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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

POR QUE A ESQUERDA SOCIALISTA E OS MOVIMENTOS SOCIAIS COMBATIVOS DEVEM MARCHAR COM A PERIFERIA

Hertz Dias

Militante do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano- filiado a CSP-CONLUTAS

Politicamente falando a periferia possui, para parte da esquerda brasileira, o mesmo significado espacial que tem para muitos geógrafos e sociólogos, um lugar distante do centro, distante da pólis, distante do eixo das decisões políticas, um lugar sem peso político significativo, portanto desinteressante para o processo de (re) organização da classe trabalhadora. Esse, infelizmente, é o pensamento hegemônico entre nós, um pensamento que homogeneíza a periferia: lá todos são iguais, despolitizados e corruptíveis, então melhor manter distância.

Muito desse olhar é decorrente do ranço economicista e pequeno burguês que infla certa estratégia politicamente equivocada de enfrentamento ao capital: por excelência os meios de produção são o coração do capital; contudo, uma verdade pouco considerada é que o coração não é o seu único órgão vital.

Desde quando a consciência da burguesia alcançou o patamar de classe para si, seu objetivo estratégico sempre foi a tomada do poder para destravar o processo de expansão do capital e consolidar o seu modelo de sociabilidade. Para isso pegaram em armas e armaram o Povo. Hoje o objetivo da classe burguesa é a manutenção de sua reprodução permanente, e para atingir esse escopo tudo é válido, pois em tempos de crise não basta mais só explorar nossa classe, é preciso também exterminar uma parte do seu grosso: para a juventude negra a linha de frente.

O genocídio da juventude negra é política de Estado, do Estado burguês em suas mais diversas facetas, não por que querem, mas por que necessitam. Se o racismo é um trunfo em suas mãos, então por que não usá-lo, ainda que formalmente o condene? É sempre bom lembrar que a burguesia brasileira nasce rasgando a pele da decadente classe escravocrata, conservando, no entanto, ossos, carnes e músculos. Por isso o Brasil, um dos países mais racistas do mundo, foi durante muito tempo apresentado ao mundo como portador da mais perfeita democracia racial. A ideologia racista ressignificada no pós-abolição pela inteligentzia burguesa brasileira contaminou muitos setores importantes da esquerda no país. Em razão disso, durante muito tempo falar em luta contra o racismo no Brasil era considerado um pecado anacrônico, tanto pelas elites quanto pela esquerda. O racismo brasileiro passava a ser visto como uma invenção dos Movimentos Negros. Muito disso foi preservado ao longo dos anos.

Há sim esforços de uma parte ainda minoritária da esquerda em negritudizar a luta pelo socialismo, não por ser charmoso lutar contra o racismo, muito menos em razão de um piegas sentimento humanitário, mas movidos por uma necessidade igualmente revolucionária. Acontece que uma causa dessa envergadura não pode ter uma importância minúscula. No Brasil, o racismo e o capitalismo devem ser tratados com irmãos gêmeos; aliás, gêmeos e genocidas. A MARCHA DA PERIFERIA nasce dessa compreensão.

Em 2006 um grupo de jovens ligados a uma histórica organização de Hip Hop de São Luís do Maranhão, o Quilombo Urbano, resolveram construir as marchas da periferia no intuito de ampliar o diálogo político com os moradores desses bairros pobres, negros e criminalizados, especialmente com a sua juventude. Para a construção das Marchas foi criado o Comitê Pró-Periferia, formado por toda e qualquer entidade que se identifique com o propósito.

Essa iniciativa foi decorrente da percepção de que há uma política deliberada e sistematizada por parte dos detentores do Estado de empurrar a juventude negra para as trincheiras da guerra interna na periferia. Hoje a Guerra Interna é uma necessidade política da direita para controlar socialmente o setor mais explorado e oprimido da classe trabalhadora, é uma guerra da classe na classe, é uma guerra politicamente horizontal; enfim, a guerra interna é uma guerra autofágica.

Diante disso, a Marcha da Periferia surge como pólo contra-hegemônico a esse processo. Em cada atividade construída nos bairros, visando sua realização na semana da consciência negra, há um esforço permanente de buscar a unidade de classe e de raça na consciência desses jovens. Os resultados dessa ação política têm sido fantásticos, porém uma solidão aguda ainda nos toca.

A Marcha da Periferia não se constitui ainda em um movimento de massa, reúne em torno de 500 a 800 pessoas, o que, diante de uma conjuntura de remotos movimentos de enfrentamento contra o Estado burguês, não deixa de ser uma iniciativa plausível. Por isso mesmo a ausência de muitos sindicatos, movimentos e do setor majoritário daqueles que se reivindicam como da esquerda socialista nessa brilhante experiência, única em nível de Brasil, é de saltar aos olhos.

Não sabemos se isso se dá em função da composição étnica dos que marcham, se pelo fato da iniciativa ser de uma organização de Hip Hop (visão culturalista), se por que a maioria dos que marcham não podem fazer greve, pois tem sua força de trabalho rejeitada pelos capitalistas ou ainda simplesmente por ser da periferia, lugar marcado pela violência. O certo é que entre mil desculpas, nenhum convencimento. Felizmente, sem muito apoio político e financeiro a periferia ousa continuar marchando contra o racismo e o capital.

SE A MONTANHA NÃO VAI ATÉ MAOMÉ...


Lênin lembrava que às vezes a consciência das massas poderia avançar para além do que a vanguarda imaginava, afinal, consciências não são mensuráveis. Em sua 5ª edição a Marcha da Periferia ganha novos e forte aliados. O tema escolhido para 2010 foi acertadamente “Reforma Urbana Já”. Essa temática coincidiu com uma conjuntura de enfretamento de diversas comunidades do Maranhão e do Brasil com o grande capital imobiliário e industrial que, para se apossar de terras e riquezas naturais dessas comunidades arvoram-se no direito de organizar até milícias. O Estado, por seu caráter de classe, tem sido conivente com esses empresários quadrilheiros. Assim, por força da história e das condições dadas, a Marcha da Periferia e a Relatoria de Conflitos Urbanos e Agrários resolveram unificar suas agendas.
                                                                                                           
Dezenas de comunidades da região metropolitana de São Luís estarão presentes na Marcha da Periferia do dia 19 de novembro, caminhando pelo centro comercial até a sede dos governos municipais e estaduais, colocando em pauta suas reivindicações. Por outro lado, as entidades que compõem o Comitê Pró-Periferia, especialmente a CSP CONLUTAS, ANEL e Quilombo Urbano estarão construindo e participando das atividades que ocorrerão nessas comunidades no período de 16 a 18 de novembro. Movimentos de diversos estados do Brasil também estão tentando viabilizar a presença nessas atividades, alguns no intuito de verificar a experiência para construir as Marchas da Periferia em seus estados de origem.

É obvio que não estamos diante de nenhuma luta pela tomada do poder ou para derrubar Roseana Sarney, João Castelo, muito menos Lula ou Dilma, longe disso. Inegável, entretanto, é que para os revolucionários a luta é um campo privilegiado para construção da unidade de classe, para que os trabalhadores e seus filhos reencontrem os caminhos de sua organização política. Setores com características e demandas completamente diferenciadas se encontrarão nessas atividades justamente pela essência da classe a qual pertencem, sabedores ou não disso. A princípio será uma resistência contra a investida brutal do capital nacional e transnacional, mais à frente poderá se transformar em uma contra-ofensiva ao capitalismo. Tudo isso, evidentemente, depende das direções, e nem todas são revolucionárias, algumas inclusive governistas.

A esquerda socialista e os movimentos combativos precisam engrossar as fileiras dessas lutas. Em tempos de ativismo político via internet as ruas solicitam nossa presença. Para além do Quilombo Urbano, para além da periferia, a Marcha da Periferia mais do que nunca é da classe trabalhadora.







terça-feira, 31 de agosto de 2010

POR QUE NÓS DO QUILOMBO URBANO APOIAMOS O PSTU

O sentimento contra partidos políticos é muito forte entre a juventude das periferias de nosso país, e não sem razão. Nosso povo é obrigado a votar de dois em dois anos, mas é impedido de decidir sobre os rumos de suas próprias vidas durante os mandatos. Tudo fica restrito há alguns picaretas que transformam o parlamento em um espaço de discursos evasivos ou num balcão de negócios de suas famílias e empresas.

Além do mais, a periferia não agüenta mais tanta promessa de melhoria de educação, saúde de qualidade, geração de emprego e ter como retorno só repressão da polícia, o único braço do Estado visível em nossos bairros. Muitos, por necessidade ou por descrença na política, preferem “vender” seus votos, visto que na democracia dos ricos a maioria dos candidatos também virou mercadoria. Milhões e milhões de reais são despejados nas contas desses senhores e senhoras, uma verdadeira farra eleitoral num país que tem mais da metade da população (54%) vivendo em situação de pobreza, no Maranhão 3 milhões vivem com menos de 120 reais.

Por outro lado, os partidos que no passado diziam defender os trabalhadores hoje nos envergonham. O exemplo do PT é desastroso, apóiam Roseana, João Alberto e Lobão, ou seja, apóiam os carrascos históricos do povo negro e pobre do nosso estado. Marina Silva é do partido de Sarney Filho, o PV, e seu vice, o empresário Guilherme Leal é um dos donos da Natura e o 13º homem mais rico do Brasil. Ele é acusado de roubar descobertas indígenas para fabricação de sabonetes e xampu. O PC do B de Flávio Dino segue a mesma linha, participou em dois governos de Roseana Sarney, enquanto Jackson Lago após derrotar o grupo Sarney nas eleições de 2006, resolveu atacar os trabalhadores com a tal “Lei do Cão” e a periferia com repressão policial. COM TANTA PICARETAGEM SERIA NATURAL ESSE SENTIMENTO CONTRA PARTIDOS... PARA NÓS DO QUILOMBO URBANO, NÃO!

Nosso apoio ao PSTU é por que esse foi o único partido que ao longo dos seus 16 anos não nos decepcionou. O PSTU participa das eleições, mas aposta mesmo é na luta direta dos trabalhadores. Seus candidatos são da classe trabalhadora, da periferia, são negros e, acima de tudo, são de luta. O PSTU não aceita financiamentos de empresas e nem de empresários por que seu compromisso é com a classe trabalhadora e não com a burguesia. Por isso mesmo a imprensa burguesa tem excluído o PSTU dos debates, assim como excluem a periferia de seus programas, a não ser daqueles como Bandeira 2 e o De Olho Em Você.

Apoiamos o PSTU por que esse humilde e valente partido sempre esteve conosco nas lutas mais encarniçada que tivemos contra a violência policial, como no caso de Gerô, das diversas prisões de nossos militantes, na campanha pelo fim da guerra interna na periferia ou mesmo nas marchas da periferia que realizamos desde 2006. Apoiamos o PSTU por que esse partido compreende a importância da luta racial contra a dominação capitalista. Assim como o PSTU nós do Quilombo Urbano não acreditamos nas eleições, mas queremos disputar a consciência de nossa juventude que em sua grande maioria votam nos partidos burgueses.

Por tudo isso e muito mais motivos aprovamos a candidatura de nosso histórico militante Hertz como candidato a Vice- de Marcos Silva. Estamos nessa disputa por que não se trata apenas de coleta de votos, mas de combater todos os tumores do capitalismo (racismo, machismo, homofobismo, violência policial, etc.) por dentro e por fora das eleições. Estamos nessa disputa por que queremos destruir o capitalismo e construir uma sociedade socialista que tanto defendemos em nossas canções, encenações corporais e artes visuais.

PELA CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO, APOIAMOS O PSTU!!!

MOVIMENTO HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO QUILOMBO URBANO



sábado, 5 de dezembro de 2009

MANIFESTO DA 4ª MARCHA DA PERIFERIA “PELO FIM DA GUERRA INTERNA”

As condições de existência da juventude pobre e negra que reside nas comunidades periféricas do nosso estado e do Brasil de um modo geral são cada vez mais degradantes. As históricas reivindicações dessas comunidades por políticas públicas foram inversamente atendidas com mais criminalização midiática e repressão estatal. Desde 2005, bairros pobres de todos os estados brasileiros foram ocupados militarmente pela Força de Segurança Nacional. No entanto, mesmo antes desse acontecimento muitos governos já haviam adotado “Toque de Recolher” sufocando o lazer e as práticas culturais desses bairros ocupando-os com forças policias. Em nosso estado, o bairro da Liberdade é um exemplo emblemático desse processo de criminalização da pobreza.
Os governos, em suas três esferas (municipal, estadual e federal), manipulam a problemática das drogas e do crime para desviar os olhares populares das questões sócio-estruturais de centro que levam a juventude pobre a submeter-se a tal condição.
Em se tratando especificadamente da população afro-descendente, desagregando os dados estatísticos por etnia, as condições de existência destes se aproximam do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países mais pobres da África ou da Ásia. Os afro-descendentes dos estados de Alagoas, Maranhão e Ceará apresentam um IDH considerado quase baixo (entre 0,500 e 0,599), já o IDH dos brancos brasileiros, em seu conjunto, é considerado quase alto (entre 0,750 e 0,799), muito próximo da situação dos países europeus.
Tudo isso prova que as desigualdades raciais no Brasil se mantêm mesmo doze décadas depois da “abolição” da escravatura. Os mecanismos de dominação ideológica e econômica se mantiveram e se reproduzem cotidianamente. Desta forma, está claro que, é para o setor socialmente mais desassistido por políticas públicas que o “punho de ferro” do Estado tende a robustecer.
É para esse setor, conforme nos mostra Wacquant (2003), que vimos restabelecer uma espécie de “ditadura pura”, mesmo 20 anos depois da queda das ditaduras militares em toda a América Latina. No Maranhão vimos recentemente uma greve dos trabalhadores da educação pública ao mesmo tempo em que o governo propagandeava a compra de mais 174 viaturas para a polícia militar.
Por outro lado, se não bastasse à repressão estatal e a criminalização midiática, deparamo-nos com um processo de “guerra interna” envolvendo a juventude das periferias de todo o Brasil. Os ideólogos do capital, a mídia comercial burguesa e os partidos conservadores conseguem fazer com que a juventude imersa no barbarismo neoliberal se veja como inimigos.
Os espaços de manifestação da violência intra-periférica são cada vez mais reduzidos, o “inimigo” mora cada vez mais próximo. A revolta social de muitos destes jovens ao invés de ser canalizada politicamente contra aqueles que aplicam inapelavelmente as políticas neoliberais, é descarregada nas “batalhas” das “guerras internas” de bairro contra bairro, de comunidade contra comunidade, de morro contra morro, de rua contra rua, de vizinho contra vizinho e assim sucessivamente.
Essa é a política invariável do imperialismo cultural levada a cabo por partidos e políticos conservadores do nosso país: cortar pela raiz qualquer possibilidade de ações políticas coletivas que se contraponha à dominação externa e interna, pois para manter a periferia vivendo na situação limite do barbarismo neoliberal é necessário frear atos limites de ruptura política com o capital.
No entanto, nem tudo é derrota para a juventude das periferias do nosso estado. Muitos desses jovens criminalizados pelos pela grande imprensa, penalizados pelas políticas neoliberais e punidos pelo aparato repressivo resolveram dar uma resposta política positiva a essa situação e através da cultura Hip Hop tem articulado as Marcha das Periferias, que já caminha para a sua quarta edição.
O objetivo principal deste evento é, ao mesmo tempo, favorecer a construção de uma subjetividade positiva coletiva entre a juventude negra e pobre e chamar a atenção do conjunto da sociedade maranhense e dos poderes públicos constituídos para a necessidade do Estado estender seu braço social nos bairros de periferia.
A iniciativa da construção da marcha da periferia foi do Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão “Quilombo Urbano, em 2006, mas ganhou tal dimensão que hoje é coordenada por um conjunto de entidades do movimento popular e sindical que compõe o Comitê Pró-Periferia. Essa importância também se reflete em âmbito nacional, ao ponto de diversas entidades de Hip Hop e organizações políticas tradicionais de outros estados se deslocaram até o Maranhão para participarem das atividades que envolvem a programação da Marcha da Periferia.
Para sensibilizar e mobilizar a população pobre a participar da das marchas das periferias, atividades políticas e culturais são realizadas nas comunidades pólos que envolvem diversos bairros próximos uns dos outros. Esse ano foi realizado atividades nos pólos Liberdade-Fé Deus, Bequimão-Rio Anil, Novo Angelim, João Paulo -Coroado, Cidade Olímpica- Santa Eufigênia, Areinha- Bairro de Fátima e Vila Embratel. A cultura Hip Hop é, geralmente, o principal instrumento político-cultural de mobilização nessas comunidades.
Como resultado das discussões realizadas nessas atividades e nas reuniões ampliadas para construção das Marchas da Periferais são elencadas uma pauta de reivindicações que é comum a praticamente todos esses bairros. Neste sentido, a 4ª Marcha da Periferia traz a seguinte pauta de reivindicação que gostaríamos de apresentar aos (as) senhores (as) deputados (as);

1- Por um plano emergencial de obras públicas em todos os bairros de periferia do Maranhão para gerar emprego e renda e combater o crime em suas raízes sociais;
2- Construção de escolas públicas com qualidade de ensino de acordo com a demanda do estado e reformas das escolas já existentes;
3- Pela construção de áreas para a prática do lazer, esporte e cultura nos bairros de periferia;
4- Pelo fim do déficit habitacional do nosso estado, Reforma urbana já!
5- Pela instalação de uma auditoria da divida pública do estado do Maranhão;
6- Pelo fim das ocupações militares nos bairros de periferia;
7- Pela desmilitarização da polícia;
8- Pelo fim da perseguição as rádios comunitárias e contra a criminalização praticada pelos grandes meios de comunicação contra os moradores da periferia;
9- Pelo fim de repasse de verbas públicas para a imprensa comercial burguesa;
10- Pela eliminação gradual do sistema prisional que não ressocializa pobre e nem mantém preso o rico.
11- Pela formação de conselhos populares de segurança pública que possibilitem à própria comunidade resolver democraticamente os conflitos entre os seus moradores;
12- Pela construção de mais hospitais públicos, a exemplo do IPEM, nos bairros de periferias;
13- Ações afirmativas para os afro-brasileiros nas universidades públicas estaduais rumo a fim do vestibular e universalização do ensino superior;
14- Pela desmilitarização das universidades estaduais, pelo fim do C.F.O. na UEMA;
15- Mais verbas para a preparação de professores com vista a viabilizar a implementação efetiva da lei 10.639/03 nas escolas públicas da rede estadual de ensino;
16- Aprovação e adoção do dia 20 de novembro como feriado estadual do dia da consciência negra;
17- Eleição direta para diretores de escolas e liberdade para construção de grêmios estudantis;
18- Saneamento básico e tratamento de esgoto digno para a classe trabalhadora;
19- Pela implementação do Disque Racismo já existente em outros estados da federação e que seja controlado pelo conjunto das entidades do movimento negro e afins;
20- Pela titulação das terras dos remanescentes de quilombolas em todo o estado do Maranhão.

QUILOMBOLAS DO BRASIL CANTAM, DANÇAM, GRAFITAM E MARCHAM EM DEFESA DAS PERIFERIAS

Foram três dias formidáveis e São Luís teve a honra de ser o palco desse espetáculo político-cultural da juventude negra e pobre. Organizações do Maranhão, Piauí, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro protagonizaram um dos mais politizados encontro de Hip Hop já ocorrido no Brasil. No entanto, os dias 19, 20 e 21 de Novembro foi o clímax de uma série de atividades iniciada em maio deste ano com vista à construção da 4ª Marcha da Periferia e a comemoração dos 20 anos de existência do Quilombo Urbano. Nesse período oito bairros de São Luis (Liberdade, Areinha, João Paulo, Vila Embratel, Cidade Olímpica, Bequimão, Rio-Anil e Novo Angelim) foram visitados pelo Quilombo Urbano e parcerias. Em cada uma dessas atividades ficava demonstrada a capacidade de organização da juventude pobre, dos favelados de todas as idades, sem dinheiro de governo nem de ONG. Ao contrário, nessas atividades era exigida, sim, a presença do braço social do Estado para melhorar as condições de vida de seus moradores e não para estruturar (leia-se cooptar) nossa organização e a direção de nossas posses. Fruto dessas atividades o Quilombo Urbano elaborou uma carta de reivindicações da 4ª Marcha da Periferia que foi protocolada junto à assembléia legislativa no dia 19 de novembro. O ano de 2010 será marcado pela cobrança dessas reivindicações ( veja a carta da 4ª marcha acima).
Ainda no inicio da semana da consciência negra, que coincide com a semana de realização da Marcha da Periferia, algumas organizações de outros estados, a exemplo do Coletivo Lutarmada do Rio de Janeiro e o Cangaço Urbano do Ceará, nos ajudaram a palestrar em algumas escolas públicas. No dia 19 foi realizado o debate de abertura no Quilombo Cultural Lago Amarela com o tema da marcha “Pelo Fim da Guerra Interna na Periferia”. Na mesa, representantes do Quilombo Urbano, Lutarmada e da Aliança dos Estudantes Livres (ANEL). No dia 20 pela manhã, no sindicato dos bancários o tema do debate foi “Hip Hip, Gênero, etnia e classe” com altíssimo nível culminando numa proposta de que o Quilombo Brasil encaminhe um programa especifico para a mulher de periferia. A tarde desse mesmo dia foi realizada a 4ª Marcha da Periferia com muitas falas na concentração e na caminhada. Centenas de pessoas seguiram pelo centro comercial de São Luís rumo ao Circo Cultural da Cidade onde seria realizado o 20º Festival de Hip Hop-Zumbi. A simpatia da população impressionava, muitos paravam e ficavam a escutar as reflexões sobre o processo de criminalização das periferias e a necessidade de organização política para reverter esse quadro. Além de organizações de Hip Hop, estiveram presentes diversos militantes dos movimentos sociais, sindicais e partidos de esquerda, a exemplo do CCN, Conlutas, ANEL, PSTU, APRUMA, Oposição dos Urbanitários, etc. No Circo da Cidade, quase lotado, cerca de 20 grupos de Hip Hop das entidades que compõe o Quilombo Brasil se apresentaram e celebraram esse grande momento que marcou os 20 anos de existência do Quilombo Urbano. No dia 21 (sábado) o palco foi o Borralhos Eventos, no criminalizado bairro da Liberdade, onde aconteceu um debate político da melhor qualidade. Pouco antes, grafiteiros do Quilombo Brasil deixavam sua marca coletiva e politizada na entrada desse bairro.
No mesmo espaço em que há um ano atrás nascia o Quilombo Brasil, era realizado esse encontro com quase o triplo de participantes. Nessa plenária foi avaliado os 12 meses de Quilombo Brasil, os avanços e entraves, a grande possibilidade de crescimento desta organização em 2010 diante da crise instalada nos seios do Hip Hop governista e mercadológico, a reafirmação dos princípios norteadores do MHMQB, que estabelece as organizações da nossa classe como aliança de centro e um calendário de lutas para o primeiro semestre de 2010. O Quilombo Urbano agradece do fundo dos nossos “corações destemidos” todas as organizações do Quilombo Brasil e simpatizantes que estiveram conosco nesses valorosos dias de aprendizado. Agradecemos também a todas as organizações do movimento sindical e social que, direta ou indiretamente, contribuíram para que cada um desses momentos se tornasse realidade.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

GOVERNO TENTA NOVAMENTE CONFUNDIR JUVENTUDE DO HIP HOP E ESVAZIAR A MARCHA DA PERIFERIA

Como já era de se espera as forças reacionárias do Maranhão estão de volta para mais uma vez tentar enfraquecer a Marcha da Periferia e o Quilombo Urbano. O jornal O Imparcial do dia 08 de novembro traz uma grande matéria apresentando a programação de um tal “Fórum da Juventude Negra”, que até então ninguém sabia que existia. Esse Fórum propõe-se a realizar uma marcha no dia 19 de novembro com saída da Praça Deodoro e traz como tema “Contra o Extermínio da Juventude Negra”. Que coincidência não? O tema da 4ª Marcha da Periferia é “Pelo fim da Guerra Interna na Periferia” e será realizada no dia 20 de novembro com saída também da Praça Deodoro como é de conhecimento de todos. A abertura das atividades desse “Fórum” será naquilo que eles chamam de “Praça do Hip Hop”, ou seja, no Quilombo Cultural Lagoa Amarela que há mais de um ano foi ocupado por militantes e simpatizantes do Quilombo Urbano e que vem sendo criminalizada pela polícia de Roseana Sarney. Ora, todo mundo sabe que qualquer Fórum é formado por diversas entidades, a matéria não fala de nenhuma. Diz ainda que essa programação é pra coroar todas as atividades que essas entidades “fantasmas” vem realizando ao longo do ano nas periferias de São Luís. Pura mentira, pois ao que se sabe a única entidade que vem realizando atividades dessa natureza desde maio em nossas periferias para construção da 4ª Marcha da Periferia é o Quilombo Urbano.
Nosso desejo é que houvesse mais entidades realizando atos com essa temática, mas não para destruir as já existentes. Por que não propuseram realizar essa marcha em parceria conosco? No entanto, essa mesma matéria faz referência a um ex-militante do Quilombo Urbano que foi expulso do nosso meio por usar o nome de nossa organização em parceria com governos sem nossa autorização, por desviar dinheiro de entidades estudantis como o CAECIP ( Comitê Amplo de Estudantes Contra a Instalação do Pólo Siderúrgico), por extorquir uma militante do Hip Hop de Minas Gerias, por se apropriar de objetos de nossos militantes e de uma professora do antigo CEFET entre tantas outras práticas desonestas. O nome desse individuo é CARLÃO que ano passado esteve a frente de um encontro de Hip Hop bancado pelo governo de Jackson para desarticular nossas atividades. Mas grave ainda, é que ele foi para um jornal que estava detonado com os professores, divulgar atividades em escolas publicas no momento em que essas ainda estavam em greve, ou seja, era para fazer com que os alunos dessas escolas retornassem as aulas e enfraquecessem a luta dos educadores contra Roseana Sarney.
No entanto, quem não se lembra que ano passado nós enfrentamos uma situação parecida com essa e saímos vitoriosos? Tanto é que estamos mais fortes e construindo o Quilombo Brasil que é nossa entidade de Hip Hop em âmbito nacional. Novamente não vamos arredar o pé para Roseana Sarney, João Castelo e seus capitães do mato de bombeta e calça larga. Fica aqui nossa denúncia, QUEM QUER COMBATER O EXTERMINIO DE JOVENS NEGROS NÃO SE JUNTA COM GOVERNOS QUEM MANDA A POLICIA EXTERMINAR NOSSO POVO E PERSEGIR NOSSA ORGANIZAÇÃO! E fica aqui nosso alerta, NEM TODO MUNDO NA PERIFERIA ESTÁ A VENDA!

MOVIMENTO HIP HOP ORGANIZADO DO MARANHÃO “QUILOMBO URBANO”
20 ANOS DE CORRERIA, 20 ANOS DE PERIFERIA!