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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

POR QUE A ESQUERDA SOCIALISTA E OS MOVIMENTOS SOCIAIS COMBATIVOS DEVEM MARCHAR COM A PERIFERIA

Hertz Dias

Militante do Movimento Hip Hop Quilombo Urbano- filiado a CSP-CONLUTAS

Politicamente falando a periferia possui, para parte da esquerda brasileira, o mesmo significado espacial que tem para muitos geógrafos e sociólogos, um lugar distante do centro, distante da pólis, distante do eixo das decisões políticas, um lugar sem peso político significativo, portanto desinteressante para o processo de (re) organização da classe trabalhadora. Esse, infelizmente, é o pensamento hegemônico entre nós, um pensamento que homogeneíza a periferia: lá todos são iguais, despolitizados e corruptíveis, então melhor manter distância.

Muito desse olhar é decorrente do ranço economicista e pequeno burguês que infla certa estratégia politicamente equivocada de enfrentamento ao capital: por excelência os meios de produção são o coração do capital; contudo, uma verdade pouco considerada é que o coração não é o seu único órgão vital.

Desde quando a consciência da burguesia alcançou o patamar de classe para si, seu objetivo estratégico sempre foi a tomada do poder para destravar o processo de expansão do capital e consolidar o seu modelo de sociabilidade. Para isso pegaram em armas e armaram o Povo. Hoje o objetivo da classe burguesa é a manutenção de sua reprodução permanente, e para atingir esse escopo tudo é válido, pois em tempos de crise não basta mais só explorar nossa classe, é preciso também exterminar uma parte do seu grosso: para a juventude negra a linha de frente.

O genocídio da juventude negra é política de Estado, do Estado burguês em suas mais diversas facetas, não por que querem, mas por que necessitam. Se o racismo é um trunfo em suas mãos, então por que não usá-lo, ainda que formalmente o condene? É sempre bom lembrar que a burguesia brasileira nasce rasgando a pele da decadente classe escravocrata, conservando, no entanto, ossos, carnes e músculos. Por isso o Brasil, um dos países mais racistas do mundo, foi durante muito tempo apresentado ao mundo como portador da mais perfeita democracia racial. A ideologia racista ressignificada no pós-abolição pela inteligentzia burguesa brasileira contaminou muitos setores importantes da esquerda no país. Em razão disso, durante muito tempo falar em luta contra o racismo no Brasil era considerado um pecado anacrônico, tanto pelas elites quanto pela esquerda. O racismo brasileiro passava a ser visto como uma invenção dos Movimentos Negros. Muito disso foi preservado ao longo dos anos.

Há sim esforços de uma parte ainda minoritária da esquerda em negritudizar a luta pelo socialismo, não por ser charmoso lutar contra o racismo, muito menos em razão de um piegas sentimento humanitário, mas movidos por uma necessidade igualmente revolucionária. Acontece que uma causa dessa envergadura não pode ter uma importância minúscula. No Brasil, o racismo e o capitalismo devem ser tratados com irmãos gêmeos; aliás, gêmeos e genocidas. A MARCHA DA PERIFERIA nasce dessa compreensão.

Em 2006 um grupo de jovens ligados a uma histórica organização de Hip Hop de São Luís do Maranhão, o Quilombo Urbano, resolveram construir as marchas da periferia no intuito de ampliar o diálogo político com os moradores desses bairros pobres, negros e criminalizados, especialmente com a sua juventude. Para a construção das Marchas foi criado o Comitê Pró-Periferia, formado por toda e qualquer entidade que se identifique com o propósito.

Essa iniciativa foi decorrente da percepção de que há uma política deliberada e sistematizada por parte dos detentores do Estado de empurrar a juventude negra para as trincheiras da guerra interna na periferia. Hoje a Guerra Interna é uma necessidade política da direita para controlar socialmente o setor mais explorado e oprimido da classe trabalhadora, é uma guerra da classe na classe, é uma guerra politicamente horizontal; enfim, a guerra interna é uma guerra autofágica.

Diante disso, a Marcha da Periferia surge como pólo contra-hegemônico a esse processo. Em cada atividade construída nos bairros, visando sua realização na semana da consciência negra, há um esforço permanente de buscar a unidade de classe e de raça na consciência desses jovens. Os resultados dessa ação política têm sido fantásticos, porém uma solidão aguda ainda nos toca.

A Marcha da Periferia não se constitui ainda em um movimento de massa, reúne em torno de 500 a 800 pessoas, o que, diante de uma conjuntura de remotos movimentos de enfrentamento contra o Estado burguês, não deixa de ser uma iniciativa plausível. Por isso mesmo a ausência de muitos sindicatos, movimentos e do setor majoritário daqueles que se reivindicam como da esquerda socialista nessa brilhante experiência, única em nível de Brasil, é de saltar aos olhos.

Não sabemos se isso se dá em função da composição étnica dos que marcham, se pelo fato da iniciativa ser de uma organização de Hip Hop (visão culturalista), se por que a maioria dos que marcham não podem fazer greve, pois tem sua força de trabalho rejeitada pelos capitalistas ou ainda simplesmente por ser da periferia, lugar marcado pela violência. O certo é que entre mil desculpas, nenhum convencimento. Felizmente, sem muito apoio político e financeiro a periferia ousa continuar marchando contra o racismo e o capital.

SE A MONTANHA NÃO VAI ATÉ MAOMÉ...


Lênin lembrava que às vezes a consciência das massas poderia avançar para além do que a vanguarda imaginava, afinal, consciências não são mensuráveis. Em sua 5ª edição a Marcha da Periferia ganha novos e forte aliados. O tema escolhido para 2010 foi acertadamente “Reforma Urbana Já”. Essa temática coincidiu com uma conjuntura de enfretamento de diversas comunidades do Maranhão e do Brasil com o grande capital imobiliário e industrial que, para se apossar de terras e riquezas naturais dessas comunidades arvoram-se no direito de organizar até milícias. O Estado, por seu caráter de classe, tem sido conivente com esses empresários quadrilheiros. Assim, por força da história e das condições dadas, a Marcha da Periferia e a Relatoria de Conflitos Urbanos e Agrários resolveram unificar suas agendas.
                                                                                                           
Dezenas de comunidades da região metropolitana de São Luís estarão presentes na Marcha da Periferia do dia 19 de novembro, caminhando pelo centro comercial até a sede dos governos municipais e estaduais, colocando em pauta suas reivindicações. Por outro lado, as entidades que compõem o Comitê Pró-Periferia, especialmente a CSP CONLUTAS, ANEL e Quilombo Urbano estarão construindo e participando das atividades que ocorrerão nessas comunidades no período de 16 a 18 de novembro. Movimentos de diversos estados do Brasil também estão tentando viabilizar a presença nessas atividades, alguns no intuito de verificar a experiência para construir as Marchas da Periferia em seus estados de origem.

É obvio que não estamos diante de nenhuma luta pela tomada do poder ou para derrubar Roseana Sarney, João Castelo, muito menos Lula ou Dilma, longe disso. Inegável, entretanto, é que para os revolucionários a luta é um campo privilegiado para construção da unidade de classe, para que os trabalhadores e seus filhos reencontrem os caminhos de sua organização política. Setores com características e demandas completamente diferenciadas se encontrarão nessas atividades justamente pela essência da classe a qual pertencem, sabedores ou não disso. A princípio será uma resistência contra a investida brutal do capital nacional e transnacional, mais à frente poderá se transformar em uma contra-ofensiva ao capitalismo. Tudo isso, evidentemente, depende das direções, e nem todas são revolucionárias, algumas inclusive governistas.

A esquerda socialista e os movimentos combativos precisam engrossar as fileiras dessas lutas. Em tempos de ativismo político via internet as ruas solicitam nossa presença. Para além do Quilombo Urbano, para além da periferia, a Marcha da Periferia mais do que nunca é da classe trabalhadora.







terça-feira, 31 de agosto de 2010

CARTA ABERTA AO HIP HOP MILITANTE BRASILEIRO

CONSTRUAMOS O NOVO!

Há momento em que os indivíduos têm que tomar decisões importantes nos rumos de suas vidas. Com as organizações políticas e culturais não é diferente. No Hip Hop, mais do que nunca, é hora de tomar decisões. Os prognósticos que fizemos desde o surgimento do Quilombo Brasil em 2008 ou mesmo os que o Quilombo Urbano já fazia há mais de dez anos tem, infelizmente, se confirmado a cada dia. O Hip Hop brasileiro está ficando do jeito que a burguesia quer, despolitizado e mercantilizado.

Quem diria que um dia o Racionais estaria de mãos dadas com a Nike e gravando clipe para o Fantástico, MV Bill no Faustão e no Malhação, entre tantas outras mudanças radicais que vem ocorrendo no Hip Hop brasileiro. Em termo de organizações também o rumo é parecido. O governo abriu a torneira de financiamento para fechar a válvula de escape da indignação política que o Hip Hop representa na favela.

Só para se ter uma idéia, o Prêmio Cultura Hip Hop 2010 Preto Ghoez do Ministério da Cultura, envolve um montante de mais de um milhão e meio de reais. A Zulu Nation, organização histórica de Hip Hop mundial, tem até parceria com a Legião da Boa Vontade. No nordeste grande parte dos movimentos se converteu em ONG’s, algumas chegam até a realizar parcerias com o aparato policial. No entanto, assim como nós, quase todas as organizações reconhecem que há uma crise, mas o que a maioria não consegue reconhecer ou admitir é que eles são parte da crise.

Assim como o PT conseguiu controlar o setor majoritário do movimento sindical e popular, também conseguiu fazer o mesmo com o setor igualmente majoritário do Hip Hop brasileiro. Por isso o candidato a vice-presidente de Dilma (PT), Michel Temer (PMDB), afirmou que país está bem por que os movimentos sociais e os pobres estão pacificados. O país não está pacificado, é claro, mas que a maioria dos movimentos sindicais e sociais passou a ser satélite político do governo Lula, não deixa de ser uma dura realidade.

A UNE saiu das ruas para apoiar quase todos os ataques de Lula à educação pública. A CUT se transformou numa máfia de dirigentes milionários que apóia inclusive demissões de trabalhadores e ataques aos aposentados. No Maranhão muitas de suas lideranças estão juntas com o grupo Sarney. O MST viu a reforma agrária regredir mais do que no governo de FHC, na verdade no governo Lula a reforma agrária deixou de existir, agora é só regularização fundiária, não existe mais expropriação de latifúndio. Apesar disso, a direção do MST continua apoiando o governo Lula, ainda que criticamente.

Com a maioria das entidades do Movimento Negro a cena se repete. A aprovação, ou melhor, a destruição do Estatuto da Igualdade Racial foi um dos maiores crime cometido pelo Estado brasileiro contra a população negra nos últimos anos. De acordo com esse Estatuto o racismo deixou de existir no Brasil e as cotas foram extinta do projeto, tudo isso com o aval do PT. No entanto, a grande parte das entidades do Movimento Negro segue apoiando Dilma e Lula.

Me Diga com Quem Tú Andas....

Durante a década de 1990 estivemos com a CUT, com o PT, com a UNE, aprendemos muitos com eles e nos orgulhamos muito por isso, mas não dar mais pra caminhar de mãos dadas com quem estende as mãos aos inimigos de nosso povo. Essa é a encruzilhada que nos encontramos. A ousadia sempre foi uma marca do Hip Hop, remar contra a maré, enfrentar as adversidades para superar os obstáculos. Sem ousadia não pode haver lutas e sem lutas não haverá vitórias. Nesse momento caminhar com quem caminha contra nosso povo significa engrossar as fileiras do inimigo, significa legitimá-los.

A partir do próximo período a economia brasileira entrará em um processo de estagnação segundo o próprio governo. Esse ano o decifict da conta corrente do Brasil chegou a quase 50 bilhões de reais, o maior desde 1946. A crise econômica baterá mais forte nas portas dos favelados e os ataques virão contra a classe trabalhadora, não temos dúvida disso.

Os investimentos em repressão policial têm crescido de forma assustadora no Brasil. A presença de tanta droga na periferia não é atoa, é uma política de Estado, é uma estratégia da burguesia nacional e do imperialismo para controlar um setor da população brasileira que não tem mais nada a perder. Até o Hip Hop, em muitos estados e municípios, está no atoleiro do crak e da guerra interna, política de Estado que divide e mata! É claro que a favela, por contra própria, reagirá a isso, passando inclusive por cima das ONG’s, que hoje são financiadas pelo governo para manter o controle social que o capital internacional necessita para circular em nosso país. Mas, nenhuma luta cega, por mais justa que seja, resultará em processos revolucionários. Cedo ou tarde a burguesia fechará o processo.

Por isso temos que construir algo grandioso, que esteja acima de nossas atuais organizações de cidades e estados. Temos que construir uma ferramenta política e cultural nacional, que seja de periferia, que seja revolucionária, que seja socialista, portanto, que não pode ser ONG nem financiada pelos governos ou pelo imperialismo. Não será possível combater o demônio aliando-se ao seu próprio rabo!

Quilombo Brasil: uma alternativa em Construção

O Movimento Hip Hop Militante “Quilombo Brasil” é uma experiência muito recente, mas que preserva a ousadia do Hip Hop Militante desse país. Recentemente lançamos a Campanha Pelo Fim da Guerra Interna, uma campanha formidável para construir a unidade política da favela, mas é ainda muito modesta para a grandeza dos desafios colocados para nós. No Maranhão construímos, via Quilombo Urbano, as marchas da periferia.

Nossa parte estamos fazendo, mas não basta só boa vontade, queremos construir algo que faça esse país tremer perante aqueles que tremem de indignação contra o capitalismo. Queremos construir um Quilombo Brasil em cada cidade desse país e uma posse em cada quebrada dessas cidades, posses que funcionem como células revolucionárias de nosso organismo nacional, o MHMQB. Não precisamos mais provar pra ninguém que somos bons construtores de rimas, ótimos maestros nos toca discos, excelentes grafiteiros e excepcionais dançarinos, no entanto, precisamos dar um salto de qualidade em nossa forma de organização política. Por isso estamos propondo um amplo debate entre as diversas organizações ou adeptos e militantes independentes que, como nós, querem tirar o Hip Hop do atual estado de coisas em que se encontra e construir algo que supere inclusive nossa briosa atuação na década de 1990.

Nós do Quilombo Brasil só não abriremos mão dos nossos princípios já consolidados desde 2008 que versa sobre a independência perante aos patrões e a autônima diante do Estado. Não abriremos mão do nosso objetivo estratégico que é a destruição do racismo, do machismo, do homofobismo e do capitalismo, bem como da construção do socialismo. No campo da arte e da cultura esses princípios só terão sentido se as mesmas forem plenamente livres e revolucionárias. No mais, façamos o debate, construamos o novo, construamos o MHMQB.

MOVIMENTO HIP HOP MILITANTE QUILOMBO BRASIL

segunda-feira, 8 de março de 2010

QUILOMBO URBANO SE ESPALHA FEITO FORMIGUEIRO PELAS QUEBRADAS DE SÃO LUÍS

Nunca na história no Quilombo Urbano ocorreu uma adesão tão intensa e fascinante a nossa organização. Esse crescimento demonstra que estamos no caminho certo. Só de setembro de 2009 para cá, ou seja, em seis meses percorremos mais de onze quebradas de São Luís (Fé em Deus e Floresta na Liberdade, Areinha, João Paulo, Bequimão, Rio Anil, Novo Angelim, Cidade Olímpica, Vila Embratel, Barés e Ipase de Baixo) isso sem contar os grafites realizados em outros espaços e as atividades realizadas toda sexta-feira no Quilombo Cultural Lagoa Amarela. O resultado disso é que muitos jovens tem solicitado filiar-se ao Quilombo Urbano e a construir posses em suas comunidades. Em razão disso a nossa secretaria de formação política está articulando um grande encontro de dois dias só para essa clientela. O objetivo principal dessa formação é apresentar como o Quilombo Urbano funciona internamente, quais são os nossos propósitos políticos e culturais e um mini-curso sobre como organizar uma posse do Quilombo Urbano em sua quebrada. Que venham as “cigarrinhas” dos governos e os gigolôs de crise da ONGs , pois como diz os lokos do Motim “quem diria, as formigas espalhadas em todo canto/ pondo pra correr o grande elefante branco”

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Periferia, Cuidado Aquela Velha Gangue está de Volta!

Não, não é dos Bárbaros e nem da galera Garotos da Bota Preta que estamos falando, a gangue que está volta não é formada por jovens da periferia, ela é incomparavelmente mais perigosa e mais organizada; estamos falando daquela velha gangue que saqueou o Estado durante quarenta anos, é a gangue dos Sarney. Isso mesmo, depois da cassação do governador Jackson Lago o Supremo Tribunal decidiu que a senadora Roseana Sarney assumisse o governo do estado do Maranhão. Quem acompanha esse bloog sabe que nós do Quilombo Urbano não temos nenhuma simpatia com o grupo Lago, que ao assumir o governo não conseguiu se diferenciar em quase nada da velha oligarquia, pelo contrário, as principais vítimas dos ataques desse governo foram os pobres, os negros e os funcionários públicos como a categorias de professores que tiveram várias conquistas retiradas. A periferia também não parou de sangrar nas mãos da polícia ou na "guerra interna" decorrente da falta de políticas públicas e geração de emprego. Do mesmo modo os cofres públicos continuaram sendo saqueados e assim por diante. Certamente, por isso mesmo, a população pobre não se mobilizou para evitar que Jackson Lago fosse cassado, pois, como o próprio governador reconheceu em entrevista ao jornal O Imparcial um dos seus maiores “erros” foi ter se afastado dos sindicatos e movimentos sociais. Mas, é preciso que estejamos atentos e organizados, pois a oligarquia está voltando e voltando com uma sede de poder que tentarão saciar com as suas mandíbulas cravadas nos cofres públicos. Nada mais nada menos que os carniceiros João Alberto (Vice) e Raimundo Cutrim (secretário de segurança pública) estão de volta para aterrorizar a juventude da periferia. Corpos e mais corpos negros voltarão a cair nos matagais de nosso estado. Roseana já declarou “em meu governo bandido não terá vez”, ora se esse governo é composto só por bandidos, então a quem ela se refere? No faro racista da velha gang, bandido mora na periferia e tem pele preta. É necessário que os movimentos sociais e negros retornem as ruas, que a juventude negra e pobre parem se matar na guerra burra e interna, pois nossa guerra mais do que nunca é outra. Se em outros momentos esses mestres da corrupção destruíram, saquearam e venderam nossas riquezas, imagine em meio a uma grave crise econômica? É hora de resgatar Negro Cosme e organizar a verdadeira balaiada da periferia contra a velha gangue do “Cão de bigode, da família mais rica, do estado mais pobre” como diz o grupo Raio X Nordeste.

NEM GUERRA ENTRE OS POBRES, NEM PAZ ENTRE AS CLASSES!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

POLÍCIA MILITAR AGRIDE NOVAMENTE MEMBROS DO QUILOMBO URBANO


Na madrugada de sábado para domingo dois membros do Quilombo Urbano, Paulo e Gustavo, foram espancados e detidos por policias militares no Bairro da Cidade Olímpica. O motivo como sempre foi de desacato à autoridade, pelo simples fato de se negarem a ir para suas casas tal como exigiam alguns policias em uma viatura. Lembrando que os mesmos estavam conversando na esquina da rua onde residem. Lá se encontrava também a mãe das duas vítimas. Em decorrência da negativa foi acionada uma van descaracterizada com cerca de sete policiais, possivelmente do Serviço Velado, que os espancaram brutalmente. Paulo foi agredido principalmente nas pernas e nas costas, já Gustavo apanhou na região pulmonar, no pé e na cabeça, ambos agredidos por cacetetes. Paulo quase teve o joelho e as mãos quebradas, enquanto Gustavo ficou com escoriações horríveis por todo o corpo e com hematomas na cabeça . Com esse caso sobe para sete o número de militantes do Quilombo Urbano vítimas de agressões policiais em pouco mais de dois anos, sem contar que alguns foram agredidos e detidos por mais de uma vez. Tal como nos outros casos, são os policiais que estão nos processando. precisamos dar uma resposta imediata a esse processo de criminalização da pobreza e da juventude negra que tem sido levado a cabo pelo Estado policial de Jackson Lago que mantém a mesma política repressiva que foi estruturada durante as décadas de domínio da oligarquia Sarney no estado do Maranhão.