, nesse mesmo dia, 02 de setembro, um policial a paisana teria ceifado a balas a vida de uma pessoa em uma conhecidíssima casa de evento do Projeto Reviver, mas, ironicamente, na semana seguinte a esse trágico acontecimento, uma viatura comandada pelo policial militar Valdir e outros três policias militares sem insígnia de identificação, se fizeram presente no Lagoa Amarela com as mesmas práticas e ameaças de seus antecessores. É de causar estranheza e indignação o fato de que ao lado do Lagoa Amarela funciona uma casa de eventos freqüentada por jovens brancos de classe média, que para endentar aquele espaço fazem uma fila “quilométrica” e a polícia não faz uma única investida, não pede documentos e não realiza “revistas”. O que fica explicito nisso tudo é que a policia ali se faz presente para mostrar a juventude de periferia, em sua maioria negra, que o turismo econômico do Projeto Reviver não os autorizam a freqüentar aquele ambiente e nem muitos menos realizar atividades políticas e culturais ao lado de uma concentração de jovens brancos de classe média. Certamente não somos contra que a polícia realize seu “trabalho” nesse ou qualquer outro espaço, mas não podemos admitir que indivíduos ou grupos de indivíduos tenham tratamento diferenciado em razão de sua condição étnico-social ou da manifestação cultural a qual se identificam. Temos clareza de que a violência é hoje uma realidade presente entre qualquer grupo social, principalmente entre a juventude que residem nas periferias, pois não são assistidas por políticas públicas, e que, por essa razão, nossas atividades não estão isentas de tais manifestações. Mas seria de admirar, e não de criminalizar, uma atividade que após 14 messes de existência nunca ocorrera um único incidente, a não ser os que foram protagonizados pela própria Polícia Militar, o que é extremamente lamentável. Por outro lado, entendemos que o que falta a juventude de periferia é uma política sócio-estrutural que envolva geração de emprego e renda, educação de qualidade, lazer e cultura que possa amenizar seus sofrimentos, pois até então a única política que os sucessivos governos têm oferecido a essa camada social é a repressão policial, que por sua vez tem demonstrado a sua completa ineficiência no combate a violência. Por fim, solicitamos desse governo a concessão, até o fim do seu mandato, para que possamos continuar a realizar tais atividades sem interferência dos poderes públicos e sem a ação truculenta e preconceituosa da polícia. O Projeto Reviver dever ser, antes de tudo, entendido como um patrimônio histórico construído por pessoas negras acorrentadas aos grilhões e submetidas aos chicotes das elites eurocêntricas, realidade essa que nós descendentes afro-maranhenses, brancos pobres da periferia e militantes de organizações do campo democráticos não mais permitimo-nos submeter.

Cientes de Vossa compreensão e atendimento a nossa reivindicação,
Agradecemos antecipadamente.

Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano”
Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil”

domingo, 6 de setembro de 2009

O HAITI É LOGO ALÍ: HIP HOP APROXIMA A ILHA REBELDE DA ILHA CARIBENHA



Centenas de jovens e militantes de esquerda se deslocaram de suas casas, escolas ou ambiente de trabalho até a praça “Quilombo Cultural Lagoa Amarela” no centro histórico de São Luís na noite de 04 de setembro para presenciar uma das mais importantes atividades em Solidariedade ao Haiti já realizada no estado do Maranhão. Muitos foram para apreciar o grupo de Hip Hop preferido ou o de sua quebrada e saíram de lá chocados e indignados com as imagens e relatos apresentados nos vídeos “Fora as Tropas Brasileiras do Haiti” e, principalmente, “O Que Se Passa No Haiti”. Um militante da CONLUTAS-MA chegou a afirmar que “nem precisa falar mais nada, as imagens já dizem tudo”. Um momento de extrema emoção foi quando o rapper Preto Roob do grupo “Raio X Nordeste” pediu um minuto de silêncio em memória das vitimas dessa ocupação criminosa no Haiti. Apesar da ansiedade pela espera dos show’s de Hip Hop foi marcante a concentração do público durante a exibição dos vídeos e das falas. Ninguém arredava o pé da praça nem os olhos do telão projetado na parede. Por outro era flagrante o olhar de felicidade dos militantes do Quilombo Urbano e da CONLUTAS pela comemoração de 1 ano de ocupação dessa praça que tem se consolidado como um ambiente de entretenimento e formação política. Enquanto os grupos de rap se apresentavam, oito no total, um grafite era realizado ao lado e vez por outra uma roda de break era aberta no centro da praça; política e cultura de mãos dadas em solidariedade ao Haiti. Há poucos minutos do encerramento da atividade e com a praça ainda lotada, dois militares foram exigir o fim da mesma, alegando a lei do silêncio e o risco de confusões, mas receberam uma verdadeira aula política de jovens aparentemente despolitizados. Tiveram que botar a arrogância entre as pernas e se retirarem do local. Enquanto isso, um playboy semi-adormecido de entorpecente saía de uma casa de show ao lado do “Quilombo Cultural” tentando desesperadamente carregar sua “cinderela” adormecida de “sei lá o que” para o estacionamento. Indubitavelmente o “Haiti é logo ali”, pois a partir desse ato ficou claro para a periferia de São Luís que os reais objetivos da ocupação militar é garantir a dominação econômica do imperialismo nesse país e conter a rebeldia negra da ilha caribenha e não combater “gangues de rua” como propagandeia o governo Lula e os “paus mandados” do Estados Unidos. Esse ato aproximou a “ilha caribenha” (Haiti) das periferias da “ilha rebelde” (São Luís), todos perceberam o quanto somos parecidos e o quanto precisamos está unidos. Parabéns periferia por atender nosso chamamento, parabéns “Lagoa Amarela” por 1 ano de resistência, força Haiti que a liberdade virá.
Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil”/ Regional Maranhão “Quilombo Urbano”.