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terça-feira, 31 de agosto de 2010

CARTA ABERTA AO HIP HOP MILITANTE BRASILEIRO

CONSTRUAMOS O NOVO!

Há momento em que os indivíduos têm que tomar decisões importantes nos rumos de suas vidas. Com as organizações políticas e culturais não é diferente. No Hip Hop, mais do que nunca, é hora de tomar decisões. Os prognósticos que fizemos desde o surgimento do Quilombo Brasil em 2008 ou mesmo os que o Quilombo Urbano já fazia há mais de dez anos tem, infelizmente, se confirmado a cada dia. O Hip Hop brasileiro está ficando do jeito que a burguesia quer, despolitizado e mercantilizado.

Quem diria que um dia o Racionais estaria de mãos dadas com a Nike e gravando clipe para o Fantástico, MV Bill no Faustão e no Malhação, entre tantas outras mudanças radicais que vem ocorrendo no Hip Hop brasileiro. Em termo de organizações também o rumo é parecido. O governo abriu a torneira de financiamento para fechar a válvula de escape da indignação política que o Hip Hop representa na favela.

Só para se ter uma idéia, o Prêmio Cultura Hip Hop 2010 Preto Ghoez do Ministério da Cultura, envolve um montante de mais de um milhão e meio de reais. A Zulu Nation, organização histórica de Hip Hop mundial, tem até parceria com a Legião da Boa Vontade. No nordeste grande parte dos movimentos se converteu em ONG’s, algumas chegam até a realizar parcerias com o aparato policial. No entanto, assim como nós, quase todas as organizações reconhecem que há uma crise, mas o que a maioria não consegue reconhecer ou admitir é que eles são parte da crise.

Assim como o PT conseguiu controlar o setor majoritário do movimento sindical e popular, também conseguiu fazer o mesmo com o setor igualmente majoritário do Hip Hop brasileiro. Por isso o candidato a vice-presidente de Dilma (PT), Michel Temer (PMDB), afirmou que país está bem por que os movimentos sociais e os pobres estão pacificados. O país não está pacificado, é claro, mas que a maioria dos movimentos sindicais e sociais passou a ser satélite político do governo Lula, não deixa de ser uma dura realidade.

A UNE saiu das ruas para apoiar quase todos os ataques de Lula à educação pública. A CUT se transformou numa máfia de dirigentes milionários que apóia inclusive demissões de trabalhadores e ataques aos aposentados. No Maranhão muitas de suas lideranças estão juntas com o grupo Sarney. O MST viu a reforma agrária regredir mais do que no governo de FHC, na verdade no governo Lula a reforma agrária deixou de existir, agora é só regularização fundiária, não existe mais expropriação de latifúndio. Apesar disso, a direção do MST continua apoiando o governo Lula, ainda que criticamente.

Com a maioria das entidades do Movimento Negro a cena se repete. A aprovação, ou melhor, a destruição do Estatuto da Igualdade Racial foi um dos maiores crime cometido pelo Estado brasileiro contra a população negra nos últimos anos. De acordo com esse Estatuto o racismo deixou de existir no Brasil e as cotas foram extinta do projeto, tudo isso com o aval do PT. No entanto, a grande parte das entidades do Movimento Negro segue apoiando Dilma e Lula.

Me Diga com Quem Tú Andas....

Durante a década de 1990 estivemos com a CUT, com o PT, com a UNE, aprendemos muitos com eles e nos orgulhamos muito por isso, mas não dar mais pra caminhar de mãos dadas com quem estende as mãos aos inimigos de nosso povo. Essa é a encruzilhada que nos encontramos. A ousadia sempre foi uma marca do Hip Hop, remar contra a maré, enfrentar as adversidades para superar os obstáculos. Sem ousadia não pode haver lutas e sem lutas não haverá vitórias. Nesse momento caminhar com quem caminha contra nosso povo significa engrossar as fileiras do inimigo, significa legitimá-los.

A partir do próximo período a economia brasileira entrará em um processo de estagnação segundo o próprio governo. Esse ano o decifict da conta corrente do Brasil chegou a quase 50 bilhões de reais, o maior desde 1946. A crise econômica baterá mais forte nas portas dos favelados e os ataques virão contra a classe trabalhadora, não temos dúvida disso.

Os investimentos em repressão policial têm crescido de forma assustadora no Brasil. A presença de tanta droga na periferia não é atoa, é uma política de Estado, é uma estratégia da burguesia nacional e do imperialismo para controlar um setor da população brasileira que não tem mais nada a perder. Até o Hip Hop, em muitos estados e municípios, está no atoleiro do crak e da guerra interna, política de Estado que divide e mata! É claro que a favela, por contra própria, reagirá a isso, passando inclusive por cima das ONG’s, que hoje são financiadas pelo governo para manter o controle social que o capital internacional necessita para circular em nosso país. Mas, nenhuma luta cega, por mais justa que seja, resultará em processos revolucionários. Cedo ou tarde a burguesia fechará o processo.

Por isso temos que construir algo grandioso, que esteja acima de nossas atuais organizações de cidades e estados. Temos que construir uma ferramenta política e cultural nacional, que seja de periferia, que seja revolucionária, que seja socialista, portanto, que não pode ser ONG nem financiada pelos governos ou pelo imperialismo. Não será possível combater o demônio aliando-se ao seu próprio rabo!

Quilombo Brasil: uma alternativa em Construção

O Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil” é uma experiência muito recente, mas que preserva a ousadia do Hip Hop Militante desse país. Recentemente lançamos a Campanha Pelo Fim da Guerra Interna, uma campanha formidável para construir a unidade política da favela, mas é ainda muito modesta para a grandeza dos desafios colocados para nós. No Maranhão construímos, via Quilombo Urbano, as marchas da periferia.

Nossa parte estamos fazendo, mas não basta só boa vontade, queremos construir algo que faça esse país tremer perante aqueles que tremem de indignação contra o capitalismo. Queremos construir um Quilombo Brasil em cada cidade desse país e uma posse em cada quebrada dessas cidades, posses que funcionem como células revolucionárias de nosso organismo nacional, o MHMQB. Não precisamos mais provar pra ninguém que somos bons construtores de rimas, ótimos maestros nos toca discos, excelentes grafiteiros e excepcionais dançarinos, no entanto, precisamos dar um salto de qualidade em nossa forma de organização política. Por isso estamos propondo um amplo debate entre as diversas organizações ou adeptos e militantes independentes que, como nós, querem tirar o Hip Hop do atual estado de coisas em que se encontra e construir algo que supere inclusive nossa briosa atuação na década de 1990.

Nós do Quilombo Brasil só não abriremos mão dos nossos princípios já consolidados desde 2008 que versa sobre a independência perante aos patrões e a autônima diante do Estado. Não abriremos mão do nosso objetivo estratégico que é a destruição do racismo, do machismo, do homofobismo e do capitalismo, bem como da construção do socialismo. No campo da arte e da cultura esses princípios só terão sentido se as mesmas forem plenamente livres e revolucionárias. No mais, façamos o debate, construamos o novo, construamos o MHMQB.

MOVIMENTO HIP HOP MILITANTE QUILOMBO BRASIL

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O QUE OS NEGROS BRASILEIROS TÊM A HAVER COM OS PALESTINOS NA FAIXA DE GAZA ?

“Eu vejo o passado enraizado no presente” (Gíria Vermelha)

No dia 21 de dezembro mais dois militantes do Movimento Hip Hop “Quilombo Urbano” foram espancados pela polícia de Jackson Lago, com esse sobe para oito o número de militantes dessa organização vítima do Estado policial deste governo. Três dias depois (24 de dezembro), Israel iniciou uma das mais sangrentas ofensiva contra o povo palestino na Faixa de GAZA. Contudo, as coincidências não param ai.
Os negros, desde a época da escravidão, vêm resistindo bravamente às diversas formas de extermínios praticados pelos capitalistas. Organizaram fugas, insurreições, revoltas, quilombos, capoeira, Hip Hop, etc. Após a falsa abolição alguns intelectuais racistas, como Oliveira Viana, previam que os negros desapareciam em menos de 50 anos. Não foi fácil, mas resistimos.
Do mesmo modo, os Palestinos tem resistido na Faixa de Gaza ao massacre do Estado de Israel. No final do século XIX a burguesia petrolífera judaica, em meio a uma grande crise capitalista, resolveu incentivar a imigração de trabalhadores judeus para Oriente, sob a alegação de retorno a “terra prometida” conforme consta na bíblia. Desde então o Estado de Israel, que possui um dos exércitos mais poderosos do mundo, tem exterminado, aos olhos do mundo, o povo palestino. Tudo isso, com o apoio do imperialismo Inglês e depois dos Estados Unidos. Tal como os negros, os palestinos tem resistido bravamente com mobilizações, greves, guerrilhas, homens bombas, etc.
Enquanto os negros foram arrancados da África para serem massacrados em solo brasileiro, os palestinos estão sendo massacrados em seu próprio solo. Cinicamente, os Estados Unidos, que arma Israel até os dentes, exige que o povo palestino entregue seu precário armamento.
Se no Brasil colonial as elites da época tentaram fazer de tudo para destruir os quilombos, pois representavam ameaças ao regime escravista e uma forma de organização social igualitária, o incentivo a criação do Estado racista de Israel tem também dois objetivos bem parecidos: 1- Afastar os trabalhadores judeus da influência do pensamento socialista que crescia pela Europa principalmente depois a Revolução Russa. 2- Controlar uma das regiões mais rica do mundo em recursos naturais, que é o Oriente Médio.
Entretanto, essa mesma burguesia judaica se negou a ajudar os judeus que morriam nos campos de concentração nazista. Na verdade a construção do Estado de Israel em 1948 no oriente médio e o massacre e a expulsão de mais de 70% da população árabe da região da palestina nada tem de religioso, é puramente imperialista. Não foi atoa que o grupo judeu e petrolífero Rothschild foi um dos principais incentivadores da criação do Estado de Israel.
Por outro lado, os métodos que os Nazistas utilizaram para exterminar milhões de judeus na Europa são bastante parecidos com o que à burguesia judaica utiliza para massacrar o povo palestino. Quando os judeus reagiam aos ataques nazistas eram taxados de subversivos e trucidados como animais. Hoje, Israel utiliza inclusive câmera de gás e quando os palestinos reagem são taxados de terroristas radicais, assim como os negros mortos pela polícia nos morros cariocas são sempre “traficantes”.
Durante muito tempo os governos de todo o mundo se limitaram a condenar verbalmente os excessos de Hitler até que a segunda guerra mundial se tornou inevitável. Hoje governos como o de Lula, se limita a condenar excessos de Israel. Diferente do que dizem o que existe de fato é o extermínio do povo palestino que desde o dia 24 já teve quase mil mortos, principalmente mulheres e crianças, enquanto do lado de Israel esse número não chega a 15.

Solidariedade de Classe e de Raça: A atualidade de Marx e Zumbi.
Quando Marx finaliza o Manifesto comunista conclamando “proletários de todo o mundo Uni-vos”, é por que sabia da necessidade de solidariedade entre trabalhadores de todo o mundo para derrotar a burguesia mundial e destruir o modo de produção capitalista. Felizmente, jovens, desempregados e trabalhadores de todo o mundo tem organizado manifestações massivas em defesa do povo palestino e contra o Estado de Israel, de fato Marx tinha razão.
Zumbi dos Palmares, por sua vez, se negou a negociar com a elite escravocrata da época, chegou inclusive a matar Ganga Zumba que defendida o contrário. Do mesmo modo, enganam-se ou mentem aqueles que acreditam que a pele negra de Barak Obama o fará menos assassino do que Bush. Condolesa Rice, por exemplo, tem dado inúmeras declarações criminlizando o povo palestino e a favor de Israel, do mesmo modo que defendeu a invasão do Iraque e do Afeganistão. Por outro lado diversos trabalhadores de Israel estão se opondo ao genocídio em Gaza e se negando a servir o exercito racista de seu país.
O exemplo a ser seguido é o dos Quilombos que reunia negros, índios, mestiços e brancos pobres na luta contra a escravidão e contra todos os seus representantes, independente da cor de suas peles. Façamos então a fusão Marx-Zumbi por um mundo socialista.

PROLETARIOS DE TODAS AS RAÇAS DO MUNDO, UNI-VOS CONTRA O RACISMO E O CAPITALISMO.

NÚCLEO DE MULHERES DO QUILOMBO URBANO "PRETA ANASTÁCIA."


LUTAR, CONSTRUIR, TRANSFORMA

Dia-a-dia ao longo dos nossos 20 anos, tentamos transformar o universo masculinizado do Hip Hop em universo coletivo, onde homens e mulheres despertem para a importância da participação feminina. Tendo em vista qual tipo de participação tomamos como corretas. Se aquela do tipo tradicional burguesa, que explora a imagem da mulher como mero objeto e reforça a apropriação mercadológica que o capitalismo quer do hip hop; ou uma participação ativa e politizada, combatendo o machismo dentro e fora do Movimento, denunciando as desigualdades sociais e o conjunto de valores que reforçam o pensamento de que somos inferiores.
O hip hop, em sua essência, é revolucionário e as mulheres que estão inseridas no movimento têm como tarefa se organizarem e criarem formas de abrir portas e chamar pra correria aquelas que se aproximam de alguma forma do movimento e barram por falta de estímulo, segurança, ou acham que é coisa de homem, etc.
O Hip Hop tem que inserir em seu conteúdo o universo da mulher de periferia e conscientizar todos e todas que o descaso social, na marginalidade, na violência, no racismo, é sentido pela mulher de forma profunda. Essa inserção tem que partir primeiramente da união e organização das mulheres da periferia, negras e excluídas, deixando de lado vícios burgueses que aprendemos durante toda vida. Como “a neguinha que fala mal da outra”, desunião, sem saber que a conseqüência desse comportamento na periferia é a desorganização. E para que a gente esqueça que todas as mulheres e homens pobres recebem uma herança social: A MISÉRIA.
Precisamos saber que não somos nós os responsáveis por ela. O capitalismo precisa ser destruído para que nossos filhos cresçam numa sociedade justa e não enquanto marginais espancados pela polícia. Que a saúde seja para a população, não só pra quem tem dinheiro. Para que a educação de nossos filhos tenha qualidade total, que é direito nosso. Para que a política coloque o povo que sustenta a nação através do trabalho em 1º lugar e não os banqueiros e grandes empresários.
A união das periferias é necessária.
A organização das mulheres é urgente.
É preciso entender que mulheres e homens são vitimados pela sociedade capitalista e têm que aprender que estamos juntos nessa luta.
NÚCLEO DE MULHERES DO QUILOMBO URBANO
"PRETA ANASTÁCIA"
Para mais informações: (98) 88532537
Comunidade ORKUT Núcleo Preta Anastácia